Um estudo divulgado nesta quarta-feira (25) pelo Centre for Research on Energy and Clean Air (CREA) e pelo Instituto Arayara alerta para os graves impactos à saúde causados pelo complexo carbonífero de Candiota (RS). Segundo o relatório, as atividades de mineração e queima de carvão na região podem provocar até 1,3 mil mortes e gerar gastos bilionários com saúde pública até 2040. Os pesquisadores apontam que a poluição ultrapassa fronteiras, atingindo populações na Argentina, Uruguai e Paraguai devido ao transporte de material particulado fino (PM2.5) pelo ar.
O levantamento detalha que, entre 2017 e 2025, o complexo já teria sido responsável por 430 óbitos, com previsão de mais 870 vítimas nos próximos 15 anos. A queima do carvão mineral brasileiro é especialmente poluente por possuir alto teor de cinzas, liberando substâncias ligadas ao câncer de pulmão, doenças cardíacas e AVC. Além das mortes, o estudo estima que a poluição causará 460 partos prematuros e centenas de novos casos de asma infantil, afetando a produtividade econômica com milhões de faltas ao trabalho.
Pressão por transição energética e fim de subsídios
Apesar de o carvão representar apenas 1,6% da matriz elétrica nacional, sua operação é garantida por lei até 2040, contando com subsídios públicos. Especialistas do Instituto Arayara defendem que a manutenção dessas usinas contradiz o potencial do Brasil como líder em energias renováveis. O relatório recomenda que o governo adote um cronograma legal para desativar as termelétricas antes do fim das licenças atuais e encerre isenções tributárias para o setor, priorizando investimentos em fontes eólica e solar.
Em resposta ao estudo, a Associação Brasileira do Carbono Sustentável (ABCS) afirmou que todas as emissões das usinas no Brasil são monitoradas em tempo real e seguem parâmetros de segurança definidos por autoridades ambientais. No entanto, o relatório sugere que a fiscalização seja reforçada e que novas avaliações de impacto à saúde sejam exigidas em todas as renovações de licença. O documento também propõe um plano de transição justa para os trabalhadores do setor, garantindo requalificação profissional e suporte à geração de renda durante o fechamento das minas.
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Fonte: News Rondônia