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Circo de Tradição Familiar se torna Patrimônio Cultural do Brasil

O Circo de Tradição Familiar é, oficialmente, o mais novo Patrimônio Cultural do Brasil. O título foi concedido nesta semana pelo Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), inscrevendo a manifestação no Livro de Registro das Formas de Expressão. A decisão reconhece o valor histórico, a memória social e as técnicas transmitidas oralmente entre gerações de artistas que percorrem o país.
A conquista é fruto de uma mobilização de décadas, liderada pela família Zanchettini. Fundada no Paraná em 1991, a companhia carrega o legado de Wanda Cabral e Primo Júlio Zanchettin. Wanda foi a grande articuladora da causa, tendo protocolado o pedido oficial no Iphan em 2005. Embora a matriarca tenha falecido em 2017, seus dez filhos e inúmeros descendentes mantiveram a luta viva, celebrando agora o que descrevem como o “Oscar do circo brasileiro”.
A linhagem e o protagonismo dos Zanchettini
A trajetória da família mistura-se com a própria evolução do circo no Brasil. Wanda cresceu no ambiente circense cigano e, ao casar-se com o italiano Primo Júlio, deu início a uma dinastia de artistas. Hoje, os filhos Edlamar, Erimeide e seus oito irmãos administram e performam no Circo Zanchettini, preservando a essência do “circo raiz”.
Saberes Compartilhados: A transmissão de técnicas de trapézio, acrobacia e o ofício do palhaço ocorre no cotidiano das barracas, de pais para filhos.
Resistência: A família superou crises financeiras e dificuldades logísticas, mantendo o espetáculo focado nas habilidades humanas tradicionais.
Alcance: A rede de influência dos Zanchettini ajudou a unificar o pleito de diversas associações e pesquisadores em prol do registro nacional.
Desafios e o impacto do registro
Apesar do glamour do espetáculo, a vida circense enfrenta obstáculos burocráticos e econômicos severos. Herdeiras da tradição relatam que o custo de ocupação de solo em prefeituras e as taxas tributárias são altos, muitas vezes comparados aos de estabelecimentos comerciais fixos, ignorando o caráter cultural e itinerante da atividade.
Com o reconhecimento do Iphan, a expectativa é de que o diálogo com o Poder Público seja facilitado. O registro como Patrimônio Cultural pode abrir portas para isenções de taxas de terreno, apoio logístico municipal e maior acesso a editais de fomento. Para os artistas, o título não é apenas simbólico, mas uma ferramenta de sobrevivência para que o “palhaço da cara pintada” continue a existir frente à concorrência de grandes produções tecnológicas.
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Fonte: News Rondônia

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