Coluna Ponto Crítico – Por Felipe Corona
Fato gerou críticas entre os presentes, que destacaram espaço do Governo do Estado; por outro lado, Léo está preocupado em “impulsionar” a própria imagem e fazer evento de games para população, no esquema “pão e circo”, como sempre…
Pesca
Realizada entre os dias 12 e 14 de março (entre quinta e sábado passados), em São Paulo, no Anhembi, a Pesca & Companhia Trade Show 2026 reuniu representantes de todo o país e consolidou-se, mais uma vez, como a maior vitrine da pesca esportiva na América Latina. O evento também sediou o 4º Fórum Nacional do Turismo da Pesca, com debates sobre infraestrutura, promoção de destinos e estratégias para atrair turistas internacionais.
Executivo estadual
E Rondônia, é verdade, fez bonito. Com estande próprio, participação ativa e presença durante toda a programação, o estado foi representado por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec) e da Superintendência de Turismo (Setur), que levaram empresários e operadores do setor para divulgar o potencial amazônico: rios, biodiversidade e aquele “pacote completo” que o turismo adora vender.
Executivo estadual 2
A comitiva estadual, liderada por secretários e integrantes do trade turístico, participou efetivamente das discussões, apresentou destinos e buscou posicionar Rondônia no mapa da pesca esportiva nacional e internacional. Tudo dentro do roteiro esperado de quem, de fato, foi trabalhar.
Presença onipresente
Já a prefeitura da capital resolveu inovar no conceito de presença institucional. De acordo com relatos de participantes, o secretário municipal de Turismo, Esporte e Lazer, Paulo Moraes Jr (irmão do prefeito Léo Moraes), apareceu apenas no sábado (14), último dia do evento. Tempo suficiente, ao que tudo indica, para cumprir o básico: marcar presença, gravar um vídeo, trocar algumas palavras e, claro, não perder o voo de volta (que também foi pago com dinheiro público).
Nem ligou
Detalhe curioso: segundo esses mesmos relatos, o secretário sequer passou pelo estande oficial de Rondônia, onde estavam concentrados justamente os representantes do estado e empresários que participaram da feira desde o início. Talvez tenha sido uma estratégia inovadora de turismo… evitar o próprio destino.
Grana no bolso
Mas o ponto que realmente fisgou a atenção (sem trocadilho, ou talvez com) foi outro: dados do Portal da Transparência da própria prefeitura mostram que o secretário recebeu R$ 4.800 em diárias, o equivalente a três dias e meio de agenda institucional. Um assessor que o acompanhou também recebeu o mesmo valor. Tudo dentro da legalidade, claro. Afinal, nada mais justo do que três dias de diárias para uma participação que, segundo relatos, coube confortavelmente em algumas horas.
Diferenças
O contraste entre a atuação contínua do Governo do Estado durante os três dias de evento e a aparição relâmpago da comitiva municipal acabou gerando questionamentos entre empresários e participantes do setor. Principalmente porque, no papel, todos estavam lá pelo mesmo motivo: promover o turismo.
Turismo (com dinheiro público)
Ao final, fica a dúvida que não quer voltar para casa: foi uma missão institucional… ou um pit stop turístico com verba pública? O espaço segue aberto para manifestações da Secretaria Municipal de Turismo, Esporte e Lazer (Semtel), caso haja interesse em explicar a agenda. Ou a falta dela.
Festa, mais festa
A gestão da Prefeitura de Porto Velho, comandada pelo ex-coligado com o povo, Léo Moraes, parece ter definido com bastante clareza suas prioridades, ainda que elas não coincidam exatamente com o básico esperado pela população: fazer turismo com dinheiro público e muitas festas com recursos pagos por meio de impostos pela população da capital de Rondônia.
Faixas virtuais
Enquanto pedestres atravessam ruas com faixas praticamente invisíveis, inclusive em frente a escolas, motoristas desviam de buracos e encaram cruzamentos mal sinalizados onde acidentes viraram rotina, a administração municipal demonstra estar bastante ocupada com… eventos. Afinal, nada como uma boa programação para distrair do pequeno detalhe chamado segurança no trânsito.
“Joguinhos” de presente
E não é qualquer evento. Para garantir que o espetáculo aconteça, cerca de R$ 600 mil que seriam destinados à manutenção de sinalização viária foram realocados para ajudar a turbinar um festival gamer, o Tecnogame (Processo nº 014.000941/2025-51). Tudo isso sem licitação, com direito a cachês elevados, estrutura de ponta e até aluguel de espaço por R$ 60 mil para apenas dois dias. Prioridades, como se vê, são uma questão de perspectiva.
