Se Liga Rondônia
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COLUNA BOCA MALDITA – NOTÍCIAS FALSAS

 
NOVO DEBATE ELEITORAL
 
No dia 18 de setembro, um novo debate entre os candidatos que disputam o governo de Rondônia será realizado. O evento envolve uma parceria entre o jornal eletrônico Rondoniaovivo e o Complexo da EFMM. Alguns outros debates já aconteceram depois que os partidos solicitaram o registro de candidaturas, mas, até o momento, os candidatos parecem não ter apresentado propostas que convençam os eleitores, porque o clima ainda é de muita indefinição. Algumas pesquisas foram divulgadas no estado, mas é necessário esclarecer que as pesquisas são utilizadas para retratar o momento, mas não servem para diagnosticar fatos futuros. Além disso, diversas dessas pesquisas foram contestadas por partidos políticos, por candidatos insatisfeitos e por muitos analistas políticos, em função de dados que são apresentados, mas que são considerados inconsistentes. Os debates têm como principal finalidade levar aos eleitores as ideias, propostas e projetos dos candidatos. O problema é que, dentro dos estúdios, diversos candidatos esquecem seus projetos e ideias e passam a proferir ataques pessoais contra seus adversários. Esse tipo de conduta não serve para convencer eleitores, porquê gera confusão e cria um clima de tensão e ódio, alimentando ainda mais os conflitos que já acontece no país há vários anos. Os organizadores de debates têm se esforçado para realizar os debates num formato que possa garantir a harmonia e urbanidade entre os candidatos, mas, até agora, o esforço dos organizadores não surtiu o efeito desejado.
PALANQUE EM CONFLITO
O ex-prefeito de Cacoal e atualmente candidato ao governo, Adailton Fúria, resolveu demitir o marqueteiro de campanha. Fúria estaria insatisfeito com o trabalho do marqueteiro e decidiu as ações da campanha voltadas para a imagem que ele pretende levar ao eleitor serão conduzidas pelo próprio candidato. A decisão do candidato do PSD pode encontrar alguns obstáculos, porque é muito difícil fazer campanha, pedir votos, visitar os municípios e traçar estratégias de campanha. Nos bastidores políticos do estado também circulam informações no sentido de que diversos candidatos a deputados estaduais, federais e até o candidato da sigla ao Senado Federal estariam muito irritados com a forma adotada por Adailton Fúria na condução da campanha. Entre os candidatos que lutam por uma vaga na Câmara Federal, a insatisfação seria maior, porque a esposa de Adailton Fúria é candidata a deputada federal e, segundo avaliam os demais candidatos, ela estaria recebendo a atenção do candidato a governador, enquanto os demais foram abandonados. Como ainda faltam mais de 20 dias para as eleições, não está descartado um racha maior dentro do PSD de Rondônia. Esse tipo de situação poderia ser amenizado, caso houvesse um trabalho desenvolvido por um marqueteiro, mas a demissão do profissional indica que a situação caminha para que os ânimos fiquem ainda mais acirrados. Aqui em Rondônia, já aconteceram diversas situações semelhantes que acabaram gerando resultados muito negativos nas urnas para todos os envolvidos.
ELEIÇÕES HISTÓRICAS
O problema de brigas internas dentro de grupos políticos em Rondônia não é nenhuma novidade e algumas vítimas dessas brigas são bem conhecidas. Nas eleições de 2002, o então presidente da Assembleia Legislativa, Natanael Silva, fazia juras de amor ao ex-governador José Bianco, candidato à reeleição naquele momento. Na última hora, Natanael resolveu rachar com Bianco e apresentou seu nome como candidato ao governo. Todas as pesquisas indicavam uma vitória de Natanael Silva, mas ele ficou entre os últimos colocados, porque foi punido pelas traições dentro do seu grupo. Em 2018, a vítima foi o ex-deputado Maurão de Carvalho. Naquele ano, ele formou um palanque muito forte, mas os candidatos que disputavam a eleição para deputado se consideraram abandonados por Maurão, que era o candidato a governador. Resultado: ele ficou na terceira colocação e por cerca de 12 ou 15 mil votos não garantiu a vaga no segundo turno da disputa. A situação poderia ter sido diferente, caso todos os candidatos tivessem sido tratados com a igualdade que desejavam. Quando um candidato ao governo deixa seus candidatos na rua da amargura, isso pode ter fortes consequências na luta pela vaga no segundo turno. Os rumores de um racha dentro do grupo político que hoje está no palanque de Adailton fúria são fortes e já tem candidato falando em desistir da disputa. Caso se configure mesmo o conflito, Furia pode entrar para a lista dos candidatos ao governo que perdem o controle de seu grupo e se tornam vítimas da falta de votos no momento final da disputa. Se isto vier a ocorrer, não será nenhuma novidade no folclore político de Rondônia.
