spot_img

CACOAL: AS EXONERAÇÕES, AS ARTICULAÇÕES E AS INTERROGAÇÕES…

Por Francisco Xavier Gomes

CACOAL: AS EXONERAÇÕES, AS ARTICULAÇÕES E AS INTERROGAÇÕES…
 A sexta-feira está bem agitada na capital de Rondônia. Sextou!!! O motivo do alvoroço está relacionado com as primeiras movimentações eleitorais concretas ocorridas no Palácio Rio Madeira. Conforme o Diário Oficial do estado, o governador resolveu exonerar alguns de seus secretários. Entre os exonerados, estão Luís Fernando Pereira da Silva (Finanças); Jeferson Rocha (Saúde); e Albaniza Batista (Educação).  Logicamente que não temos como afirmar com precisão que tais atos possuem o condão eleitoral, mas também não é muito fácil encontrar uma justificativa convincente, por diversas razões que Marcos Rocha certamente negaria, mas que são visíveis a olho nu.  Na realidade, os atos de exoneração podem causar alguma surpresa, mas isto somente seria plausível no caso da pasta das finanças, uma vez que trocar a equipe de uma secretaria com essa importância no ano que encerra o mandato pode causar um turbilhão de atropelos técnicos, considerando que este setor é muito sensível, no que diz respeito aos procedimentos de fechamentos de contas. Quantos às demais secretarias, existem enésimas razões que podem comprovar que o governador agiu com a necessária coerência, pelo menos dessa vez…
 O setor de saúde de Rondônia, e isso todo mundo sabe, funciona muito bem somente nas páginas das redes sociais de Jeferson Rocha, nas entrevistas do governador e nas manifestações de seus asseclas. Na prática, desde que Jeferson Rocha assumiu o cargo, as reclamações somente aumentaram, principalmente no interior do estado, onde milhares de pacientes passaram anos sofrendo com a incapacidade técnica do secretário e com uma série de outros problemas que são facilmente constatados por qualquer pessoa que precisou cuidar de pacientes no HEURO de Cacoal e outras unidades. Que fique claro, os problemas não decorrem da falta de dedicação dos servidores, porque estes fazem de tudo para garantir que os pacientes sejam atendidos, embora seja uma missão inglória. Faltam equipamentos; faltam servidores; faltam materiais diversos e faltou, em muitas ocasiões, o pulso firme do secretário. A questão não tem nada de pessoal, porque o coronel Jeferson deve ser boa pessoa. O problema é que ele não entende nada de saúde e menos ainda da estrutura estadual. Em todos os municípios atendidos pelo chamado Polo 2, as reclamações são inesgotáveis e dezenas de vereadores do interior dizem isso toda semana, nos microfones das câmaras municipais. Ainda bem que existem os vereadores, porque os deputados nunca falaram dos problemas. Aliás, muitos deles fizeram vários vídeos ao lado do secretário, para dizer que tudo caminhava bem. Não era verdade, claro…
 Situação semelhante ocorreu no setor da educação, inclusive culminando numa greve de mais de 20 dias, que acabou com a demissão de Ana Pacini, que hoje faz expediente de turismo na Casa Civil. Após sua queda, Albaniza Batista assumiu o cargo, embora nunca tenha assumido os problemas da Secretaria de Educação, que continuou completamente sem rumo. E não foi por culpa dela! A culpa foi exclusiva da pessoa ou das pessoas que decidiram indicar seu nome para a pasta, mesmo sabendo que ela não daria conta. O problema é que as pessoas que indicaram a hoje ex-secretária nunca tiveram nenhuma preocupação com a evolução e organização da educação, mesmo porque essas pessoas não têm filhos em escolas públicas. Se fosse bem treinada, Albaniza Batista poderia ser uma boa vice-diretora numa escola de 300 ou 400 alunos. Ela pode até ter boa vontade, mas a SEDUC é bem maior do que ela imagina. Tanto que ela ficou no cargo por cerca de cinco meses e nunca procurou conhecer as escolas e a realidade do interior. Nenhuma medida robusta foi adotada, por razões óbvias, a coitada até hoje não sabe por que assumiu essa pasta. É pouco provável que seu destino seja uma nomeação de luxo na Casa Civil, sinecura que foi ofertada à Ana Pacini. O mais provável é que, se não for candidata a nada esse ano, Albaniza tire um período de férias e depois volte para alguma escola, de onde nunca deveria ter sido retirada. Claro que a volta pode significar um reencontro com sua absoluta falta de talento profissional …
Bom! O que se espera agora é que os hospitais do interior recebam melhor atenção, visto que o novo secretário de saúde é de Cacoal e certamente conhece a realidade do Polo 2 de Saúde. Não resta nenhuma dúvida de que ele vai se empenhar para alcançar os resultados que seu antecessor jamais entregou aos rondonienses atendidos neste polo. Com relação ao novo secretário da educação, o que podemos dizer, neste momento, é que se trata de uma pessoa muito correta e bastante conhecida, principalmente em Guajará-Mirim, sua cidade natal. Como ele não tem carreira sólida na educação, não dá para dizer que conhece a estrutura da SEDUC, mas é uma pessoa com perfil muito conhecido de diálogo, fato que pode ser fundamental para conduzir a pasta que já teve Suamy Vivecananda, Ana Pacini e Albaniza Batista. Os profissionais de educação podem ter certeza: Massud Badra é muito melhor que os três juntos. Nesse cenário, é possível imaginar que o secretário de saúde foi exonerado porque tem interesse em disputar as eleições. O prazo para deixar o cargo vai até 4 de abril. No caso de Albaniza, nunca houve nenhuma cogitação em torno do nome dela, nas discussões políticas de Rondônia. Caso a dupla resolva disputar as eleições, não há muito problema, porque nosso estado tem tradição em eleger políticos de currículo muito frágil. O importante é que não são mais secretários, porque não mostraram nada…
Nesse conturbado xadrez eleitoral que vivemos no estado, a única certeza que se tem é a de que as eleições de 2026 representam o principal motivo para as alterações nos cargos do governo, porque nenhuma mudança é mero acaso administrativo. Resta torcer para que haja mudança para melhor, no que diz respeito à população sair ganhando com os novos secretários. Mas a saída da dupla Jeferson e Albaniza, já implica uma vitória gigantesca dos rondonienses… Tenho dito!!!

 FRANCISCO XAVIER GOMES
Professor, Jornalista e Advogado


Fonte: Tribuna Popular

+Notícias

Últimas Notícias