ELEIÇÕES 2026
O clima da campanha eleitoral deste ano começa a ficar mais tenso. No cenário da disputa pelo cargo de governador, a situação passou a ser mais equilibrada, após a divulgação de cinco ou seis nomes de pré-candidatos à sucessão do governador Marcos Rocha. No início do ano, apenas dois nomes eram citados com mais ênfase, o ex-prefeito de Cacoal, Adailton Fúria, e o senador Marcos Rogério. Após o período de fechamento da janela eleitoral e do encerramento do prazo de seis meses para a desincompatibilização, o quadro ficou mais amplo e definido. Até este momento, foram apresentados, além dos dois já citados, o advogado Luiz Teodoro (PSOL); o advogado Samuel Costa (PSB); o ex-prefeito de Porto-velho, Hildon Chaves (UNIÂO/PP); e o ex-deputado Expedito Neto (PT). Como os partidos não são obrigados a anunciar nomes de pré-candidatos, é possível que surjam outros nomes, mas essa possibilidade é pequena, em função das prováveis alianças que podem envolver outras siglas importantes de Rondônia. A situação de alterações na lista de nomes também pode apresentar a redução, caso um dos nomes já anunciados decida mudar de posição. No caso dos nomes que farão parte das chapas, como vice, até este momento, somente o ex-prefeito Hildon Chaves anunciou que pretende ter como companheiro em sua chapa o deputado estadual Cirone Deiró. A situação dos demais grupos deve ficar indefinida até a realização das convenções. Ao que tudo indica, não haverá, este ano, nenhuma mulher na disputa pelo governo do estado.
CANDIDATOS DO BOLSONARO
Um fato que já pode ser percebido, mesmo antes do início das campanhas oficiais, será a briga nos bastidores que será travada por diversos candidatos que desejam alicerçar suas campanhas na imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro. Oficialmente, o candidato que deve contar com a autorização da família do ex-presidente para usar seu nome em campanha é o senador Marcos Rogério, pré-candidato do PL ao governo do estado. Entretanto, há diversos outros pré-candidatos que tentarão vincular seus nomes ao forte apelo eleitoral que tem o nome de Jair Bolsonaro em Rondônia. A tendência natural será o eleitor rondoniense acabar dividido, porque o ex-presidente não virá ao estado durante a campanha, já que se encontra em prisão domiciliar em Brasília, mas os vídeos gravados no passado provavelmente serão usados pelos candidatos. Na campanha de 2022, o governador Marcos Rocha tentou vincular sua campanha de reeleição ao ex-presidente, mas foi impedido por uma ação judicial do senador Marcos Rogério. No fim das contas, ficou provado que o simples fato de usar a imagem de Bolsonaro não é garantia de vitória nas urnas, porque Marcos Rocha acabou o primeiro turno à frente do adversário e venceu a eleição no segundo turno.
HILDON CHAVES
O ex-prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves, já deixou claro que não vai perder tempo com o debate ideológico no estado. Em entrevista concedida recentemente ao jornalista Robson Oliveira, ele foi perguntado se estaria no palanque de Lula ou Flávio Bolsonaro. Em resposta, Hildon Chaves declarou que, caso aprovado na convenção de seu partido, União Brasil, para disputar o governo, pautará suas ações de campanha voltado para discutir com a população de Rondônia sobre as necessidades reais da população. Hildon afirmou durante a entrevista, e ele tem razão, que o estado de Rondônia não é o palco prioritário para a disputa presidencial e que não temos peso para decidir eleições no cenário nacional, razão pela qual ele não tem interesse em entrar no debate sobre esquerda e direita. O ex-prefeito disse, ainda, que, num eventual segundo turno, vai avaliar quem será a candidato à presidência escolhido por ele, porque já será outro momento da campanha. A ideia do ex-prefeito de apresentar ao eleitor de Rondônia suas propostas e projetos revela seu perfil sereno e desvinculado do clima de inimizade que envolve grande parte dos políticos e eleitores brasileiros. Hildon não está errado em sua avaliação, porque seu partido, União Brasil, certamente não terá um palanque único na eleição nacional. Considerado um partido do chamado centrão, a sigla com certeza terá palanques bem diversificados em todas as regiões do país. Na realidade, Rondônia tem muitos problemas a serem resolvidos, antes de discutir essa questão de direita e esquerda.
