O assessor especial da Presidência da República, embaixador Celso Amorim, manifestou a posição contrária do governo brasileiro à classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelos Estados Unidos. Durante sua participação no Fórum Internacional de Segurança, em Moscou, Amorim enfatizou que, embora o combate ao crime organizado seja uma prioridade, a utilização dessa designação como justificativa para intervenções externas é inadmissível.
Cooperação versus soberania
Para o embaixador, a cooperação entre nações no enfrentamento a atividades ilícitas, como a lavagem de dinheiro e o tráfico de armas, é essencial e bem-vinda. Contudo, ele destacou que tais ações devem respeitar estritamente a soberania dos países envolvidos. “Pretexto para intervenção é inaceitável”, afirmou o diplomata, reiterando que o Brasil defende métodos eficazes que não envolvam a submissão das diretrizes nacionais a agendas de potências estrangeiras.
Em seu discurso no fórum, Amorim ponderou que a estratégia de equiparar o crime organizado ao terrorismo não contribui para a eficácia das políticas de segurança. Segundo ele, o entendimento das motivações criminais é um passo fundamental para o desenvolvimento de táticas de combate mais inteligentes e menos baseadas em narrativas que, historicamente, servem para justificar operações unilaterais de força.
Riscos de intervenção
Especialistas em relações internacionais reforçam o alerta de Amorim, citando casos recentes no continente em que o rótulo de terrorismo foi utilizado por Washington para viabilizar sanções ou ações militares. O histórico de medidas contra Cuba, sob a alegação de apoio ao terrorismo, e a operação que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro são frequentemente apontados como exemplos dos riscos que o Brasil pode enfrentar.
O governo Lula mantém a avaliação de que a nova classificação americana pode enfraquecer os canais de inteligência policial vigentes, substituindo-os por agendas de segurança nacional dos EUA que não priorizam o diálogo ou o respeito às normas jurídicas brasileiras. A diplomacia brasileira, portanto, segue reafirmando que o combate ao tráfico de drogas deve ser conduzido com autonomia e energia, sem que isso implique na perda de controle sobre a soberania territorial e institucional do país.
Veja mais notícias
Fonte: News Rondônia