Por Francisco Xavier Gomes
CACOAL: AS CANDIDATURAS, AS ESPECULAÇÕES E OS ANALISTAS…
O processo eleitoral de 2026, no estado de Rondônia, começa a ganhar contornos que podem causar grande frisson, até o fechamento da janela eleitoral. Mesmo os políticos que não estão vinculados diretamente às normas da mudança de partido, sem risco de perda de mandato, ou aqueles que estão sujeitos aos prazos de renúncia para a disputa, preferem esperar um pouco mais, já que o período vai até 4 de abril. O panorama é de muita movimentação nos bastidores, promessas, compromissos, ofertas e pedidos que só existem nos contos de fadas, e na política, porque não há novidades nesse universo. Com a proximidade das definições, os nomes que, até outro dia, pareciam já eleitos começam a enfrentar o mundo real, e o surgimento de novas conjunturas evidencia que o tabuleiro eleitoral em nosso estado será bem mais acirrado do que imaginam alguns neófitos do crudelíssimo mundo real das eleições. O anúncio da filiação do ex-prefeito Hidon Chaves à federação União/PP, juntamente com as naturais especulações que o fato trouxe à baila, consolidam as indefinições e apresentam um nome até poucos dias descartado da disputa pelos analistas mais apressados, mas com grande potencial para colocar água no chope de muita gente…
Até este momento, os nomes mais comentados como eventuais candidatos à sucessão do governador Marcos Rocha são, o senador Marcos Rogério; o ex-deputado Expedito Neto; o prefeito de Vilhena, Flori Cordeiro; o deputado estadual Rodrigo Camargo; o prefeito de Cacoal, Adailton Antunes; e o ex-prefeito de Porto-Velho, Hildon Chaves. A ordem de citação não tem nenhum critério de preferência e apenas obedece aos critérios de rascunhos de anotações do escriba, razão pela qual não há necessidade de beicinho por nenhum deles ou seus simpatizantes. Além disso, a não citação de outros nomes não significa que, ao fim das discussões, serão apenas esses, como também não significa que todos os citados serão confirmados por suas siglas. Outros nomes podem surgir até agosto, e seria perfeitamente natural. Com relação a eventuais nomes para compor as chapas, isto também não está consolidado, mesmo porque as discussões nesse sentido vão avaliar critérios que nem sabemos quais serão os limites. Existe ate mesmo a possibilidade de junção de grupos que giram em torno desses nomes, ou mesmo de cisão no meio do debate eleitoral. Mas Hildon Chaves anunciou como provável companheiro de chapa o deputado Cirone Deiró, o que coloca um tempero muito diferente nas discussões, em função do domicílio do deputado, que é Cacoal, mesmo município de domicílio de Adailton Antunes.
Recentemente filiado à federação União/PP, o ex-prefeito de Porto-Velho, é detentor de um currículo sobre o qual o eleitor consciente dificilmente vai apresentar muitas restrições. Hildon Chaves governou a capital do estado; tem larga experiência na atividade privada; exerceu, por muitos anos, o cargo de promotor de justiça; e não existe nenhuma informação em sua ficha que possa desabonar sua história. Assim, é um nome que, no mínimo, vai contar o obrigatório respeito de eventuais adversários, mesmo que eles não tenham nenhuma intenção de elogiá-lo. As realizações da gestão de 8 anos do Hildon Chaves à frente da Prefeitura de Porto-Velho o colocam na lista dos maiores gestores que nossa capital já teve, depois de Chiquilito Erse. Como morou em outros municípios, certamente possui amizades sólidas no interior do estado, o que facilita o trabalho de buscar aliados. Caso o deputado Cirone Deiró seja mesmo confirmado como vice, e considerando o patamar financeiro da federação União/PP, será uma dupla com enorme potencial de buscar a vaga que todo mundo sonha num provável segundo turno de uma eleição que tende a ser bem acirrada no primeiro turno. Soma-se a isso o grande potencial de votos obtidos pelo União Brasil, nas eleições de 2022, com diversos nomes figurando entre os campeões de votos do estado, entre eles, o próprio Cirone Deiró e a deputada Yeda Chaves, esposa de Hildon, e que certamente está entre os nomes com grande chance de conquistar a reeleição. Ninguém pode negar, ainda, que Sílvia Cristina, pré-candidata ao Senado Federal do grupo, tem a preferência de um número muito grande de eleitores. Um palanque com esse perfil jamais poderia ser ignorado por quem conhece a política em Rondônia…
Agora, um detalhe precisa ser bem avaliado: Será que Cirone Deiró vai mesmo aceitar compor a chapa de Hildon? Se a resposta for sim, e isto saberemos somente em agosto, muita gente que hoje cogita subir no palanque do prefeito de Cacoal, poderia mudar de lado, porque Cirone Deiró tem nome de peso, tem votos em todos os municípios e possui estreita ligação com o mundo empresarial de Cacoal e muitos outros municípios. A confirmação do deputado numa chapa com Hildon Chaves pode transformar em pesadelo o sonho de muitos pretendentes ao Palácio Rio Madeira. Cirone é muito bem articulado, tem excelentes serviços prestados, como deputado, e sabe muito bem como funcionam os bastidores políticos. Hildon Chaves conhece o mundo da iniciativa privada, conhece o serviço público muito mais do que seus eventuais concorrentes e possui um discurso muito afinado. O cenário construído essa semana pode até não abalar os analistas mais apaixonados, mas eles terão que rever suas contas, porque as especulações feitas até hoje perderam totalmente o espaço para o que pode ocorrer de concreto a partir de agora. A outra opção dos analistas é seguir sonhando com um mar colorido de ilusões… Tenho dito!!!
FRANCISCO XAVIER GOMES – Professor, Jornalista e Advogado
Fonte: Tribuna Popular