PROPAGANDA NEGATIVA
Como o período das convenções partidárias se aproxima, alguns pré-candidatos ou seus apoiadores passaram a atuar de maneira mais incisiva nas redes sociais. Nesta direção, a tendência é que as reclamações sobre eventuais ataques contra pessoas ou partidos possam ganhar espaço tanto nas próprias redes sociais como na seara da Justiça Eleitoral. Em razão deste clima mais acalorado, os pré-candidatos e também seus apoiadores precisam ficar muito atentos ao que estabelece a legislação eleitoral em vigor e as manifestações em redes sociais que forem interpretadas pela Justiça Eleitoral como crimes de calúnia, injúria ou difamação, por exemplo, podem ensejar grandes dores de cabeça para os responsáveis, e as multas previstas pela lei são pesadas. Em alguns casos, é necessário que a pessoa ofendida tome a iniciativa de procurar a Justiça Eleitoral ou mesmo a Justiça Comum, a depender do caso. Há, porém, situações em que o próprio Ministério Público Eleitoral poderá agir, independentemente da ação da vítima. Para evitar maiores problemas, as pessoas que gostam de discutir sobre políticas e principalmente emitir opiniões sobre pré-candidatos ou sobre partidos políticos devem observar com atenção a legislação. Considerando que este ano podemos ter uma campanha eleitoral mais acirrada, não custa nada adotar a cautela no momento de emitir opiniões sobre os pré-candidatos, sobre partidos e sobre as demais pessoas. Vale lembrar que a liberdade de expressão não é autorização para o cometimento de crimes contra a honra de ninguém.
NECESSIDADE DE CURSINHO PREPARATÓRIO PARA CANDIDATOS
As campanhas oficiais começam somente no dia 16 de agosto, mas a legislação eleitoral do país permite, neste período de pré-campanha, que os partidos ou pré-candidatos possam apresentar suas ideias, propostas, projetos, pensamentos. Assim, os partidos que pretendem apresentar candidatos este ano, principalmente para os cargos de deputados estaduais ou federais, bem que poderiam oferecer aos seus filiados um curso preparatório para ensinar as atribuições do cargo. É muito grande o número de pré-candidatos que se apresentam falando uma infinidade de bobagens que nada têm a ver com as verdadeiras atribuições dos casos que pretendem disputar. No caso da Assembleia Legislativa de Rondônia, o que vemos hoje é um quadro de deputados e deputadas que nem sempre demonstram conhecer suas obrigações e atribuições, havendo apenas poucas exceções. A situação é muito mais complicada na Câmara dos Deputados, sendo que atualmente Rondônia possui uma representação muito questionada pela população, em função da visível falta de preparo de boa parte dos deputados e deputadas. Os partidos políticos precisam refletir sobre isso. É um direito de todos os partidos apresentar seus candidatos ao eleitor, após as convenções partidárias, mas é um dever de toda pessoa que deseja representar alguém buscar o necessário preparo para exercer os cargos que pretende. Imaginar que eleitor vai ter a preocupação de filtrar candidatos pelo preparo é pura ilusão, os partidos é que deveriam melhorar seus quadros.
LUCIANA OLIVEIRA
O Partido dos Trabalhadores decidiu apresentar este ano o nome da jornalista Luciana Oliveira como pré-candidata da sigla ao cargo de senadora. Luciana, que também possui formação em Direito, é muito conhecida na capital de Rondônia, local onde nasceu, e possui intensa participação em diversos movimentos populares em Porto Velho. Além de defender as causas ambientais, ela também tem uma atuação sólida na defesa dos direitos humanos e conhece bem o assunto. Luciana Oliveira não é muito conhecida do grande público no interior de Rondônia, embora tenha relação de amizade com inúmeras pessoas em diversos municípios. Como possui uma grande capacidade de comunicação, ela certamente pode conseguir boa conexão com os eleitores, caso seja confirmada pelo PT nas convenções que acontecem entre 20 de julho e 5 de agosto. Claro que a pré-candidata do PT ao Senado Federal não terá uma missão muito fácil, visto que o estado de Rondônia possui a característica de um estado com maioria bolsonarista, mas a qualidade nos discursos pode fazer diferença, principalmente pelo fato de sermos um estado em que as mulheres precisam ocupar mais espaços no debate político. Nesse sentido, a ideologia partidária pode não ser o ponto mais importante, já que a necessidade da participação da mulher em sociedade é algo visível e necessário. A partir do momento em que foi anunciada como pré-candidata à senadora, Luciana Oliveira passou a visitar diversos municípios e conversar com vários segmentos da população, falando sobre suas ideias e propostas. Assim, não será nenhuma surpresa a aparição de seu nome entre as boas opções que o eleitor de Rondônia terá no momento de escolher seus candidatos.
