DINHEIRO SEM DONO
A principal notícia que circulou em Rondônia nos últimos dias, envolvendo o universo político, foi a apreensão de cerca de 2 milhões de reais feita pela Polícia Federal em Porto Velho. Segundo as informações colhidas, os valores estavam de posse de um homem que seria motorista do deputado federal Maurício Carvalho. Entretanto, o deputado não se manifestou oficialmente sobre o dinheiro e as investigações é que vão apontar o dono. O transporte de valores consideráveis como este gera diversas suspeitas de possíveis irregularidades, mas não dá para afirmar se o dinheiro é fruto de alguma prática ilegal ou criminosa. Não é crime transportar 2 milhões de reais, mas as pessoas que fazem isso precisam comprovar a origem dos recursos, porque dinheiro não cai do céu. Como o processo eleitoral provoca inúmeros comentários e torna a imaginação da população muito fértil, talvez fosse o caso de o deputado Maurício Carvalho se pronunciar publicamente e dizer se o dinheiro pertence a ele ou não, já que seu nome foi citado em diversos veículos de imprensa e nas redes sociais. O fato de ter o nome citado, logicamente, não significa que ele tenha feito nada de errado, mas a população merece um esclarecimento, porque ele faz parte da bancada federal de Rondônia e também é presidente estadual de um partido. Ao se manifestar, ele tem a possibilidade de afastar de uma vez qualquer interpretação equivocada que possa surgir. Nas redes sociais, não faltam pessoas dizendo que podem assumir a condição de dono do dinheiro e até mesmo recolher os tributos referentes ao valor, se for o caso. Mas a Polícia Federal tem os mecanismos tecnológicos para encontrar a origem e o dono dos milhões.
CORONEL SITYÁ
Esta semana, houve mais uma mudança no primeiro escalão do prefeito Tony Pablo. O coronel PM Paulo Sityá assumiu o cargo de Secretário Municipal de Transportes e Trânsito de Cacoal (SEMTTRAN) na vaga deixada por Diego Klippel que estava no cargo desde o início da administração do ex-prefeito Adailton Fúria. Com excelente currículo e conduta moral respeitada, Paulo Sityá não terá nenhuma dificuldade para comandar a pasta, mesmo porque ele conhece muito bem o sistema de trânsito no município, uma vez que já exerceu o cargo de Comandante do 4º Batalhão da Polícia Militar em Cacoal. Após o anúncio da nomeação do coronel Sityá, diversas pessoas usaram suas redes sociais para fazer elogios ao novo secretário e afirmar que ele é uma pessoa muito correta e competente. O ex-secretário, Diego Klippel, anunciou que deixou o cargo para fazer parte da equipe de campanha de Adailton Fúria, que disputará o governo de Rondônia. Durante o período em que ocupou o cargo, Klippel teve um bom desempenho e chegou a receber muitos elogios. Embora o prefeito Tony Pablo seja considerado um dos aliados mais próximos do ex-prefeito, diversas mudanças no primeiro e segundo escalão da administração já aconteceram desde o mês de abril. As novas nomeações indicam que o prefeito busca formar uma equipe que tenha o perfil desejado por ele para tocar a Prefeitura de Cacoal. Então, as mudanças são interpretadas como naturais, já que cada gestor possui uma forma de administrar e oferecer à sociedade os melhores serviços. Neste caso, é provável que outras mudanças aconteçam, até mesmo no caso de pessoas que assumiram pastas já na administração de Tony Pablo.
COMEÇO DAS CAMPANHAS
O prazo para a realização das convenções partidárias encerrou no dia 5 de agosto. Agora os partidos se organizam para pedir na Justiça Eleitoral os registros de candidaturas dos nomes aprovados nas convenções. Os pedidos de registro de candidaturas devem acontecer até o dia 15 e serão analisados pela Justiça Eleitoral, com a devida manifestação do Ministério Público Eleitoral. A partir do dia 16 de agosto, os partidos e candidatos estão autorizados a iniciar a propaganda eleitoral. Isto implica reuniões, comícios, distribuição de santinhos, panfletos, banners e outros materiais. Claro que a simples aprovação na convenção do partido não significa que o registro de candidatura acontece automaticamente, porque o Ministério Público, partidos políticos, eleitores e outros interessados podem pedir o indeferimento de candidaturas, caso haja motivo. Se algum candidato tiver restrições criminais, administrativas ou políticas, este candidato pode ter o pedido de registro indeferido pela Justiça Eleitoral. Nas últimas eleições, muitos nomes que se apresentaram como candidatos tiveram seus pedidos de registros indeferidos e muitos deles foram barrados pela Lei da Ficha Limpa ou mesmo por pendências criminais nos tribunais. O termo “candidato” tem origem no latim e significa aquele que tem candura, ou seja, que não possui nenhuma mancha, que não possui nenhuma restrição prevista em lei. Claro que existem muitos casos em que não há nenhuma candura, mas os candidatos costumam fazer discursos dizendo que são os seres mais puros e cândidos da face da Terra. Neste caso, o julgamento final fica por conta do eleitor na cabine de votação, mas existem também os eleitores que não estão muito preocupados com a ficha criminal de seus candidatos.
