Se Liga Rondônia
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COLUNA DO XAVIER – CACOAL: O CALENDÁRIO ELEITORAL, AS RENÚNCIAS E OS DEVANEIOS…

A próxima semana será marcada por diversos fatos novos no universo político de Rondônia. Isto porque o dia 4 de abril representa o fim da janela partidária, o prazo limite para renúncias de prefeitos, secretários municipais e estaduais, demais cargos que exigem o cumprimento de 6 meses para participar das eleições, os atos que vão acomodar cabos eleitorais e as definições de alianças administrativas nos municípios e na estrutura estadual. Entre as possibilidades de renúncias, está a situação do governador do estado, que já declarou diversas vezes que não será candidato, mas sofre muitas pressões internas e externas. A partir da próxima sexta-feira, saberemos se o coronel fica no cargo ou cede às pressões. Depois de tudo que o governador declarou sobre ficar ou não no mandato, a renúncia dele, daqui a sete ou oito dias, pode causar mudanças profundas nas discussões políticas em Rondônia, assim como sua permanência pode ser a pá de cal em diversos projetos pessoais que envolvem parentes do mandatário e o próprio vice-governador, considerado atualmente, pelo coronel, como um grande traidor. O eleitor mais apaixonado viverá, nos próximos dias, um turbilhão de emoções…
No cenário municipal de Cacoal, a previsão é que haja a renúncia do prefeito Adailton Ferreira e sua esposa. Ele é pré-candidato à sucessão de Marcos Rocha; ela é pré-candidata a deputada. No caso do prefeito, parece não haver muitas indefinições, mesmo porque ele foi escolhido como o candidato dos sonhos, ou devaneios, de Marcos Rocha. Claro que o prefeito espera herdar o apoio da máquina administrativa do estado, o que é o sonho de todas as pessoas que pensam em disputar a eleição de governador. Como Sérgio Gonçalves não teve competência para lidar com a situação, ficou sem condições de ser o candidato a sucessor do coronel e, ainda que consiga participar da disputa pelo governo, dificilmente terá as condições ideais para isto, considerando que, sem a máquina estatal, ele é tão anônimo quanto qualquer outro rondoniense. Com relação à esposa do prefeito de Cacoal, ela tem o nome cogitado para disputar uma cadeira no Congresso Nacional. O grupo do prefeito considera que ela já está eleita, mas não há como garantir esta situação, porque “falta combinar com os russos”, como teria dito Garrincha, em 1958. Neste caso, os russos são todos os demais nomes que, eventualmente, venham a fazer parte da lista de candidatos que desejam a mesma coisa. Os russos também podem ser representados pelos eleitores que vão às urnas em outubro…
Em toda campanha estadual, a pessoa que lidera uma aliança precisa tomar muito cuidado para não ferir interesses de outros candidatos do grupo, porque isso pode gerar o abandono de campanha. Caso o prefeito de Cacoal resolva priorizar a campanha de sua esposa, ou de outro aliado, em detrimento de outros nomes do grupo, a situação pode gerar grandes conflitos e perdas de apoio, como já vimos muitas vezes em Rondônia, inclusive nas eleições de 2018, quando Maurão de Carvalho perdeu a vaga no segundo turno por mais ou menos 15 mil votos. Na época, ele decidiu priorizar a campanha de apenas uma candidata, que era funcionária de seu gabinete. Resultado: todos os demais candidatos a deputados estaduais abandonaram o palanque. O candidato que lidera uma aliança precisa estar sempre muito atento a esses fenômenos. Aliás, a vaidade de pessoas próximas ao prefeito de Cacoal, ou mesmo o ego, inveja e outros sentimentos que uma campanha não aguenta podem complicar muito uma eleição de governador. Nestes casos, os sonhos de muita gente podem ir água abaixo nos rios de Rondônia. Caso aconteça, nas eleições deste ano, não seria nenhuma novidade, principalmente porque o cenário aponta para um processo eleitoral bem turbulento. Quem é candidato a alguma coisa precisa renunciar a vaidades, egos, beicinhos e atuar coletivamente, sob pena de ficar a ver navios…
E, nesse processo de sonhos e renúncias, o único pré-candidato que não vai encontrar problemas é Hildon Chaves, porque não ocupa nenhum cargo que implique tantos problemas. O fato de ser presidente da AROM não deve causar complicações para seus projetos. Com relação ao vice de seus sonhos, caso realmente aceite a missão, Cirone Deiró não precisa renunciar ao mandato e deixaria para trás apenas o sonho de reeleição. Entretanto, ganharia a possibilidade de virar vice-governador, porque uma dupla envolvendo seu nome e Hildon Chaves é, sem dúvida, muito competitiva. Não dá para cravar futuros vencedores, porque isto é coisa de institutos de pesquisas que cabem numa pasta. Todavia negar o poderio desse grupo seria pura tolice. Aliás, uma provável dupla Hidon/Cirone pode tornar os sonhos do senador Marcos Rogério um grande pesadelo, embora sua vaidade não permita acreditar nesta realidade. O fato é que a pré-candidatura do ex-prefeito de Porto-Velho cria um clima de equilíbrio na disputa pelo governo estadual. Neste cenário, o próprio Hildon, Marcos Rogério, Expedito Neto e Adailton Fúria passam a viver um clima de igualdade, porque a divisão de forças se torna bem equilibrada. Todo mundo pode sonhar, até a apuração dos votos, com uma vaga no segundo turno…
Quanto às eleições proporcionais, o péssimo desempenho da bancada federal, principalmente na Câmara dos Deputados, alimenta os devaneios de todos os nomes que se apresentam como novos, ou mesmo aqueles que buscam um espaço para voltar ao cenário. O eleitor rondoniense pode não querer sonhar com tantas reeleições e promover um pesadelo nas urnas, o que não seria nenhuma injustiça, pela evidente falta de representatividade que os rondonienses vivem hoje. Nos palanques de reeleição, a bancada de Rondônia pode até tentar se esconder, mas será vista em todos os pontos de pedágios do estado, pedágios instalados com a total omissão de uma bancada que abandonou os mandatos para se dedicar à ideologia da lacração barata. Diante de tal panorama, resta saber se o eleitor vai renunciar aos péssimos mandatários ou se vai embarcar outra vez nas quimeras da omissão e descaso… Tenho dito!!!
FRANCISCO XAVIER GOMES
Professor, Jornalista e Advogado

 
 
 
 


Fonte: Tribuna Popular

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