Pedidos em vão
Enquanto isso, vereadores seguem fazendo o papel que, em tese, deveria ser compartilhado com o Executivo: ouvir a população. Reclamações vindas das zonas Sul, Leste e Norte da cidade apontam abandono, especialmente quando o assunto é trânsito, aquele detalhe que envolve risco direto à vida.
Pedidos em vão 2
Os parlamentares protocolaram uma série de pedidos de providência junto à Secretaria Municipal de Trânsito, Mobilidade e Transportes (Semtran), comandada por Iremar Torres. As solicitações incluem desde a revitalização de faixas de pedestres até a instalação de redutores de velocidade e semáforos em pontos considerados críticos.
Riscos
No bairro Cohab, por exemplo, a situação no entorno da Escola Infantil Moranguinho virou motivo de preocupação. A faixa de pedestres desgastada e a velocidade dos veículos colocam em risco crianças e responsáveis que circulam diariamente pelo local. Mas, claro, isso não rende likes como um evento bem produzido e postado nas redes sociais com toda a pompa e efeitos gráficos…
Riscos 2
Já no Conjunto Jamari, no Bairro Três Marias, moradores relatam acidentes frequentes em cruzamentos onde a pressa dos motoristas supera qualquer noção de prudência. A solução pedida é simples: redutores de velocidade. Nada muito sofisticado, talvez por isso ainda não tenha virado prioridade.
Riscos 3
No bairro Aponiã, a demanda é semelhante: controle da velocidade em uma via com grande fluxo de pessoas e comércio ativo. E, no cruzamento da Avenida Mamoré com a Rua Sete de Setembro, no bairro Escola de Polícia, a solicitação é por um semáforo: item básico de organização urbana, mas que ainda depende de estudos, análises e, quem sabe, um pouco de boa vontade.
Prevenir é melhor que…
Segundo os vereadores, as medidas têm um objetivo direto: salvar vidas. Um conceito aparentemente menos urgente do que investir milhões em entretenimento. Os pedidos agora aguardam avaliação técnica da Semtran, que deverá analisar viabilidade orçamentária e de engenharia. Enquanto isso, a população segue fazendo o que pode: desviando de buracos, adivinhando sinalizações apagadas e torcendo para que o próximo cruzamento não vire manchete.
Remediar
No fim das contas, fica a sensação de que Porto Velho virou uma espécie de palco (com luz, som e estrutura de primeira) onde o trânsito, infelizmente, segue atuando como figurante de risco, sem ser prioridade e sem dinheiro, já que os recursos foram enviados para “mexer com a imaginação” dos pedestres, ciclistas, motociclistas e motoristas.
Impulsionar (a imagem)
Em Porto Velho, onde trafegar por algumas ruas (sobretudo fora do Centro) já exige mais habilidade de astronauta do que de motorista, a prefeitura decidiu investir R$ 150 mil em publicidade digital apenas no mês de fevereiro. O valor, destinado a anúncios na plataforma Facebook, faz parte do planejamento de mídia oficial e, claro, não passou despercebido.
Críticas
A decisão rapidamente virou alvo de questionamentos nas redes sociais. E não é difícil entender o motivo. Enquanto crateras se multiplicam pelo asfalto (transformando bairros inteiros em verdadeiros “mapas lunares”) moradores também relatam problemas muito mais urgentes: a demora no atendimento de ambulâncias e falhas recorrentes nos serviços de saúde.
Críticas 2
A comparação feita por parte da população é direta e incômoda. Com um valor semelhante ao destinado à publicidade, seria possível investir na compra de equipamentos ou até ajudar na aquisição de uma ambulância para reforçar o atendimento de urgência. Mas, ao que parece, a prioridade do momento é garantir que a mensagem chegue… ainda que o socorro, nem sempre.
Críticas 3
A situação escancara um debate recorrente sobre gestão pública: afinal, o que vem primeiro: a solução ou a divulgação? Em uma cidade onde buracos disputam espaço com veículos e o tempo de resposta na saúde vira motivo de apreensão, o investimento em anúncios digitais soa, no mínimo, deslocado da realidade vivida por quem precisa desviar de crateras e torcer para que, em caso de emergência, a ajuda não fique presa no caminho.
*Esta coluna foi escrita com informações publicadas pelos sites FatosRO, EiRondônia e Coluna da Hora (escrita por Géri Anderson) com dados divulgados em março.
**Os sites que publicam esta coluna reservam o direito de manter integralmente a opinião dos seus articulistas sem intervenções. No entanto, o conteúdo apresentado por este “COLUNISTA” é de inteira responsabilidade de seu autor.
Fonte: Tribuna Popular

