O Brasil alcançou, em 2024, o patamar mais baixo na taxa de homicídios desde o início da série histórica do Atlas da Violência, realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Com 20,1 assassinatos a cada 100 mil habitantes, o país apresentou uma redução de 7,4% na taxa e de 6,9% no número absoluto de mortes em relação a 2023. Ao analisar a última década, a retração na violência letal oficial chega a 33,4%.
Apesar do recuo nos dados consolidados, o estudo divulgado nesta terça-feira (26) traz um alerta crítico: o aumento das “Mortes Violentas por Causa Indeterminada” (MVCI). Em 2024, mais de 17 mil mortes violentas não tiveram a motivação básica identificada pelo Estado. Segundo a metodologia dos pesquisadores, quase metade desses casos (7.083 registros) são “homicídios ocultos” assassinatos que não entraram nas estatísticas oficiais. Comparado a 2023, esse tipo de subnotificação saltou 88,6%, gerando preocupação entre os especialistas.
Desigualdades regionais e o caso do Amapá
A tendência de queda não foi uniforme em todo o território nacional. Enquanto estados como São Paulo, Santa Catarina e Distrito Federal mantêm os índices mais baixos de letalidade, o Amapá destoou do cenário nacional ao registrar um aumento expressivo tanto na taxa quanto no número total de homicídios ao longo da década. Em 2024, o estado figurou novamente com a maior taxa de violência letal do país, atingindo 45,7 homicídios por 100 mil habitantes.
O coordenador do Atlas, Daniel Cerqueira, destaca que o país atravessa um momento de transição complexa. Embora a redução de homicídios oficiais seja uma conquista histórica, o aumento da insegurança subjetiva e a fragilidade na integração de dados entre saúde e segurança pública impedem um combate mais eficaz à violência. O estudo aponta que diferenças de desenvolvimento econômico, capacidade institucional e a influência do crime organizado são determinantes para a manutenção dessas desigualdades regionais.
Desafio da transparência
Os dados de 2024 indicam que, enquanto as estatísticas oficiais celebram uma queda, os “homicídios ocultos” passaram a representar 14,3% do total de mortes violentas estimadas no ano. Esse fenômeno dificulta a formulação de políticas públicas precisas e oculta a real dimensão da letalidade em áreas vulneráveis. Para os pesquisadores, a melhora na qualidade dos dados e o compartilhamento de informações entre instituições são passos fundamentais para que a tendência de queda nacional não seja ofuscada pelo avanço da subnotificação.
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Fonte: News Rondônia