Nesta sexta-feira (12), o Dia Nacional de Conscientização sobre a Cardiopatia Congênita coloca em evidência a importância do acesso ao diagnóstico e tratamento para uma condição que afeta aproximadamente 1% dos recém-nascidos. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 30 mil crianças nascem anualmente no Brasil com algum nível de malformação estrutural no coração, um desafio que exige atenção redobrada desde a gestação até a vida adulta.
O papel do diagnóstico precoce
A cardiopatia congênita, caracterizada por falhas na formação cardíaca durante o desenvolvimento fetal, possui diferentes níveis de gravidade. A especialista em hemodinâmica Renata Mattos, do Instituto Nacional de Cardiologia, reforça que o diagnóstico intrauterino é um divisor de águas. “Quando detectamos ainda na barriga da mãe, conseguimos planejar o nascimento. Se for um caso grave, o parto deve ocorrer em uma unidade com suporte de UTI e equipe cirúrgica pronta”, explica. Para os casos menos críticos, o acompanhamento pós-natal garante que a criança tenha uma rotina de vida normal e saudável.
Sinais de alerta para as famílias
Nem todas as cardiopatias são detectadas no nascimento, tornando o papel das famílias fundamental no acompanhamento do desenvolvimento infantil. Os pais devem estar atentos a sinais como:
Ganho de peso abaixo da curva esperada;
Dificuldade excessiva para mamar ou cansaço durante a alimentação;
Respiração acelerada ou ofegante;
Cianose (coloração arroxeada na ponta do nariz e lábios);
Dores no peito ou palpitações em crianças maiores.
Vida normal e inclusão
A medicina avançou significativamente, permitindo que pacientes com cardiopatias congênitas alcancem a vida adulta com qualidade. Antigos mitos de que esses pacientes seriam incapazes de realizar esforços físicos foram superados. “Hoje estimulamos que esses pacientes façam exercícios. Com acompanhamento médico adequado, a pessoa pode ter uma vida plena”, pontua Mattos. O caso de Nathan Senna Alves, 30 anos, é um exemplo dessa superação. Após passar por três cirurgias cardíacas, ele hoje leva uma vida normal, é casado e pai, evidenciando que, com tratamento, a condição não precisa limitar o futuro do paciente.
A rede de proteção do SUS
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece suporte integral, desde o ecocardiograma fetal recomendado entre a 24ª e 28ª semana de gestação até o Teste do Coraçãozinho, realizado ainda na maternidade. Quando um problema é identificado, o paciente é inserido em uma linha de cuidado que garante desde o acompanhamento clínico até cirurgias de alta complexidade. Projetos filantrópicos, como a instituição Pró Criança Cardíaca, também desempenham papel vital ao complementar o acesso à saúde especializada, provando que o investimento no cuidado precoce é a estratégia mais eficaz para preservar vidas.
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Fonte: News Rondônia