Se Liga Rondônia
Se Liga Rondônia

Casais denunciam golpes em financiamentos imobiliários da Caixa

Casais de diferentes regiões do Brasil estão denunciando um esquema de fraude envolvendo construtoras e financiamentos imobiliários da Caixa Econômica Federal. O caso, revelado em reportagem, mostra que as empresas recebiam grandes quantias liberadas pelo banco, mas abandonavam as construções. As vítimas agora enfrentam prejuízos financeiros e o impacto emocional de ver a casa própria transformada em abandono.
O modelo de financiamento prevê que a Caixa libere o dinheiro em parcelas, conforme o avanço da obra atestado por laudos técnicos. No entanto, investigações e perícias particulares apontam que as construtoras falsificavam assinaturas dos clientes e emitiam relatórios falsos. Os documentos enviados ao banco declaravam que as moradias estavam quase prontas, enquanto a realidade nos terrenos mostrava apenas estruturas iniciais ou terrenos vazios.
Assinaturas falsas e risco de leilão
Em um dos casos registrados, o casal Izael M. e Marcela T. contratou um financiamento de aproximadamente R$ 500 mil para erguer a residência familiar. Três anos após o início do projeto, o lote apresenta apenas sinais de abandono. Os relatórios da construtora Âmbar Prumo indicavam que mais de 80% da estrutura estava concluída, mas uma perícia técnica constatou que menos da metade do serviço havia sido executada, além de comprovar a falsificação na assinatura de Marcela.
Ao descobrirem a inconsistência, os compradores suspenderam o pagamento das parcelas mensais junto à instituição financeira. Como consequência da inadimplência gerada pelo impasse, o casal foi notificado de que o imóvel pode ser levado a leilão pelo banco para a quitação da dívida. Em nota oficial, a construtora Âmbar Prumo alegou que todas as suas obras seguiram as normas da Caixa e informou que responderá às acusações perante a Justiça.
Histórias de prejuízos se repetem pelo país
A mesma modalidade de estelionato prejudicou famílias em outros estados brasileiros. No Rio Grande do Sul, Guilherme B. e Bruna B. financiaram R$ 290 mil em 2022 para uma construção no município de Alvorada. O responsável pela construtora Vitro V., Pedro A., que também se apresentava como funcionário da Caixa, orientou o processo. A empresa recebeu mais de R$ 200 mil e abandonou o canteiro de obras em poucos meses, inserindo itens como rede hidráulica e cobertura como concluídos nos relatórios, sem que tivessem sido iniciados.
Pedro André foi demitido da Caixa por justa causa após as denúncias, mas recorre na Justiça do Trabalho e nega ter causado prejuízos ao banco. Em Pernambuco, a construtora Multicons foi denunciada por cobrar valores acima do executado e reter a diferença. O proprietário da empresa acabou condenado por estelionato devido a um prejuízo que superou R$ 126 mil, mas ele recorre da decisão judicial alegando que os recursos foram totalmente aplicados na estrutura.
Falta de fiscalização e superação
Especialistas apontam que as inconsistências nos laudos e as assinaturas falsas poderiam ter sido identificadas previamente pelo banco antes da liberação das parcelas. Em geral, as regras contratuais transferem para o cliente a responsabilidade por fiscalizar e administrar os pagamentos. A Caixa Econômica Federal informou que está apurando internamente as eventuais irregularidades que possam ter sido cometidas por seus funcionários no processo de liberação do crédito.
Apesar dos desvios financeiros e das dívidas acumuladas, algumas famílias recorreram a novos empréstimos e ao apoio de familiares para finalizar as moradias por conta própria. Foi o caso de Renata e Michel, que aportaram mais de R$ 386 mil antes de detectarem as fraudes na construção de sua residência. O casal contraiu novas obrigações financeiras, mas conseguiu dar continuidade ao projeto e concluir a edificação da casa.
Veja mais notícias


Fonte: News Rondônia

+Notícias

Últimas Notícias