Coluna Ponto Crítico – Por Felipe Corona
Léo Moraes segue com politica do “pão e circo”, agora com sabor “rolo”
Evento foi anunciado em tempo recorde, sem licitação, com gastos acima de R$ 2 milhões e dinheiro tirado de áreas importantes; enquanto isso, ruas da cidade parecem queijo suíço (cheias de buracos enormes)
Terra da ilusão
Nas redes sociais, a Prefeitura de Porto Velho, comandada pelo ex-coligado com o povo, Léo Moraes (do Podemos e aquele que não gosta de conversar) parece perfeitíssima: tudo funcionando às mil maravilhas, igual um trem suíço. Mas falando em Suíça, a única realidade que parece com o país europeu é a semelhança das ruas da capital com o famoso queijo produzido por lá: buracos enormes e de todos os formatos.
Terra da ilusão 2
A saúde, que seria uma das prioridades, parece que ficou pior do que na época de Hildon Chaves: falta tudo, inclusive médicos. Tanto que a prefeitura ainda lançou uma reportagem institucional, onde o secretário Jaime Gazola (que é médico), foi para uma das UPAs para atender a população que já esperava horas à fio.
Terra da ilusão 3
E por quê não transformar a ilusão em realidade “rentável”? Pois bem, a prefeitura resolveu fazer mais uma festa com dinheiro público: a Tecnogame, evento contratado a toque de caixa, que saiu de alguma mente esperta (de algum assessor que deve ganhar 20 ou 30 mil reais) para desviar o foco mais uma vez das centenas de problemas (importantes) da principal cidade de Rondônia.
Tecnogame
E parece que o evento bombástico, que prometia revolucionar o entretenimento eletrônico e virtual na cidade, nasceu com muitos problemas, tretas, mutretas e sabor de “rolo”. Vamos aos fatos: o contrato de R$ 2 milhões que a prefeitura fez para bancar um evento de videogame de apenas dois dias, chamado “Porto Velho Tecnogame”.
Tecnogame 2
Esse contrato foi feito pela Secretaria Municipal de Turismo, Esporte e Lazer (Semtel), que é comandada por Paulo Moraes Jr, irmão do prefeito Léo Moraes e aquele que acham que será eleito deputado estadual (só tem sonhadores)… E o detalhe: a contratação foi feita sem licitação (ou seja, sem fazer aquela concorrência pra ver qual empresa cobra mais barato).
Tecnogame 3
Quando a mídia que não recebe dinheiro público (e são poucos veículos) foi fuçar a papelada (que é pública), descobriu várias coisas bem esquisitas… 1 – Documento “maquiado” e vencido: para fechar o contrato sem licitação, usaram uma certidão do Ministério do Esporte. O problema? O documento original do governo federal dizia que a certidão só valia por um ano e já estava vencida.
Tecnogame 4
O documento que foi entregue para a prefeitura teve esse trecho da validade “apagado”. Ou seja, usaram um papel alterado para conseguir fechar o negócio; 2 – Exclusividade fajuta: a desculpa para contratar sem licitação foi um atestado de exclusividade dado pela Confederação Brasileira de Games e Esports (CBGE), dizendo que só aquela empresa poderia fazer o evento. Mas essa confederação não tem reconhecimento oficial do Ministério do Esporte para isso.
Conversa fiada
Na prática, outras empresas poderiam ter concorrido se abrissem uma licitação justa; 3 – Pagamento adiantado: a prefeitura já liberou, de cara, R$ 790 mil adiantados para cobrir gastos como passagens, hotéis e cachês. Tudo isso pago antes mesmo de o evento acontecer; 4. Promoção pessoal com o nosso dinheiro: o evento é pago com dinheiro público, mas a página oficial do evento no Instagram fez uma postagem junto com o perfil pessoal do prefeito Léo Moraes.
Mais promoção pessoal
Isso pega mal porque mistura dinheiro público com promoção política na rede social pessoal do prefeito. Resumindo a ópera: a prefeitura fechou um contrato milionário e sem concorrência para um evento de dois dias, usando um documento que teve sua validade alterada para não parecer vencido, com atestado de uma confederação sem aval oficial, e ainda adiantou quase 800 mil reais. A grande questão agora é: a prefeitura não conferiu os documentos direito ou viu os erros e fechou os olhos mesmo assim?
Deixa pra lá
Conhecendo bem a turma que anda lá pelos prédios do Relógio, devem ter pensado: “bora logo fazer um oba-oba com esse evento incrível, espetacular e importantíssimo para nossos chefinhos Léo e Paulinho, que ninguém vai notar os rolos que essa empresa está fazendo. Muito menos nos cobrarem né? Afinal, tem dinheiro de mídia sobrando para nossos parceiros”.
Debaixo do tapete
O diálogo acima é fictício, obviamente. Mas não duvido que algumas palavras tenham muita semelhança com a realidade que o prefeito virtual vive, junto com sua equipe competentíssima (contém ironia) e não enxergam os verdadeiros problemas urgentes da cidade como infraestrutura, saúde e educação, onde faltam professores e até merendeiras.
Pago duas vezes
Li os comentários do colega jornalista e professor Samuel Costa e vou reproduzir aqui: “O prefeito Léo Moraes tirou cerca de R$ 2 milhões do orçamento, que poderiam ser usados em obras, trânsito e infraestrutura, para bancar um evento de dois dias de jogos eletrônicos. E não para por aí: para participar do evento, ainda estão cobrando 3 quilos de alimentos não perecíveis ou uma caixa de chocolate, o que transforma a ação em politicagem”.