CANDIDATOS MULTICORES
Um fato bem curioso tem ocorrido nesse momento de movimentação política em que os partidos buscam registrar candidaturas. Muito políticos mudaram de cor/etnia conforme suas conveniências. Existem diversos candidatos que declararam ser brancos, em 2018; declararam ser pardos, em 2022; e agora declaram que são pretos ou pardos. Os eleitores menos atentos podem imaginar que o motivo das mudanças tem como finalidade ganhar a simpatia de determinado segmento social, mas não é nada disso. O único motivo das declarações tem como finalidade ganhar dinheiro, porque candidatos pretos/pardos ou indígenas possuem as cotas do Fundo Eleitoral diferentes e isto atrai a atenção dos candidatos. Se a moda pegar, nas próximas eleições, muitos candidatos do sexo masculino vão apresentar declarações de mudança de gênero, porque existem também as cotas para mulheres. Aparentemente pode parecer que nenhum candidato teria tamanha ousadia, mas como bem sabemos, em política, não se pode duvidar de nada. Em vale lembrar que essa prática esquisita passou a ser adotada até mesmo por muitos políticos que fazem discursos contra o Fundão Eleitoral e dizem que não aceitam recursos públicos. Lógico que os discursos são feitos em palanques, porque o eleitor, em geral, não tem muita simpatia pela ideia do emprego de recursos públicos em campanha eleitoral. Mas existem muitos políticos que fazem os discursos em público e nos bastidores estão entre os mais vorazes na briga pelo Fundo Eleitoral. Aliás, existem muitos políticos que entram mesmo já pensando nisso e já houve casos de políticos condenados nos tribunais pelo mau uso dos recursos. Um desses casos foi a situação de uma candidata que usou os recursos do Fundão Eleitoral para colocar silicone e fazer outros procedimentos estéticos.
VEREADORES CANDIDATOS
A Câmara Municipal de Cacoal terá três de seus membros na disputa eleitoral deste ano. Amália Milani (União Brasil) disputará uma cadeira na Câmara dos Deputados; Edimar Kapiche e Cleber Diniz, ambos do PSD, estarão na disputa por uma das 24 cadeiras da Assembleia Legislativa de Rondônia. Além dos vereadores e da vereadora que estarão na disputa, Cacoal terá entre 10 e 12 candidatos ao cargo de deputado/a estadual e uns três para deputado/a federal. Nas próximas edições da coluna, vamos apresentar outros nomes e tecer maiores comentários, para que nosso leitor conheça as opções que o município terá este ano. Diferentemente de outros veículos, não vamos entrar na discussão sobre que tem ou não mais chances de vitória, porque a coluna não faz exercícios de vidência e principalmente porque as candidaturas proporcionais envolvem uma série de fatores que não permitem uma opinião precisa sobre eleição de deputados ou deputadas. Assim, o eleitor cacoalense é que deve fazer suas escolhas livremente conforme as preferências políticas ou mesmo usando outros critérios que o eleitor está acostumado. Em algumas rodas de conversas já é possível ouvir de muitas pessoas que, com tantos nomes, o município corre o risco de não eleger representantes, mas isto não corresponde à realidade. Para refrescar a memória dos menos avisados, em 2018 e 2022, o número de candidaturas para deputados estaduais em Cacoal era mais ou menos o mesmo de agora e o município elegeu pessoas de Cacoal. É claro que os votos dos cacoalense não serão disputados somente por candidatos com domicílio eleitoral no município, mas este fenômeno é muito natural e democrático, já que nossos candidatos também farão campanhas em outros municípios.
VEREADORES FEDERAIS
Os vereadores de Cacoal precisam encontrar uma forma mais adequada para a atuação no mandato, principalmente no que diz respeito ao uso da tribuna da Casa de Leis. Alguns dos edis possuem a mania de esquecer os problemas de Cacoal ou fingir que eles não existem para dedicar longos discursos voltados para falar sobre o presidente Luís Inácio Lula da Silva e o ex-presidente Jair Bolsonaro. Além de serem discursos cansativos e desconectados da realidade, os contribuintes de Cacoal estão interessados em saber o que os vereadores têm a oferecer para a população. O papel de discutir sobre os temas nacionais deve ser abraçado pelos deputados e senadores, porque Cacoal possui muitos problemas que exigem soluções. Não faz sentido ver um vereador usar a tribuna costumeiramente para falar sobre presidentes ou ex-presidentes da república, porque isso é coisa para bate-papo de boteco. Aliás, nem nos botecos as pessoas estão interessadas nesse assunto, porque isso já gerou inúmeras intrigas e causou até separações de casais. O papel dos vereadores e discutir e buscar soluções para o setor da agricultura, para a saúde, educação, ação social e outros. Não é possível que os vereadores não conheçam os problemas que assolam o município. Essa briga boba sobre Lula e Bolsonaro não vai mudar absolutamente nada na vida das pessoas que trabalham todos os dias para pagar seus tributos e esperam dos vereadores uma atuação voltada para resolver os problemas de Cacoal.
