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Desafios estruturais marcam envelhecimento no Brasil

A terceira onda do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos (Elsi-Brasil), realizada pela Fiocruz e pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), revelou que a qualidade de vida na terceira idade no Brasil enfrenta obstáculos que transcendem o quadro clínico. O levantamento indica que 40% dos idosos que residem em áreas urbanas convivem com o medo constante de sofrer quedas devido a calçadas irregulares e vias públicas inadequadas. Esse receio é mais intenso entre as mulheres (50,5%) e cresce proporcionalmente à idade, chegando a atingir 63,1% das pessoas com 80 anos ou mais.
A pesquisa também expõe a vulnerabilidade da rede de suporte aos idosos. Cerca de 20,4% da população idosa aproximadamente 6,5 milhões de pessoas apresentam dificuldades para realizar tarefas cotidianas básicas, como banho ou alimentação. No entanto, o cenário de apoio é precário: apenas 37,9% desses idosos recebem auxílio, e somente 5,8% dos cuidadores relataram ter passado por algum tipo de treinamento técnico. Esse dado evidencia a ausência de políticas públicas estruturadas para o suporte a cuidadores familiares e a necessidade urgente de serviços de cuidado de longa duração.
Saúde e papel do SUS
No campo da saúde, a hipertensão arterial sistêmica permanece como uma das condições mais críticas, afetando 34,4% da população acima de 60 anos, o que corresponde a 11 milhões de brasileiros. A prevalência da doença aumenta conforme o envelhecimento, sem distinção significativa entre gêneros. Diante desse quadro, o Sistema Único de Saúde (SUS) reafirma-se como o pilar de sustentação para essa população: dois terços dos idosos dependem exclusivamente da rede pública, com a Estratégia Saúde da Família (ESF) alcançando o acompanhamento de 22,2 milhões de pessoas.
Para auxiliar no monitoramento desses indicadores, o Elsi-Brasil lançou um novo painel digital de dados. A ferramenta visa apoiar gestores públicos e pesquisadores na criação de políticas voltadas à Década do Envelhecimento Saudável (2021-2030) da ONU, priorizando acessibilidade e planejamento urbano inclusivo. A coordenadora da pesquisa, Maria Fernanda Lima-Costa, enfatiza que, em um país marcado por desigualdades socioeconômicas, o fortalecimento das estruturas de saúde e segurança é a estratégia essencial para garantir dignidade e autonomia à crescente população idosa brasileira.
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Fonte: News Rondônia

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