NOTÍCIAS FALSAS
Um dos motivos da demissão do marqueteiro da campanha de Adailton Fúria, segundo fontes ligadas ao candidato, teria sido em razão de uma informação divulgada pelo candidato em um debate de TV e que foi desmentida com muita facilidade pelos opositores. Fúria declarou que o senador Marcos Rogério, seu concorrente na disputa, teria destinado cerca de 14 milhões de reais para a construção de um museu em Brasília. Logo após o encerramento do debate, um grupo de vários congressistas ligados ao senador do PL divulgaram nota informando que o fato não aconteceu e que Marcos Rogério teria destinado apenas 400 mil para o projeto na Capital Federal. Nos próximos debates, Adailton Fúria certamente vai tomar mais cuidado, antes de fazer acusações pesadas contra seus adversários, porque causa desconfiança no eleitor e também causa uma situação de muito desconforto. Certamente não é fácil para alguém que disputa o governo do estado ser pego de saia justa, ao divulgar informações falsas sobre seus adversários. Quando disputou as eleições de 2024, para a Prefeitura de Cacoal, Fúria praticamente não tinha adversários e por isso teve uma votação que atingiu um percentual acima de 80% dos votos válidos. Porém, a campanha para o governo do estado colocou no caminho do ex-prefeito vários adversários de peso e que enfrentam com muita determinação as informações distorcidas. A situação é muito diferente e exige estratégias mais eficazes.
MULTAS ELEITORAIS
Desde o começo da pré-campanha, até este momento, o ex-prefeito de Cacoal, Adailton Fúria, já foi multado algumas vezes pela Justiça Eleitoral de Rondônia. Em um dos casos, a organização da campanha não cumpriu as normas eleitorais e manteve diversos materiais de propaganda política no local da convenção do PSD, o que não é permitido pela legislação, já que as propagandas estavam expostas ao público que trafegava pela região do local da convenção. Agora, mais recentemente, nova multa foi aplicada e ele, porque teria feito a divulgação de dados de pesquisas, sem cumprir as normas previstas pela legislação eleitoral. Os candidatos não podem divulgar dados de pesquisas de institutos diferentes com a finalidade de mostrar evolução nas intenções de votos e a regra das eleições sobre pesquisas é muito específica. Os coordenadores da campanha de Adailton Fúria precisam observar, com muito cuidado, as normais eleitorais, porque a Justiça Eleitoral tem atuado de maneira muito efetiva e trabalha para evitar o descumprimento da legislação. Claro que a campanha deve ter bons juristas, mas nem tudo tem sido cumprido e podem ocorrer novas multas, caso haja novas infrações. E o candidato do PSD não é o único que tem recebido penalidades da Justiça eleitoral. Diversos outros candidatos têm sido notificados e alguns foram multados em razão de propaganda ilegal ou de outros fatores. A legislação eleitoral prevê punições para inúmeras condutas consideradas ilegais e existem situações que podem até mesmo comprometer o registro de candidatura dos candidatos. Por isso, o melhor é ficar bem atento e evitar as infrações.
GREVE NA EDUCAÇÃO
O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cacoal (SINSEMUC) anunciou, nesta quinta-feira, que o movimento de greve iniciado no começo da semana foi interrompido. Em um vídeo divulgado nas páginas do sindicato, o presidente da entidade, Fernando Neves, informou que houve uma decisão judicial colocando fim ao movimento de greve, já que o município de Cacoal, através do setor jurídico, havia acionado o Poder Judiciário com a finalidade de obter uma decisão que colocasse fim à greve. Os trabalhadores da educação municipal em Cacoal lutam, desde o início da gestão do prefeito Tony Pablo com o objetivo de que o município pague aos professores os percentuais do ajuste anual do Piso Nacional da Educação, que foi de 5,4% para este ano. Por sua vez, o prefeito do município alega que não existe em Cacoal nenhum professor que receba valores inferiores ao piso salarial, razão pela qual o município não faria o ajuste. A decisão do prefeito causou profunda indignação na categoria e o clima de conflito certamente não será encerrado com a decisão judicial que encerrou a greve, porque o desgaste político é inevitável. Fernando Neves informou aos trabalhadores que o SINSEMUC vai cumprir a decisão judicial, mas que vai seguir lutando para que os direitos dos trabalhadores sejam garantidos. Segundo ele, caso a situação não seja solucionada até o fim do mês de outubro, novas ações do sindicato estão previstas com a finalidade de exigir da administração municipal o cumprimento da legislação que trata do piso salarial da educação.
