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Coluna ESPAÇO ABERTO – Fátima Cleide, a Polícia Militar e o perigo de transformar generalizações em verdades

5 minutos de leitura

Confira as notícias do dia, por Cícero Moura.

DESCONHECIMENTO A deputada eleita pelo PT afirma que a população tem medo da PM de Rondônia, mas os números revelam uma corporação que realizou 260 mil atendimentos em 2025.

Foto: Redes Sociais / Redação DESCONHECIMENTO 2 Criticar a polícia é legítimo; desqualificar toda uma instituição exige muito mais do que declarações genéricas.

LACRAÇÃO

A deputada estadual eleita Fátima Cleide, do Partido dos Trabalhadores, começou a provocar polêmica antes mesmo de assumir o mandato.

SEM INFORMAÇÃO

Ao afirmar que a população de Rondônia tem muito medo da Polícia Militar e questionar a maneira como a corporação aborda os cidadãos, especialmente os jovens das periferias, a parlamentar entrou em um terreno que exige responsabilidade, equilíbrio e, sobretudo, compromisso com os fatos.

Foto: Reprodução / Redes Sociais  REAÇÃO A declaração, feita durante entrevista a um programa jornalístico exibido na tv e na internet, provocou reações de autoridades e representantes da segurança pública.

REAÇÃO 2

E não é difícil compreender os motivos. Afinal, existe uma diferença gigantesca entre apontar eventuais excessos cometidos por policiais e transmitir a ideia de que uma instituição inteira representa uma ameaça à sociedade.

SUBSÍDIOS

A pergunta que Fátima Cleide precisa responder é simples: onde estão os dados que comprovam que a população de Rondônia tem medo da Polícia Militar?

PESSOAL

Uma percepção pessoal, ainda que manifestada por uma parlamentar eleita, não pode ser apresentada como sentimento coletivo sem o respaldo de pesquisas ou levantamentos confiáveis.

REALIDADE E quando examinamos os números, encontramos uma realidade muito mais complexa do que aquela sugerida pela deputada.

REALIDADE 2

Em 2025, a Polícia Militar de Rondônia registrou aproximadamente 260 mil atendimentos, segundo o relatório anual de resultados operacionais da corporação.

REALIDADE 3

No mesmo período, foram contabilizadas 97.714 pessoas abordadas, 17.921 prisões e 4.960 termos circunstanciados de ocorrência.

Foto: Reprodução / Redes Sociais  REALIDADE 4 São números expressivos para um estado com a população de Rondônia. Estamos falando de uma média superior a 700 atendimentos por dia.

AÇÕES

São policiais chamados para intervir em conflitos, atender vítimas, enfrentar criminosos, proteger famílias e responder às mais diversas situações de emergência.

CONTRADITÓRIO

E aqui cabe uma reflexão: como afirmar categoricamente que a população tem medo da polícia quando essa mesma instituição registra centenas de milhares de atendimentos anualmente?

OBSERVAÇÃO

É evidente que o volume de atendimentos, isoladamente, não comprova confiança popular. Muitas pessoas acionam a polícia por necessidade, independentemente da opinião que tenham sobre ela.

OBSERVAÇÃO 2

Mas esse volume demonstra a presença permanente da instituição na vida da sociedade e torna irresponsável qualquer tentativa de resumir essa relação a um sentimento generalizado de medo.

DETALHE

Há outro aspecto que precisa ser colocado na discussão: a letalidade policial. Durante anos, Rondônia figurou entre os estados brasileiros com menores índices de mortes decorrentes de intervenções policiais.

DOIS ANOS ATRÁS Em 2024, por exemplo, levantamentos nacionais colocavam o estado entre os menos letais do país.

AUMENTOU EM 2025

Entretanto, a análise responsável não pode ignorar uma mudança preocupante. Dados divulgados em 2026 pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que as mortes decorrentes de intervenções policiais passaram de 8, em 2024, para 47, em 2025, segundo a série apresentada no levantamento.