Pago duas vezes II
Ele prossegue: “Os moradores não podem pagar duas vezes: primeiro com seus impostos e depois com doações para entrar. Por isso, é necessário suspender esse contrato e explicar claramente como esse dinheiro público está sendo gasto. A população quer prioridades de verdade: saúde funcionando, educação de qualidade, limpeza da cidade, asfalto nas ruas e cuidadores para crianças neurodivergentes nas escolas. É para isso que o dinheiro público deve servir”.
Estragos
Não sou fã do vereador Marcos Combate (Agir), mas ele tem acertado em alguns momentos. Vamos a uma postagem dele sobre o remanejamento de recursos para a Tecnogame: “Um motoboy se acidentou na noite de ontem [domingo passado] após cair em um buraco na esquina da Avenida Rio de Janeiro com a Guaporé, em Porto Velho. A situação mostra o risco diário de quem trabalha nas ruas da cidade”. De acordo com Combate, o rapaz quebrou a clavícula e estava internado.
Estragos 2
Segundo o vereador, “o mais revoltante é que a prefeitura retirou R$ 400 mil da SEINFRA, secretaria responsável pela manutenção das ruas, para ajudar a pagar um evento de videogame que custará R$ 2 milhões e durará apenas dois dias”.
Sem grana
Segundo divulgação feita por alguns sites, foram retirados recursos que iriam para logística de serviços básicos (limpeza e manutenção de ruas), sinalização de segurança e organização do trânsito (semáforos, faixa de segurança, etc.), modernização de sistemas de T.I., dinheiro de administração pública e ainda dinheiro que seria investido nos esportes de base.
Sem grana 2
Essas escolinhas públicas (que são administradas pela prefeitura) são locais onde crianças carentes praticam várias modalidades do esporte. É uma grande oportunidade para elas não se envolverem com o crime (especialmente as facções), além de terem a oportunidade de ter uma carreira profissional no futebol, vôlei, basquete, natação, atletismo, etc.
Oficial
A contratação foi realizada por meio da Inexigibilidade de Licitação vinculada ao processo administrativo nº 014.000941/2025-51, que prevê a contratação da empresa Ayra Hub Inovações e Tecnologia Ltda para realizar o evento denominado Porto Velho Tecnogame, previsto para ocorrer nos dias 21 e 22 de março de 2026.
Oficial 2
Com base na publicação no Diário Oficial dos Municípios, consta o Termo de Inexigibilidade de Licitação nº 0604196/2026 – SEMTEL, que formaliza a contratação da empresa responsável pela organização do evento. O documento descreve a contratação de empresa especializada em planejamento, organização, produção e execução de evento envolvendo todo o ecossistema de games e tecnologia, incluindo estrutura, logística e suporte técnico.
Pressa
A rapidez da tramitação do processo chama atenção: pouco mais de 30 dias. Os atos administrativos ocorreram entre 12 de janeiro de 2026, quando o processo foi iniciado, e 03 de março de 2026, data da publicação do decreto de remanejamento orçamentário que garantiu os recursos para o evento. Servidores municipais afirmam que outros projetos relevantes e com impacto direto na vida da população aguardam andamento desde 2024, sem receber a mesma prioridade administrativa.
Não é importante
De acordo com o Decreto nº 21.802, publicado no Diário Oficial em 03 de março de 2026, a prefeitura realizou o remanejamento de R$ 2 milhões no orçamento municipal para viabilizar o evento. Os recursos foram retirados de quatro áreas da administração pública: SMTI – Superintendência Municipal de Tecnologia da Informação (R$ 600 mil de ações de modernização de tecnologia).
Sem pressa
Ainda foram retirados recursos da PGM – Procuradoria-Geral do Município (R$ 400 mil da administração da unidade; Seinfra – Secretaria Municipal de Infraestrutura (R$ 400 mil de ações de apoio logístico de serviços básicos) e da Semtran – Secretaria Municipal de Segurança, Trânsito e Mobilidade (R$ 600 mil da modernização e manutenção de sinalização semafórica).
Tirando da reta
Outro ponto que chama atenção nos documentos publicados é que o secretário Paulo Moraes Jr não assina o Termo de Inexigibilidade, apesar de ser o titular da pasta responsável pela contratação. O documento publicado no Diário Oficial aparece assinado por Rodrigo Ferreira Campos, diretor do Departamento Administrativo e secretário-executivo de turismo em substituição.
Tirando da reta 2
Aliás, parece que Paulo Moraes Jr, aquele que querem empurrar goela abaixo da população como simpático e competente, não assina documento nenhum na Semtel. Quem sempre assina é o adjunto, Aleks Palitot ou algum diretor de departamento. Eu só gostaria de saber se ele repassaria o salário de quase 50 mil reais para quem realmente trabalha de verdade…
*Esta coluna foi escrita com informações publicadas pelo site FatosRO, com informações divulgadas no começo de março.
**Os sites que publicam esta coluna reservam o direito de manter integralmente a opinião dos seus articulistas sem intervenções. No entanto, o conteúdo apresentado por este “COLUNISTA” é de inteira responsabilidade de seu autor.
Fonte: Tribuna Popular