EZEQUIEL NEIVA
O deputado estadual Ezequiel Neiva sofreu uma dura derrota, esta semana, no Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia. Candidato a deputado federal pelo PL, ele teve o pedido de registro de candidatura negado pela corte eleitoral por unanimidade, por causa de uma condenação por improbidade administrativa, em um processo relacionado com o período em que Neiva era diretor do DER no estado. Poucos dias atrás, ainda no período de pré-campanha, a ação foi jugada por um colegiado do Tribunal de Justiça do estado e a condenação que havia sido proferida em primeiro grau foi mantida. A legislação eleitoral prevê que pessoas que possuem condenação em órgão colegiado ficam inelegíveis, quando as causas da condenação estão incluídas na Lei da Ficha Limpa, caso de Ezequiel Neiva. O Ministério Público Eleitoral pediu o indeferimento do registro de candidatura do deputado sob a alegação de que a conduta praticada por Ezequiel Neiva, quando estava no comando do DER causou dano ao erário, fato que configura, na análise do MPE, improbidade dolosa. A decisão do TRE/RO é passível de recurso e certamente os advogados do deputado vão agir para tentar reverter a situação. Não é possível afirmar se Ezequiel Neiva obterá uma decisão favorável nas instâncias superiores da Justiça Eleitoral, como também não é possível garantir que ele ficará de fora da disputa definitivamente. Caso o deputado fique mesmo fora da disputa, o PL ainda poderá substitui-lo, mas Neiva é considerado por muita gente como um candidato com potencial para muitos votos, o que geraria um grande desfalque nas contas da sigla.
ELEIÇÕES NO SINTERO
Está marcada para o dia 1º de outubro a eleição para a Diretoria Executiva do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadores em Educação de Rondônia (SINTERO). As eleições também valem para as 11 diretorias regionais do sindicato e três chapas estão na disputa. Como já ocorre há mais de 30 anos, os atuais dirigentes do SINTERO apresentaram uma chapa e pretendem permanecer no comando da entidade. Mas a situação de desgaste e falta de credibilidade pode ser um fator determinante, já que as demais chapas estão em campanha e pregam a renovação dentro do SINTERO. Entre os fatores que causam muita irritação nos mais de 20 mil filiados da entidade, está a greve ocorrida em agosto de 2025, quando os atuais dirigentes do sindicato resolveram encerrar a greve numa reunião ocorrida dentro do Tribunal de Justiça e sem ouvir os filiados. Não foi a primeira vez que a categoria se sentiu enganada pela cúpula do sindicato e isto pode ser um dos principais motivos da rejeição da atual diretoria nas eleições deste ano. Na prática, o Sintero é comandado, há muitos anos, por um grupo de cinco ou seis pessoas que se revezam nos cargos e colocam inúmeras dificuldades para impedir que outras lideranças assumam o sindicato da educação. A curiosidade, neste caso, e entender por que tantos filiados que conhecem a situação do SINTERO ainda votam nas pessoas que se mantêm no poder há décadas. Uma categoria formada com pessoas da educação tem o dever de saber fazer boas escolhas, mas infelizmente não é isso que tem acontecido nas eleições da entidade.
JURISTAS DO ACASO
A grave crise instalada em Brasília, por causa da citação de dezenas de autoridades, entre elas 5 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) passou a repercutir também nas redes sociais em Rondônia. Dezenas de pessoas sem nenhuma formação jurídica usam suas redes para fazer todo tipo de julgamento e decretar as sentenças das pessoas citadas. Em geral, as pessoas que omitem as opiniões nas redes sociais são pessoas que não concluíram sequer o ensino médio, mas se declaram grandes conhecedores do direito e até fazem uma seleção de eventuais crimes que teriam sido praticados pelos políticos citados e pelos ministros da Suprema Corte do Brasil. A situação, porém, não é tão simples assim e muitas acusações não passam de puro devaneio dos acusadores, porque até mesmo profissionais do direito estão cautelosos nas opiniões que emitem. Até este momento, o que existe, na prática, são manifestações de jornalistas sobre os fatos, mas sem a apresentação de provas robustas que possam indicar de verdade eventuais condutas ilícitas das pessoas citadas nos escândalos. É claro que os fatos divulgados exigem uma investigação profunda, por parte das autoridades com as devidas atribuições de investigar fatos de tamanha gravidade. Assim, para que se faça a justiça, se é que isto será possível, é necessário que a investigação seja completa, sem que nenhuma pessoa citada seja protegida. Muitos dos valores divulgados nas manchetes de grandes jornais envolvem recursos públicos, que teriam sido desviados no tal esquema do Banco Master. Apenas com informações superficiais, é muito difícil afirmar que realmente está envolvido e qual o grau de envolvimento, mas as investigações precisam acontecer com muito rigor.


Fonte: Tribuna Popular

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