PESQUISAS ELEITORAIS
Os eleitores de Rondônia vão precisar passar por um longo teste de paciência para tolerar a atuação de alguns institutos de pesquisas eleitorais este ano. Toda semana, aparece alguma pesquisa sobre os nomes que devem disputar o governo do estado, Senado Federal, Assembleia Legislativa ou Câmara dos Deputados. Os números divulgados pelos institutos podem até não revelar a realidade do momento sobre a situação das eleições, mas revelam uma falta de profissionalismo que certamente vai levar ao descrédito alguns desses institutos. A legislação eleitoral do país exige que as pesquisas devem ser registradas no Tribunal Superior Eleitoral ou Tribunal Regional Eleitoral e cumprir requisitos como número de entrevistados, perfil dos entrevistados, locais das pesquisas, quem contratou, qual o valor do contrato e outros dados. O problema é que a Justiça Eleitoral não dispõe de mecanismos ou estrutura para fiscalizar a contratação e realização de todas as pesquisas e isto abre caminho para uma série de situações que interessam apenas a alguns donos de institutos de pesquisas. Uma boa dica para o eleitor avaliar é observar quem contratou a pesquisa, para saber se merece alguma credibilidade. Importante destacar que dificilmente alguma pesquisa divulgada será contratada por partidos. Não que os partidos não façam pesquisas, é claro que fazem, mas os dirigentes não autorizam o registro na Justiça Eleitoral ou a divulgação, porque os dados são utilizados para a organização das atividades de campanha. Muitas vezes, determinadas pesquisas possuem apenas a finalidade comercial e estão muito distantes de revelar números reais.
SECRETÁRIO DE SAÚDE
O prefeito do município de Cacoal, Tony Pablo, concedeu recentemente uma entrevista na qual cobrou uma atuação mais efetiva do Secretário de Estado da Saúde, em relação ao município. Após a entrevista do prefeito, algumas pessoas fizeram comentários nas redes sociais e interpretaram como se fosse muito cedo para as cobranças. Não é cedo. Desde o ano passado, o ex-secretário da pasta já dava sinais claros de que deixaria o cargo, porque tinha pretensões de participar da disputa eleitoral deste ano. Então, houve tempo suficiente para que o governador Marcos Rocha fizesse o planejamento necessário para fazer as mudanças na secretaria. Porto Velho e Cacoal são os dois polos de saúde na estrutura do setor de saúde do estado e, por este motivo, devem receber do governo de Rondônia a necessária atenção, para atender às demandas. Portanto, não se trata de nenhuma cobrança precipitada do prefeito, porque ele conhece a realidade do município. Além disso, o Dr. Edilton Oliveira, que assumiu o cargo de Secretário de Estado da Saúde, também é de Cacoal e sabe da realidade. As cobranças feitas pelo prefeito durante a entrevista não são de natureza pessoal, mesmo porque a pessoa do secretário merece respeito. Entretanto, não dá para negar que a situação da saúde é uma prioridade, principalmente no sentido de manter o funcionamento daquilo que é básico. Logicamente que os casos mais complexos serão tratados com maior grau de paciência, mas as pessoas que necessitam de atendimento, muitas vezes, não possuem tempo para esperar.
CONSELHO TUTELAR
Todas as pessoas que vivem no município de Cacoal sabem da importância que tem o Conselho Tutelar e da necessidade de uma atuação permanente dos conselheiros. Embora muita gente não saiba, os casos de ocorrência diárias envolvendo menores é muito mais comum do que pode parecer. Sendo assim, todas as instituições e autoridades, como também a sociedade, precisam defender a atuação do Conselho Tutelar de Cacoal. Entretanto, atualmente, há uma situação que precisa ser reavaliada pelos membros do Conselho Tutelar, pelo Ministério Público, autoridades municipais e pela população do município de Cacoal. Ocorre que o Conselho Tutelar de Cacoal é fechado no horário de 12 às 14 horas, o que pode dificultar o atendimento das demandas. Neste caso, talvez fosse necessário pensar numa escala de conselheiros, com o objetivo de manter o órgão aberto no intervalo do almoço e garantir que não haja interrupção no atendimento. Além disso, nada impede que haja mais de um conselho no município. Segundo o artigo 132 do Estatuto da Criança e do Adolescente, cada município deve ter, no mínimo, um (01) Conselho Tutelar composto de 5 membros. Como a demanda em Cacoal só aumentou, nos últimos anos, talvez seja o caso de começar a pensar na criação de um segundo Conselho Tutelar. Todos nós sabemos, principalmente as autoridades, que o município de Cacoal possui atualmente vários bairros que não existiam até pouco tempo atrás. Alguns desses novos bairros estão localizados em pontos mais distantes da região central do município. É mais um motivo para refletir sobre a possibilidade da criação de mais um Conselho Tutelar em Cacoal.
RINDO
No grupo de WhatSapp Tribuna Popular, uma senhora de Cacoal comentou o compartilhamento de um membro, falando do pronunciamento do vereador Edimar Kapiche, o popular Kapichão das Emendas, que criticava a situação da saude dos dois hospitais do governo no município e a atuação dos deputados que não resolveram a questão. A senhora cacoalense não perdeu tempo, comentou numa frase e ilustrou com uma imagem de tempo atrás que foi muito divulgada e motivo de risos:
“O senhor esteve no colo do governo. Poderia ter ajudado mais”.
Fonte: Tribuna Popular