Foto: Reprodução / Redes Sociais  PERCENTUAL A taxa chegou a 2,7 por 100 mil habitantes, colocando Rondônia na sétima posição nacional naquele ano.

ANÁLISE

Esses números merecem investigação, explicações e transparência. Mas é igualmente importante compreender que uma morte decorrente de intervenção policial não significa, automaticamente, execução, abuso ou ação criminosa.

PONTUAL

Cada ocorrência precisa ser examinada individualmente, com respeito à lei, às provas e às circunstâncias em que aconteceu.

RESSALVA

Também seria incorreto afirmar, diante dos dados mais recentes, que Rondônia continua tendo um dos menores índices de letalidade policial do Brasil. É justamente por isso que o debate precisa de seriedade, e não de frases de efeito.

LEGALIDADE

A Polícia Militar não está acima de críticas. Nenhuma instituição pública está. Policiais que ultrapassam os limites legais devem ser investigados e responsabilizados.

LEGALIDADE 2

Abusos não podem ser tolerados, assim como não se pode aceitar que o comportamento de alguns profissionais seja utilizado para condenar milhares de homens e mulheres que cumprem corretamente suas funções.

RISCO DIÁRIO

O policial que sai de casa para enfrentar organizações criminosas, atender ocorrências violentas e proteger pessoas que sequer conhece merece respeito.

NÃO SABE SE VOLTA

Sua família também convive com o medo, especialmente diante da possibilidade de que ele não retorne ao final do expediente. Essa realidade não pode desaparecer do discurso político.

DIREITO 

Fátima Cleide tem todo o direito de defender mudanças nas abordagens policiais, políticas de proteção à juventude e mecanismos mais rigorosos de controle da atividade policial. Aliás, essas discussões são necessárias em qualquer democracia.

SUGERIR

O que não se pode admitir sem questionamento é a transformação de uma percepção em diagnóstico sobre toda a população de Rondônia.

FATO

Se a deputada dispõe de pesquisas que demonstrem que os rondonienses, majoritariamente, têm medo da PM, que apresente os resultados.

FATO 2

Se possui denúncias concretas de abusos, que as encaminhe aos órgãos competentes. Se identifica falhas na formação dos policiais, que proponha medidas legislativas para corrigi-las.

LEGISLAR 

É para isso que existe um mandato parlamentar: apresentar soluções, fiscalizar instituições e cobrar resultados, não apenas produzir declarações de grande repercussão.

CARÊNCIA

A sociedade rondoniense enfrenta problemas reais de segurança pública. O avanço das facções criminosas, a violência urbana, o tráfico de drogas e a vulnerabilidade de comunidades inteiras exigem respostas consistentes do poder público.

NÃO AJUDA 

Enfraquecer a credibilidade de uma instituição sem apresentar elementos suficientes não contribui para enfrentar esses desafios.

SEPARAÇÃO

Da mesma forma, defender a Polícia Militar não significa fechar os olhos para eventuais excessos. Significa reconhecer sua importância, cobrar aperfeiçoamento e separar o trabalho legítimo dos agentes de possíveis desvios individuais.

MANDATO 

Fátima Cleide terá quatro anos para demonstrar que suas preocupações com a segurança pública podem se transformar em propostas concretas.

MANDATO 2

Seria muito mais produtivo começar esse trabalho apresentando diagnósticos verificáveis e soluções para os problemas que pretende combater.

DESNECESSÁRIO 

Rondônia não precisa de uma guerra de discursos entre políticos e policiais. Precisa de segurança, respeito à legalidade, valorização profissional e instituições que funcionem.

RESPONSABILIDADES 

A Polícia Militar deve prestar contas à sociedade. Mas quem faz acusações generalizadas contra ela também precisa prestar contas das próprias palavras. E esse compromisso vale para qualquer parlamentar, independentemente do partido.

FRASE 

Criticar a polícia é um direito. Generalizar acusações sem demonstrar sua dimensão é uma irresponsabilidade. Segurança pública se discute com fatos, não com preconceitos ou conveniências políticas.


Fonte: Tribuna Popular