DÚVIDA
Existe uma pergunta que precisa ser feita com coragem em Rondônia: os presidentes, diretores e chefes dos grandes órgãos públicos realmente acompanham como funciona a comunicação institucional com a imprensa e a sociedade ou tudo fica largado nas mãos de setores internos que muitas vezes parecem funcionar no piloto automático?
REALIDADE
Porque a sensação, principalmente em Porto Velho, é de que boa parte das instituições se acostumou a viver fechada dentro de si mesma.
REALIDADE 2
Tribunal de Justiça, Tribunal de Contas, Defensoria Pública, Ministério Público, TRT, MPF e tantos outros órgãos até possuem assessorias, redes sociais bonitas, vídeos institucionais bem editados e fotografias impecáveis.
REALIDADE 3
Mas quando o jornalista precisa de algo básico — uma resposta, um posicionamento, uma confirmação ou simplesmente a informação se haverá retorno — começa uma verdadeira peregrinação burocrática.
OBSERVAÇÃO
E aqui é preciso fazer justiça. Atualmente, poucos setores realmente demonstram agilidade e respeito profissional com a imprensa.
OBSERVAÇÃO 2
A jornalista Marindia Moura, do Ministério Público, a comunicação da Polícia Federal e a comunicação da Prefeitura de Porto Velho estão entre os raros exemplos de rapidez, organização e esforço em atender demandas jornalísticas.
LIMITES
Nem sempre conseguem resolver tudo, obviamente, mas ao menos demonstram compromisso em responder, esclarecer e dar retorno.
HIBERNAÇÃO
Nos demais órgãos, muitas vezes o jornalista fica falando sozinho. Manda mensagem, envia ofício, faz ligação, reforça pedido e o silêncio impera.
Foto: Reprodução / Inteligência Artificial
PASSOU
Em outros casos, a resposta chega quando o assunto já morreu, perdeu relevância ou saiu de pauta.
ILUSÃO
E pior: há instituições que parecem acreditar que publicar um post em rede social substitui o dever de transparência ativa com a imprensa. Não substitui.
RELEVÂNCIA
Rede social corporativa é importante, mas não pode virar esconderijo institucional. Comunicação pública não existe apenas para gerar curtida, vídeo bonito e postagem comemorativa.
RELEVÂNCIA 2
Comunicação pública existe para prestar contas à sociedade, esclarecer fatos, responder questionamentos e permitir acesso à informação. Alguns órgãos parecem ter desaprendido isso.
DIFERENÇA
Existe uma diferença enorme entre propaganda institucional e comunicação pública séria. A primeira vende imagem. A segunda presta serviço.
QUADRADINHO
E hoje, em muitos casos, a impressão é que a preocupação maior está em alimentar Instagram e produzir conteúdo interno enquanto jornalistas esperam respostas básicas sobre temas que interessam diretamente à população.
BURBURINHOS
A consequência disso é perigosa. Quando as instituições deixam espaços vazios de informação, abrem caminho para especulações, versões desencontradas e desgaste desnecessário da própria imagem pública.
VIGILÂNCIA
Talvez esteja faltando aos dirigentes dessas instituições uma fiscalização mais próxima sobre como suas assessorias funcionam no dia a dia.
ENTRAVES
Talvez muitos sequer saibam da dificuldade que jornalistas enfrentam para conseguir respostas simples.
ACOMODAÇÃO
Ou talvez saibam e tenham se acomodado numa cultura onde responder rápido não é tratado como prioridade. Mas deveria ser.
ALIADOS
Porque imprensa séria não é inimiga de instituição pública. Pelo contrário. É ponte entre o órgão e a sociedade.
PERDA
E quando essa ponte é ignorada, quem perde não é apenas o jornalista. Quem perde é a população, que fica sem acesso rápido, transparente e eficiente às informações de interesse público.
FATO
Instituição que só fala quando quer aplauso não pratica transparência. Pratica marketing.
OPINIÃO
Muita gente decretou a morte da televisão, do rádio, do jornal impresso e dos sites de notícia por causa das redes sociais. Erraram feio.
OPINIÃO 2
Os veículos profissionais continuam vivos justamente porque carregam algo que boa parte da internet abandonou há tempos: compromisso com a informação.
OPINIÃO 3
TV, rádio, jornal e portais sérios trabalham com responsabilidade, apuração, checagem e direito de resposta.
OPINIÃO 4
Existe o peso da assinatura, da credibilidade e da consequência jurídica sobre aquilo que é publicado. Não basta simplesmente jogar uma versão ao vento e esperar curtidas.
OPINIÃO 5
Já grande parte das redes sociais virou território da pressa, do achismo e da militância emocional.
OPINIÃO 6
Ali, muitas vezes, não importa a verdade completa, mas apenas a versão que gera engajamento.
OPINIÃO 7
A rede social se transformou em avalista de narrativas únicas, onde quem questiona já é tratado como inimigo.
OPINIÃO 8
Enquanto isso, o jornalismo profissional continua exercendo uma função essencial: ouvir os lados, confrontar informações, investigar e separar fato de boato.
OPINIÃO 9
É exatamente por isso que, em momentos graves, a população ainda corre para a TV, para o rádio, para os jornais e para os sites confiáveis.
OPINIÃO 10
Rede social espalha informação. Jornalismo profissional entrega credibilidade. E credibilidade continua sendo algo que algoritmo nenhum conseguiu substituir.
FRASE
A verdade talvez não agrade todo mundo, mas sempre preserva a dignidade.
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Fonte: News Rondônia