Confira as notícias do dia, por Cícero Moura.
NEGLIGÊNCIA
O caso do paciente do Hospital de Base que denunciou ao Ministério Público ter tido três cirurgias frustradas por falta de um equipamento não é apenas mais uma notícia triste.
Foto: Reprodução / Redes Sociais
NEGLIGÊNCIA 2
É o retrato cruel de um sistema de saúde que, há muito tempo, deixou de falhar por exceção e passou a falhar por rotina.
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DEZENAS
A indignação não deve ser apenas pelo drama vivido por esse paciente. Ela precisa se estender aos incontáveis rondonienses que sequer conseguem transformar seu sofrimento em manchete.
DECEPÇÃO
Todos os dias, pessoas aguardam exames, cirurgias e procedimentos que são adiados porque falta um aparelho, um medicamento, um insumo ou simplesmente organização.
DETALHE
Quando uma cirurgia é cancelada, não é apenas um procedimento que deixa de acontecer.
ROTINA
É uma pessoa que continua convivendo com dor, ansiedade e incerteza. É uma família inteira que reorganiza a vida para acompanhar uma internação, enfrenta despesas, perde dias de trabalho e, no fim, volta para casa sem resposta.
DESOLAÇÃO
O mais grave é que a justificativa apresentada — falta de equipamento — escancara um problema inadmissível.
TRIVIAL
Não estamos falando de uma tecnologia revolucionária ou de um tratamento experimental. Estamos falando do básico.
TRIVIAL 2
Da estrutura mínima que um hospital de referência precisa oferecer para cumprir sua missão.
SEM EXPLICAÇÃO
O episódio também desmonta qualquer discurso oficial de que os problemas são pontuais. Não são.
CONSTATAÇÃO
O próprio Tribunal de Contas do Estado já identificou falta de materiais, medicamentos e equipamentos essenciais em hospitais estaduais, incluindo o Hospital de Base, apontando riscos à continuidade do atendimento e à segurança dos pacientes.
Foto: Reprodução / Redes Sociais
PROMESSAS
Enquanto isso, autoridades anunciam novos hospitais, novas obras e novos investimentos.
PROMESSAS 2
Aliás, a saúde é o cabo eleitoral preferido de todos os pré-candidatos ao Governo, Senado Federal, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa.
OBSERVAÇÃO
Novos hospitais são importantes sim, mas de que adianta construir prédios se dentro deles faltam os equipamentos e insumos necessários para salvar vidas?
OBSERVAÇÃO 2
Hospital não funciona com concreto. Funciona com gestão, planejamento e abastecimento permanente.
CONTRAPARTIDA
A população paga impostos esperando encontrar atendimento quando mais precisa.
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SURPRESA
Não espera descobrir, já deitada em uma maca, que sua cirurgia dependerá da chegada de um equipamento que não existe ou não funciona.
OPINIÃO
O paciente que denunciou sua situação teve coragem de expor o problema. Mas quantos outros permanecem em silêncio, resignados, acreditando que reclamar não muda nada?
OPINIÃO 2
Quantas cirurgias deixam de acontecer sem repercussão? Quantos diagnósticos se agravam enquanto o sistema empurra o cidadão para o dia seguinte?
OPINIÃO 3
Na saúde pública, cada atraso pode significar sequelas irreversíveis. Cada equipamento indisponível pode representar uma vida colocada em risco.
OPINIÃO 4
E cada cancelamento por falta do básico revela que o problema deixou de ser administrativo para se tornar moral.
OPINIÃO 5
Uma sociedade pode até compreender a escassez diante de uma tragédia inesperada. O que ela não pode aceitar é a repetição da negligência como método de gestão.
OPINIÃO 6
A saúde pública de Rondônia não precisa apenas de novos anúncios. Precisa de respeito ao cidadão.
OPINIÃO 7
Porque quem procura um hospital já chega carregando dor suficiente. Não deveria ser obrigado a enfrentar também a humilhação de descobrir que o Estado falhou justamente onde não tinha o direito de falhar.
FRASE
Garantir medicamentos, exames e tratamentos essenciais é parte do mínimo existencial em saúde que o poder público não pode negar.
Fonte: Tribuna Popular