O Instituto Butantan e a farmacêutica norte-americana MSD formalizaram, nesta quinta-feira (26), um acordo histórico para a produção nacional do pembrolizumabe, um dos medicamentos mais avançados no tratamento oncológico. A parceria é fruto de um edital do Ministério da Saúde lançado em 2024 e tem como objetivo garantir que a tecnologia seja absorvida pelo laboratório público brasileiro. O pembrolizumabe atua como uma imunoterapia, ensinando o sistema de defesa do corpo a identificar e destruir células cancerígenas, sendo considerado uma alternativa menos tóxica e mais eficaz que a quimioterapia comum.
Atualmente, o medicamento é importado e utilizado no Sistema Único de Saúde (SUS) principalmente para casos de melanoma metastático, atendendo cerca de 1,7 mil pacientes anualmente com um custo de R$ 400 milhões. Com a nacionalização, a expectativa é que o tratamento seja expandido para pacientes com câncer de colo do útero, esôfago, mama e pulmão. Segundo a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, essa ampliação pode elevar o alcance do remédio para 13 mil pessoas por ano, fortalecendo a segurança do paciente contra interrupções logísticas globais.
Transferência gradual e soberania tecnológica
O processo de transferência de tecnologia será realizado por etapas ao longo de dez anos. Inicialmente, o Butantan ficará responsável pela rotulagem e envase do produto, progredindo para a formulação até atingir a produção completa do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) em solo nacional. Essa estratégia faz parte de um plano do Governo Federal para produzir no Brasil 70% dos insumos de saúde utilizados pelo SUS em uma década, reduzindo a dependência externa e os custos operacionais da rede pública.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a saúde se consolidou como um eixo central do desenvolvimento econômico e da inovação tecnológica no país. Para o Butantan, a competência adquirida com esta molécula abrirá portas para o desenvolvimento de outros medicamentos similares no futuro. A produção local não apenas barateia o tratamento, mas assegura que o Brasil tenha autonomia para tratar doenças complexas, aproveitando a escala e a previsibilidade de demanda que o SUS oferece como o maior sistema de saúde universal do mundo.
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Fonte: News Rondônia