Por Francisco Xavier Gomes
CACOAL: A EDUCAÇÃO, A CASA CIVIL E O BODE NA SALA…
A decisão do governador Marcos Rocha de permanecer no cargo, até o fim do mandato, resolveu um grande problema de Rondônia, porque ele era cogitado para ser candidato ao Senado Federal e certamente teria boas chances de vitória, porque o eleitor de nosso estado não costuma ter nenhuma preocupação técnica, na hora de votar. Entretanto, essa permanência vai custar muito caro ao contribuinte rondoniense, porque Marcos Rocha resolveu usar a caneta do cargo para brincar de governar e tentar fazer da instituição Governo de Rondônia o palanque de seu pré-candidato, no processo sucessório. Com isso, ele decidiu nomear uma série de pessoas ligadas ao pré-candidato escolhido por ele em setores importantes da administração estadual, sem levar em conta nenhum critério que tenha vestígio de escolha técnica, especialmente na educação. O contribuinte rondoniense não pode assistir passivamente a esse festival de distribuição de sinecuras que possui claramente um condão de cunho particular e nada tem a ver com a obrigação do poder público de oferecer serviços de qualidade aos rondonienses. O curioso nisso tudo, para ser eufemista, é que as autoridades que possuem a obrigação de fiscalização fingem não perceber esses fatos. A tendência é que a estrutura governamental seja transformada no samba-do-crioulo-doido, nesses meses finais, enquanto Marcos Rocha faz turismo do outro lado do Atlântico…
Entre as barbeiragens administrativas do governador, está a nomeação de uma prima do ex-prefeito de Cacoal num CDS – 14, para dar expediente na Superintendência Regional de Ensino de Cacoal. Isso é um verdadeiro absurdo pedagógico, e cabe somente na cabeça de cabo eleitoral do governador. Conforme consta no Diário Oficial de Rondônia, Márcia Antunes de Oliveira foi nomeada para um cargo da Casa Civil do estado, mas comparece para cumprir horário num órgão da educação. Não dá para entender esse tipo de coisa, porque as nomeações da Casa Civil possuem clara incumbência de fazer política; não de exercer cargos no setor de educação, porque essa é uma pasta técnica. É evidente que não se trata de querer impedir que Marcos Rocha possa nomear seus amigos ou cabos eleitorais na estrutura do governo, mesmo porque é dele o direito de nomear. Entretanto, é necessário que se tenha o mínimo de critério, para evitar que a educação vire chacota, como quer fazer parecer a nomeação epigrafada. As pessoas lotadas na Casa Civil têm atribuições políticas e até de cerimonial, mas isto não tem relação com o trabalho que é feito nas escolas ou superintendências regionais. E não se trata de nenhum problema pessoal, mas a incoerência é colossal, principalmente com a nomeação de pessoas que sequer possuem vínculo efetivo na educação estadual. O critério usado pelo governador foi apenas o grau de parentesco que sua protegida tem com o candidato escolhido por ele no pleito. Isso é pouco, para não dizer perdulário…
O governador de Rondônia deveria tirar um tempo para ler o Art. 93 da Lei Complementar 965/2017, que trata especificamente das atribuições da Casa Civil. Todavia, o chefe do executivo estadual ignora a legislação que deveria cumprir e atua apenas para abrigar seus aliados partidários em setores que deveriam ser tratados com um pouco mais de primor. Pouco tempo atrás, logo depois da greve ocorrida em 2025, Marcos Rocha nomeou na Casa Civil a ex-secretária Ana Pacini, que não teve capacidade para gerenciar a educação do estado. Neste caso, nenhum problema, porque ela não está em nenhuma escola. Que seja feliz com seu CDS na Casa Civil!! No caso da senhora Márcia Antunes, que não é servidora estadual, ela exercia, até o início do mês, o cargo de secretária de educação em Cacoal, mas não entregou aos cacoalenses aquilo que deveria. Durante sua gestão, não se viu nenhum avanço e os problemas na educação municipal até aumentaram, porque os índices de qualidade, medidos pelas avaliações externas, caíram de maneira alarmante. No mesmo período, as escolas da rede estadual tiveram resultados muito positivos, e isto aconteceu exatamente porque há pessoas comprometidas em todas as escolas estaduais de Cacoal e também na Superintendência. Não existe nenhuma necessidade de lotar na Superintendência Regional de Cacoal uma pessoa que não conhece a estrutura e não tem sequer vínculo com o estado. Particularmente, pode ser até bonitinho tentar agradar cabos eleitorais ou parentes de candidatos na estrutura do estado, mas o governador deveria adotar critérios mais científicos.
A pergunta que muitos profissionais da educação estadual de Cacoal fazem hoje é: por que nomear a prima do ex-prefeito na Casa Civil e lotar na Superintendência Regional de Ensino? Será que na estrutura da Casa Civil não dá para abrigar esses cabos eleitorais de Marcos Rocha? Será que não tem pessoas qualificadas dentro da Superintendência de Cacoal para conduzir as ações? É óbvio que tem!! E são muitas!! Além disso, a lotação de parentes do ex-prefeito de Cacoal em lugares como este não vai ajudar em absolutamente nada. O máximo que pode acontecer é o pré-candidato de Marcos Rocha perder o apoio de centenas de professores estaduais de Cacoal, por causa dessa lambança. O setor de educação é uma coisa séria e precisa ser respeitado pelo governador. É inaceitável tentar montar palanque eleitoral, usando a estrutura de um setor como a educação, porque isso gera insatisfação e não contribui em nada com a campanha que Marcos Rocha pretende fazer, e muito menos com a qualidade da educação.
Finalmente, é necessário deixar claro que este escriba não possui nenhum problema pessoal com os amigos do governador nomeados na Casa Civil, mas esse tipo de situação configura um verdadeiro acinte. A prima do ex-prefeito pode ser gente muito boa, e deve ser, mas deveria ser lotada, para fazer campanha eleitoral na Casa Civil. Ele será apenas um “bode na sala”, lotada na Superintendência Regional de Ensino de Cacoal… Tenho dito!!!
FRANCISCO XAVIER GOMES – Professor, Jornalista e Advogado
Fonte: Tribuna Popular