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Cigarrinha-do-milho causa prejuízo de R$ 33,6 bilhões por ano ao Brasil

A cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) consolidou-se como o maior pesadelo dos produtores rurais brasileiros, gerando um prejuízo anual estimado em US$ 6,5 bilhões (cerca de R$ 33,6 bilhões). Um levantamento detalhado, divulgado nesta terça-feira (7) pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), revela que o impacto acumulado nas últimas quatro safras superou a marca de R$ 134 bilhões. O inseto é o principal vetor dos enfezamentos pálido e vermelho, doenças causadas por microrganismos que impedem o desenvolvimento pleno da planta e podem levar à perda total da lavoura, já que não existe tratamento curativo após a infecção.
O estudo, publicado na revista científica internacional Crop Protection, destaca que a produtividade média do milho no Brasil caiu 22,7% no período analisado devido à praga. Isso significa que aproximadamente 31,8 milhões de toneladas de grãos deixaram de ser colhidas anualmente, o equivalente a 2 bilhões de sacas de 60 quilos. Além da quebra direta na colheita, os agricultores enfrentam um aumento de 19% nos custos de produção, destinados exclusivamente à aplicação de inseticidas, que hoje superam os R$ 46 por hectare na tentativa de controlar a dispersão do inseto.
A explosão da praga, que antes era considerada secundária, está diretamente ligada às mudanças no sistema produtivo brasileiro. A expansão da “safrinha” e a manutenção do milho no campo durante quase todo o ano criaram uma “ponte verde” que favorece a sobrevivência e a reprodução contínua da cigarrinha. “Em 80% das localidades avaliadas, a cigarrinha foi o fator central para a queda de produtividade”, afirma o pesquisador Charles Oliveira, da Embrapa Cerrados. O impacto transborda as fazendas, elevando os preços de carnes, leite e biocombustíveis, uma vez que o milho é a base da ração animal e da produção de etanol.
Para mitigar os danos, a Embrapa e entidades como a CNA e Epagri reforçam a necessidade de estratégias coordenadas entre vizinhos. Entre as recomendações principais estão a eliminação do “milho tiguera” (plantas voluntárias que nascem de grãos perdidos), a sincronização do plantio para evitar janelas longas de semeadura e o uso de cultivares geneticamente resistentes. Como algumas populações do inseto já apresentam resistência a químicos, o controle biológico com fungos tem sido uma alternativa crescente. Especialistas alertam que a estabilidade do Brasil como terceiro maior produtor mundial de milho depende diretamente do sucesso no manejo desse minúsculo, porém devastador, inimigo.
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Fonte: News Rondônia

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