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Coluna ESPAÇO ABERTO – UM VAGÃO, MIL SAUDADES: Porto Velho reencontra um pedaço do coração

5 minutos de leitura

Confira as notícias do dia, por Cícero Moura.

MEMÓRIA VIVA Tem notícias que chegam como uma visita querida: despertam lembranças, aproximam pessoas e fazem a gente sorrir sem perceber. A revitalização do vagão PP56, da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, tem esse encanto de reencontro.

Foto: Reprodução / Redes Sociais VELHO COMPANHEIRO Depois de tanto tempo, o vagão recebe cuidados e recupera suas características. Para quem tem uma história ligada à ferrovia, deve ser como reconhecer um velho amigo na multidão e descobrir que ainda há muito a conversar.

Foto: Reprodução / Acervo Energisa  OUTRO TEMPO A imagem de um vagão antigo convida a imaginar viagens em que havia tempo para observar a paisagem pela janela. Hoje, tantas vezes atravessamos a cidade sem reparar nela, ocupados demais com a próxima mensagem no celular.

PELA JANELA

Uma janela de trem oferece uma delicadeza rara: a paisagem passa, mas nós podemos permanecer olhando. Talvez venha daí parte do fascínio pelos trilhos, essa possibilidade de seguir adiante sem deixar de contemplar o caminho.

ENCONTROS

Estações sempre foram lugares de sentimentos à mostra. A expectativa de uma chegada, o abraço apertado, a dificuldade de soltar a mão na despedida. Ao redor dos trens, a vida encontrava motivos para revelar suas emoções.

CORAÇÃO APERTADO

Quem já esperou alguém sabe que a distância também se mede em ansiedade. Antes das mensagens instantâneas, havia chegadas que precisavam ser aguardadas com os olhos atentos e o coração fazendo perguntas.

BANCOS RECUPERADOS

A reforma dos bancos do PP56 devolve ao vagão um detalhe essencial de sua identidade. Diante deles, é difícil resistir à imaginação: quem se sentou ali, que sonhos carregava, o que esperava encontrar ao desembarcar?

PORTAS ABERTAS

As portas e janelas recuperadas permitem reconhecer melhor o vagão que atravessou outros tempos. São detalhes que ajudam a aproximar a história de quem talvez a conheça apenas por fotografias ou pelas conversas em família.

MÃOS CUIDADOSAS

Recuperar peças, pintar, reformar e lubrificar componentes exige trabalho paciente. Existe uma forma de carinho nessa atenção aos detalhes, especialmente quando o cuidado procura respeitar as características originais de um bem histórico.

Foto: Reprodução / Acervo Energisa  BELEZA MADURA Há uma beleza particular nas coisas que envelhecem e continuam tendo o que dizer. Um vagão histórico desperta curiosidade justamente porque pertence a um tempo diferente do nosso e conserva sinais desse percurso.

RAÍZES

Inaugurada em 1912, a Madeira-Mamoré ocupa um lugar fundamental na formação de Porto Velho. Sua história ajuda a compreender os caminhos pelos quais a cidade cresceu e a identidade de Rondônia foi sendo construída.

Foto: Reprodução / Acervo Energisa  VIDAS INTEIRAS Para muitas famílias, a ferrovia faz parte da própria biografia. É o trabalho de um pai, a lembrança de um avô, uma história ouvida desde pequeno e que, com o passar dos anos, ganha um significado maior.

VOZ FERROVIÁRIA

A emoção do ex-ferroviário Antônio Manoel ao acompanhar a recuperação traduz esse vínculo. Quando ele fala da felicidade de ver o patrimônio cuidado, há uma vida de pertencimento por trás de suas palavras.

Foto: Reprodução / Acervo Energisa  ORGULHO SIMPLES Existe um orgulho bonito em reconhecer o valor do trabalho que se fez. Ver um vagão recuperado pode significar, para um antigo ferroviário, sentir que uma parte de sua dedicação continua sendo lembrada pela cidade.

ESCUTAR OS MAIS VELHOS

Talvez uma das melhores maneiras de conhecer a Madeira-Mamoré seja ouvir quem viveu seu cotidiano. Há detalhes que aparecem numa conversa tranquila, quando alguém encontra atenção suficiente para contar o que guarda há décadas.

HERANÇA AFETIVA

Uma criança que conhece esse vagão ao lado dos avós pode levar para casa muito mais do que uma fotografia. Pode descobrir uma história da família, fazer uma pergunta inesperada e começar a construir sua própria ligação com Porto Velho.

Foto: Reprodução / Acervo Energisa  SAUDADE BOA O saudosismo tem sua ternura quando nos ajuda a valorizar o que merece permanecer. Rever um objeto antigo, lembrar uma pessoa ou escutar uma história pode trazer conforto e renovar o interesse pela vida ao nosso redor.

SEM IDEALIZAÇÃO

A memória da ferrovia também pede respeito pelas dificuldades e pelo sofrimento de quem participou de sua história. A ternura por esse patrimônio pode conviver com um olhar atento às marcas humanas que ele carrega.

TEMPO DE OLHAR

O PP56 oferece um convite oportuno numa rotina tão apressada: parar um pouco. Observar os bancos, as portas, as janelas e pensar nas pessoas que fizeram parte daquela história já é uma maneira de se aproximar dela.

AMOR À CIDADE

O afeto por Porto Velho cresce quando conhecemos seus lugares e entendemos o que representam. Cuidar do patrimônio é uma forma concreta de cultivar esse vínculo e de permitir que outras pessoas também o descubram.

APOIO AO RESGATE

A revitalização conta com apoio da Energisa Rondônia. A contribuição ajuda a recuperar um bem de valor histórico e afetivo, cuja presença permite aproximar diferentes gerações de uma referência importante do estado.

COMPROMISSO

Ao destacar a preservação das raízes e o acesso das próximas gerações a essa história, Fernando Tupan, gerente institucional da distribuidora, aponta o alcance do trabalho. A recuperação ganha sentido na relação que a população poderá estabelecer com o vagão.

CUIDADO CONTÍNUO

Depois da revitalização, permanece a necessidade de zelo. O carinho que hoje desperta emoção precisa continuar nos pequenos cuidados, na conservação e no respeito de cada pessoa que se aproximar desse patrimônio.

NOVAS LEMBRANÇAS

O velho PP56 ainda pode inspirar conversas, fotografias e descobertas. Entre quem recorda e quem conhece pela primeira vez, existe a oportunidade de criar novas lembranças em torno de uma história compartilhada.

O QUE FICA

Porto Velho reencontra nesse vagão uma parte de sua trajetória e um motivo para olhar com mais carinho para si mesma. Há reencontros assim: chegam de mansinho e devolvem à cidade uma emoção que parecia adormecida.

FRASE A saudade encontra um lugar para sentar quando a cidade cuida dos bancos da própria história.


Fonte: Tribuna Popular