As contas do Governo Federal apresentaram um déficit primário de R$ 73,8 bilhões em março, conforme dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta quarta-feira (29). O desempenho representa uma forte queda na comparação com março do ano passado, quando houve um superávit corrigido pela inflação de R$ 1,59 bilhão. Este foi o pior resultado para o mês em 30 anos.
A piora acentuada é explicada pela concentração do pagamento de precatórios, que são sentenças judiciais devidas pela União. Em 2026, esses pagamentos foram antecipados para março, enquanto no ano anterior ocorreram majoritariamente no mês de julho. O déficit primário acontece quando as receitas com impostos não são suficientes para cobrir as despesas, sem considerar os juros da dívida.
Despesas crescem com precatórios e benefícios
As despesas totais do governo somaram R$ 269,88 bilhões em março, uma alta real de 49,2%. O impacto mais significativo veio das sentenças judiciais e precatórios, que somaram R$ 34,9 bilhões. Além disso, houve aumento nos benefícios previdenciários e gastos com pessoal, impulsionados pela política de valorização do salário mínimo e reajustes salariais ao funcionalismo.
No acumulado do primeiro trimestre de 2026, o déficit primário registrado é de R$ 17,09 bilhões. O resultado contrasta com o superávit de R$ 58,75 bilhões registrado no mesmo período do ano passado. Enquanto a receita líquida cresceu 4,2% no trimestre, as despesas totais saltaram 23,3%, pressionadas pelo novo cronograma de pagamentos judiciais.
Arrecadação mantém trajetória de alta
Apesar do saldo negativo, a receita líquida do governo subiu 7,5% em março, totalizando R$ 196,1 bilhões. O crescimento da economia e os aumentos de impostos anunciados nos últimos anos favoreceram a arrecadação. Entre os destaques positivos, o IOF teve alta de R$ 2,8 bilhões pelo aumento nas alíquotas, enquanto o Imposto de Importação somou R$ 2,3 bilhões a mais pelo maior volume importado. O Imposto de Renda e a CSLL foram impulsionados pelo lucro presumido e renda fixa, e a Cofins teve desempenho positivo no setor de serviços.
Meta fiscal e previsões para o ano
A meta oficial para 2026 prevê um saldo positivo de 0,25% do PIB, cerca de R$ 34,3 bilhões. O arcabouço fiscal estabelece uma margem de tolerância que permite considerar a meta cumprida com um saldo entre zero e R$ 68,6 bilhões. O governo também tem autorização para retirar R$ 63,5 bilhões em despesas com precatórios desse cálculo.
Mesmo com essas compensações e bandas de tolerância, a previsão oficial do governo é encerrar 2026 com um déficit de quase R$ 60 bilhões. Se os números se confirmarem, as contas públicas da União devem permanecer no terreno negativo durante todo o atual mandato presidencial.
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Fonte: News Rondônia