A segunda parada da 19ª edição do CINEAMAZÔNIA – Festival de Cinema Ambiental transformou a Escola Estadual Flora Calheiros, em Porto Velho, em uma janela para diferentes histórias da Amazônia, seus personagens, memórias e desafios contemporâneos. Ao longo desta terça-feira (4), estudantes participaram de sessões de cinema que reuniram produções rondonienses e amazônicas, aproximando o audiovisual da realidade vivida pelos próprios jovens.
O festival promoveu encontros entre estudantes e realizadores, reforçando uma das principais missões do CINEAMAZÔNIA desde sua criação: formar público, estimular o pensamento crítico e ampliar o acesso ao cinema produzido na região.
Histórias que dialogam com o presente
A programação da manhã reuniu quatro produções com diferentes abordagens narrativas e estéticas. Os estudantes assistiram aos filmes Idade da Solidão, dirigido por Amanara Brandão Lube; A Ascensão da Cigarra, de Ana Clara Ribeiro; A Bôta, de Tullio Nunes; e Cine de Setembro, de João Paulo Palitot.
Embora distintos entre si, os filmes dialogam com temas ligados à memória, identidade, pertencimento, cultura amazônica e questões sociais que atravessam a vida contemporânea.
Em Idade da Solidão, o público acompanhou a história de Clara, uma idosa que enfrenta o medo do esquecimento enquanto registra seu cotidiano para preservar suas memórias.
Segundo a diretora Amanara Brandão Lube, a obra propõe uma reflexão sobre um tema pouco explorado no audiovisual. “O filme aborda a solidão que vem com a idade. A Clara vive sozinha e convive com esse fantasma do esquecimento. Ela procura formas de preservar suas memórias e, ao longo da história, passa por transformações que mudam sua relação com essa solidão. Também é uma produção majoritariamente negra, o que fortalece a presença do cinema negro na nossa região”, destacou.
Já A Bôta levou para a tela uma releitura amazônica da lenda do boto, transformando a personagem em uma heroína que enfrenta temas como violência, abuso infantil e exploração de crianças e adolescentes.
Para o diretor Tullio Nunes, o cinema pode ser uma poderosa ferramenta de diálogo com as novas gerações. “Foi um filme feito totalmente por uma equipe ribeirinha, desde o elenco até a parte técnica. A gente queria criar uma história que conversasse com os jovens sobre questões importantes, mas usando uma linguagem acessível e elementos da nossa própria cultura. Quando essas comunidades se veem na tela, elas percebem que suas histórias também merecem ser contadas”, afirmou.
Cinema como descoberta
Além de apresentar histórias e provocar reflexões, o festival também ajuda a construir trajetórias. “Eu já estive desse lado, assistindo aos filmes como estudante. Participar hoje de uma produção que está sendo exibida pelo CINEAMAZÔNIA mostra como o cinema pode abrir caminhos e transformar sonhos em possibilidades reais. É muito emocionante voltar e compartilhar essa experiência com os alunos”, relatou a diretora de arte do filme A Bôta, Anny Barros.
Entre os estudantes, a experiência despertou curiosidade e novas perspectivas sobre a cultura amazônica. A aluna Ana Gabriele, de 14 anos, destacou o impacto das produções exibidas. “O que eu mais gostei foi a perspectiva sobre a Amazônia. Os filmes mostram coisas que nem sempre são discutidas. Eu gostei muito de A Ascensão da Cigarra porque traz muitas críticas e me fez pensar. Acho importante ter projetos assim porque eles mostram a cultura brasileira e nos dão uma nova visão sobre assuntos que não são tão falados”, contou.
Durante a tarde, a programação assumiu um caráter histórico ao apresentar o documentário Amazonas, o Maior Rio do Mundo, dirigido por Silvino Santos em 1918.
Considerado um dos registros audiovisuais mais importantes da história da Amazônia, o filme permitiu aos estudantes conhecer imagens raras do cotidiano, dos costumes e dos modos de vida dos povos da região há mais de cem anos.
A estudante Maria Auxiliadora destacou a importância da experiência. “Foi muito interessante. A gente pôde entender como as pessoas trabalhavam antigamente, como aconteciam atividades como a pesca, a extração da borracha e a agricultura. Também vimos aspectos da vida dos povos indígenas. Quando a gente conhece mais a Amazônia, entende por que ela é tão importante para o Brasil”, afirmou.
Para o diretor do CINEAMAZÔNIA, José Jurandir da Costa, levar essas produções para dentro das escolas significa aproximar os estudantes de histórias que falam diretamente sobre o território onde vivem. “Acreditamos que o cinema pode despertar perguntas, ampliar horizontes e fortalecer a relação dos jovens com a sua própria realidade. Quando um estudante assiste a um filme produzido em Rondônia ou na Amazônia e se reconhece naquela história, ele passa a compreender que também faz parte dessa narrativa. É assim que formamos público, valorizamos nossos realizadores e fortalecemos a identidade cultural da região”, destacou.
A 19ª edição do CINEAMAZÔNIA – Festival de Cinema Ambiental é realizada com recursos da Lei Paulo Gustavo, do Fundo Estadual de Desenvolvimento da Cultura (FEDEC), por meio da Secretaria de Estado da Juventude, Cultura, Esporte e Lazer (SEJUCEL), do Estado de Rondônia.
Apoio: Cinemateca Brasileira; Sociedade Amigos da Cinemateca; Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); LUCA – Laboratório Universitário de Cinema e Audiovisual; Programa de Pós-Graduação em Comunicação; Pró-Reitoria de Cultura, Extensão e Assuntos Estudantis da Universidade Federal de Rondônia (UNIR). Realização: Acapulco Filmes.
João Alves – Assessoria de Imprensa
Fonte: Tribuna Popular