A defesa da ex-deputada federal Carla Zambelli informou nesta sexta-feira (10), que apresentou um recurso à Corte de Cassação da Itália para tentar reverter a decisão que autorizou sua extradição para o Brasil. No mês passado, a Corte de Apelação de Roma havia aceitado o pedido enviado pelo governo brasileiro, mas a medida não foi executada por ainda caber contestação. A Corte de Cassação representa a última instância do judiciário italiano, e o desfecho do caso deve ditar o futuro da ex-parlamentar.
O advogado Fábio Pagnozzi baseou o recurso em questionamentos sobre supostas irregularidades processuais e nas condições das prisões brasileiras. A defesa também incluiu críticas à condução do processo pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo os defensores, não haveria correspondência direta na legislação italiana para o crime de invasão de sistema eletrônico (hackeragem) conforme descrito no pedido, o que invalidaria a entrega de Zambelli às autoridades brasileiras.
Carla Zambelli foi presa em Roma em julho de 2025, após deixar o Brasil em busca de asilo político, valendo-se de sua dupla cidadania. Ela foi condenada pelo STF a 10 anos de reclusão por ser a autora intelectual da invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 2023. Na ocasião, foi inserido um mandado de prisão falso contra o próprio ministro Alexandre de Moraes. O hacker Walter Delgatti, executor do crime, confirmou em depoimento ter agido sob as ordens da então deputada.
A análise do recurso pela Corte de Cassação pode durar até seis meses. Caso os magistrados mantenham a autorização para a extradição, a palavra final caberá ao Ministério da Justiça da Itália, que decidirá se Zambelli será ou não enviada de volta ao Brasil para cumprir sua pena. Enquanto o processo tramita, a ex-deputada permanece sob monitoramento das autoridades italianas, aguardando a definição jurídica de um dos casos de maior repercussão política e judicial dos últimos anos.
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Fonte: News Rondônia