ACIR LIBERADO
Muita gente considerava difícil a participação do ex-senador Acir Gurgacz na disputa eleitoral deste ano, depois que uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral que poderia tirá-lo da disputa. A defesa de Acir se empenhou com muita dedicação e, esta semana, o ministro Kássio Nunes Marques liberou o ex-senador para voltar às disputas. Acir Gurgacz disputará uma das cadeiras para o Senado Federal e já se articula nos bastidores para organizar seu grupo de campanha. Algumas pesquisas divulgadas até este momento sobre as eleições para senador trazem alguns nomes como amplos favoritos e vários deles já se consideram eleitos, mas a realidade é muito diferente. O cenário político de Rondônia deve ter em 2026 umas das disputas mais acirradas pelas duas vagas de senadores, porque diversos nomes com grande popularidade estão na disputa, entre eles o poróprio Acir Gugacz. Em relação a Acir Gurgacz, a decisão do ministro Nunes Marques não encerra o caso, porque ainda será levada ao colegiado, mas é suficiente para dar a ele a tranquilidade suficiente para começar a campanha sem os embaraços jurídicos. No entendimento do Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia, Gurgacz estaria inelegível até o ano de 2030, mas não é este o entendimento de Nunes Marques, que aos advogados do ex-senador a garantia de que podem lutar até o fim e manter Acir elegível. A decisão do ministro, lógico, não é uma boa notícia para os adversários de Acir Gurgacz, porque ele tem aliados fortes em Rondônia e estrutura para disputar de igual para igual qualquer um dos cargos em disputa no estado.
PEDRO ABIB
O MDB entrou de vez no processo eleitoral deste ano. A sigla definiu que o advogado Pedro Abib é o nome do partido para a sucessão estadual, tendo como companheiro de chapa o ex-senador Amir Lando. Nos últimos dias, o MDB viveu momentos de muita indefinição, inclusive a desistência de Confúcio Moura, que era o nome escolhido para disputar o Senado Federal. Com isto, Acir Gurgacz se aproximou do MDB e firmou uma aliança que pode garantir um bom palanque na campanha. Lideranças políticas do MDB e do PDT se reuniram ontem e definiram que vão caminhar juntos com Acir Gurgacz sendo o único candidato do grupo na disputa pelo Senado da República. Em entrevista concedida na quinta-feira, o candidato a governador do MDB, Pedro Abib, declarou que a chapa com Amir Lando traz a experiência que é importante para consolidar um grupo político e as possibilidades de mudança com nomes novos, que é sempre muita cobrada pelos eleitores. Como gestor, Abib tem muita experiência no setor privado e seu vice, Amir Lando, é um dos poucos políticos de Rondônia que teve participação de destaque nos grandes debates da nação. Amir Lando foi o relator do processo que culminou com a cassação do ex-presidente Fernando Collor e também ocupou o cargo de Ministro da Previdência, no primeiro mandato de Lula na presidência da república. Com a definição de Amir Lando como vice na chapa do MDB, este ano não haverá nenhuma mulher na disputa pelo governo de Rondônia.
RODOVIA DA MORTE
A rodovia BR 364 é conhecida por muitos brasileiros como a Rodovia da Morte e um número de acidentes graves ocorridos na principal rodovia do estado é uma das maiores preocupações dos rondonienses. Nos últimos meses, porém, o problema ganhou grandes proporções e várias tragédias foram registradas. É uma pena que nossos políticos não tratem deste assunto com a seriedade que deveriam e muitos deles usam o tema apenas para jogar para a plateia e tentar ganhar votos dos eleitores desinformados. A única mudança que os políticos do estado conseguiram em relação a BR 364 foi a instalação de diversas praças de pedágios que foram impostas aos rondonienses, sem que nenhum benefício tenha acontecido. A cada tragédia que acontece, e isto infelizmente já virou rotina, aparece algum político oportunista para dizer que vai resolver a situação. Esta rodovia precisa ser repensada, para evitar a ocorrência diária de inúmeros acidentes com vítimas fatais que causam muita dor e sofrimento a todas as famílias. A forma como foram instaladas as praças de pedágios é uma afronta aos contribuintes de Rondônia, mas os políticos do estado não apresentam nenhuma solução. O início das campanhas eleitorais certamente vai trazer em muitas propagandas dos políticos a BR 364 como tema, mas isto não significa que os problemas serão resolvidos. É muito provável que o sofrimento dos rondonienses seja até aumentado depois das eleições, quando os políticos somem e ficam esperando mais quatro anos para voltar a falar sobre a assunto. Lamentável!
Fonte: Tribuna Popular