A navegação fluvial, considerada um dos pilares da logística brasileira, foi tema de destaque durante entrevista concedida por Willam Tadheu Lemes de Araújo, presidente do Instituto de Navegação Brasileira (INB), ao programa Comunidade News. Advogado e empresário do setor de navegação, o entrevistado analisou os desafios enfrentados pela hidrovia do Rio Madeira, a necessidade de modernização da infraestrutura logística e os impactos econômicos da navegação para Rondônia, a Região Norte e o Brasil.
Durante a conversa, Willam ressaltou que a navegação é responsável pelo transporte da maior parte das cargas exportadas pelo país, mas ainda recebe pouca visibilidade nas discussões nacionais sobre infraestrutura.
Segundo ele, apesar da relevância estratégica do setor, questões relacionadas à regulação, à formação de mão de obra, à burocracia e à manutenção das hidrovias continuam sendo desafios que exigem atenção do poder público e da iniciativa privada.
Trajetória construída em Rondônia
Natural de Rosário Oeste, no Mato Grosso, Willam chegou a Porto Velho em 2012 para atuar no setor de navegação. Desde então, aprofundou seus conhecimentos sobre a logística hidroviária da Amazônia e passou a participar de debates nacionais relacionados ao desenvolvimento do transporte aquaviário.
Ao longo dos anos, acumulou experiência junto a órgãos reguladores, entidades representativas e empresas do setor, tornando-se uma das vozes mais atuantes nas discussões sobre políticas públicas voltadas à navegação brasileira.
Rio Madeira é peça-chave para a economia nacional
Durante a entrevista, o presidente do Instituto de Navegação Brasileira destacou a relevância da hidrovia do Rio Madeira para o escoamento da produção agrícola e industrial da Região Norte e do Centro-Oeste.
Segundo ele, grande parte da produção de Rondônia e do Mato Grosso utiliza o Rio Madeira como corredor logístico para alcançar os mercados nacionais e internacionais.
Além disso, a hidrovia também desempenha papel fundamental no abastecimento de municípios amazônicos e na integração econômica entre diferentes regiões do país.
Debate sobre concessão da hidrovia
Um dos temas centrais da entrevista foi o projeto de concessão da hidrovia do Rio Madeira, que esteve em discussão nos últimos anos.
Willam explicou que o setor manifestou preocupação com aspectos técnicos apresentados na proposta, argumentando que alguns estudos utilizados estavam desatualizados e não refletiam a realidade atual da navegação na região.
Segundo ele, representantes do setor defenderam a necessidade de revisão dos dados e maior participação dos operadores nas discussões sobre o futuro da hidrovia.
A mobilização contou com apoio de entidades representativas e de parlamentares da Região Norte, contribuindo para o adiamento do processo até que novas avaliações possam ser realizadas.
Hidrovia exige soluções adaptadas à realidade amazônica
Ao abordar as características do Rio Madeira, Willam destacou que a hidrovia possui particularidades distintas de outras rotas fluviais brasileiras.
Por ser um rio de dinâmica complexa e em constante transformação, exige monitoramento permanente, estudos atualizados e investimentos específicos para garantir a segurança e a eficiência da navegação.
Para o especialista, modelos aplicados em outras regiões nem sempre podem ser replicados automaticamente na Amazônia, sendo necessário considerar fatores ambientais, geológicos e operacionais próprios da região.
Dragagem e derrocamento são prioridades
Entre as medidas consideradas essenciais para melhorar a navegabilidade do Rio Madeira, Willam destacou a necessidade de ampliar as ações de dragagem e realizar o derrocamento de formações rochosas que dificultam a passagem das embarcações em períodos de estiagem.
Segundo ele, a remoção desses obstáculos pode reduzir custos operacionais, aumentar a segurança da navegação e garantir maior regularidade ao transporte de cargas ao longo do ano.
O empresário defendeu que investimentos estruturais podem gerar economia de recursos públicos no longo prazo e ampliar a competitividade logística da região.
Segurança também preocupa o setor
Outro desafio apontado durante a entrevista foi a segurança nas hidrovias.
Willam revelou que embarcações que operam na região enfrentam riscos relacionados à atuação de grupos criminosos e ataques conhecidos popularmente como pirataria fluvial.
Segundo ele, o fortalecimento da fiscalização e o investimento em segurança são medidas fundamentais para proteger tripulações, cargas e operadores logísticos.
A questão, de acordo com o entrevistado, precisa ser tratada como prioridade para garantir a continuidade das operações de forma segura.
Comunidades ribeirinhas podem ganhar protagonismo
Além da logística de cargas, o presidente do Instituto de Navegação Brasileira defendeu a criação de políticas públicas voltadas ao turismo sustentável nas comunidades ribeirinhas.
A proposta prevê incentivos para que moradores das margens dos rios possam desenvolver atividades ligadas ao turismo, utilizando embarcações adaptadas e estruturas adequadas para receber visitantes.
Segundo Willam, iniciativas desse tipo podem gerar renda, fortalecer a economia local e promover o desenvolvimento sustentável sem comprometer os recursos naturais da região.
Formação profissional é um dos maiores desafios
A escassez de mão de obra qualificada também foi destacada como uma preocupação do setor.
De acordo com o entrevistado, existe atualmente uma demanda crescente por profissionais especializados para atuar na navegação brasileira, especialmente na marinha mercante.
Ele defendeu a ampliação da oferta de cursos de formação por meio de instituições de ensino, entidades de capacitação profissional e parcerias com o setor produtivo.
Para Willam, a qualificação de novos profissionais será fundamental para atender às demandas futuras da navegação nacional.
Instituto de Navegação Brasileira amplia atuação
Durante a entrevista, também foi apresentado o trabalho desenvolvido pelo Instituto de Navegação Brasileira e pela Frente Parlamentar em Defesa do Desenvolvimento da Navegação Brasileira.
As iniciativas buscam ampliar o debate sobre políticas públicas para o setor, reduzir entraves burocráticos, fortalecer a competitividade logística do país e criar mecanismos que incentivem investimentos na navegação.
Segundo Willam, o objetivo é aproximar sociedade, setor produtivo e poder público para construir soluções que atendam às necessidades da navegação brasileira.
Navegação é estratégica para o futuro do Brasil
Ao encerrar a entrevista, o especialista reforçou que investir na navegação significa fortalecer a competitividade do país e reduzir custos logísticos em diversos setores da economia.
Para ele, a ampliação dos debates sobre infraestrutura hidroviária é essencial para garantir que regiões como Rondônia continuem desempenhando papel estratégico no desenvolvimento nacional.
“O Brasil precisa discutir a navegação com mais profundidade. É um setor fundamental para o crescimento econômico e para a integração das regiões brasileiras”, destacou.
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Fonte: News Rondônia