A Conferência de Bonn sobre Mudanças Climáticas (SB64), realizada na Alemanha, chegou ao fim nesta quinta-feira (18) sob um clima de frustração e cautela. Instituições e organizações da sociedade civil apontam que a reunião técnica, que deveria pavimentar o caminho para a próxima conferência do clima (COP31), na Turquia, deixou pendentes questões cruciais como a meta global de adaptação, o programa de trabalho de mitigação e o financiamento público internacional.
Críticas e impasses
O Observatório do Clima classificou o resultado como decepcionante, destacando a falta de consenso entre as nações. Um ponto de preocupação adicional foi a resistência demonstrada por países do G77, como China e Índia, em relação à base científica das negociações, buscando adiar a publicação do próximo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). A LACLIMA também sublinhou que a maioria dos temas centrais, incluindo agricultura e adaptação, foi transferida para a COP31 devido à ausência de acordos.
Marina Guião, analista de políticas climáticas, ressaltou a disputa em torno do financiamento climático, um dos pilares mais sensíveis das negociações. O impasse persiste sobre se o tema será tratado como um item prioritário na agenda da próxima cúpula ou se continuará em um patamar de diálogo sem metas estruturadas. A Climate Action Network (CAN) reforçou que a falta de consensos no financiamento inviabiliza o progresso em adaptação, afetando diretamente as nações mais vulneráveis aos impactos climáticos.
Mudança de foco e implementação
Em uma avaliação menos pessimista, o WWF destacou que o encontro em Bonn consolidou uma mudança de postura nas negociações, que agora buscam migrar do campo das promessas para o foco na implementação prática. Segundo Alexandre Prado, líder de mudanças climáticas da instituição, a atuação da presidência brasileira da COP30 foi determinante para elevar o tom da discussão, forçando o debate sobre ações concretas diárias.
Apesar do reconhecimento do multilateralismo, a organização reforça que o engajamento político precisa ser acompanhado de entregas efetivas. Para Tatiana Oliveira, do WWF-Brasil, o desafio agora é transformar as discussões em resultados tangíveis. Sem mecanismos claros de financiamento para viabilizar estratégias de mitigação e adaptação nos países em desenvolvimento, o compromisso global corre o risco de permanecer apenas no discurso, mantendo a distância entre o que é acordado nos fóruns internacionais e as necessidades reais das comunidades atingidas pela crise climática.
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Fonte: News Rondônia