Os bloqueios em rodovias da Bolívia começaram a afetar o abastecimento de combustíveis e insumos hospitalares em diferentes regiões do país após cerca de 15 dias de manifestações concentradas principalmente nos departamentos de La Paz, Cochabamba e Oruro. A crise também elevou a tensão política no país andino, com mobilizações avançando em direção à sede do governo.
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No sábado, forças de segurança bolivianas foram acionadas para dispersar manifestantes que ocupavam trechos estratégicos das rodovias. A ação ocorreu após determinação do governo diante dos impactos logísticos e do risco de desabastecimento em algumas localidades.
Entidades e setores políticos bolivianos acusam o ex-presidente Evo Morales de estar por trás das mobilizações. Os grupos ligados ao ex-mandatário seguem organizando marchas e bloqueios em diferentes regiões do país.
FOTOS = EFE, APG Y RRSS
Segundo o jornal boliviano El Deber, mesmo após operações policiais para liberar algumas vias, novos bloqueios voltaram a surgir em pontos estratégicos das estradas bolivianas.
“A pesar de haber logrado despejar más de 15 puntos de bloqueo en la ruta hacia Laja, otros sectores retomaron el cierre de vías estratégicas, incluyendo las carreteras hacia el lago Titicaca, Oruro y Cochabamba. El contingente que avanzaba por la ruta La Paz-Oruro llegó hasta cercanías de Calamarca, pero decidió replegarse para evitar un posible choque con una marcha evista que se dirige a la sede de gobierno”, informou o veículo.
As manifestações ocorrem em meio ao agravamento das disputas políticas internas no país e ampliam a preocupação das autoridades bolivianas com os impactos econômicos e sociais causados pela interrupção do transporte rodoviário. De acordo com o porta-voz do Palácio Quemado, as ações da polícia seguem sem o uso de armas letais, e o governo espera encerrar os conflitos sem vítimas fatais.
Segundo informações da Agência Brasil, os protestos ganharam força após a promulgação da chamada Lei 1.720, conhecida por setores sociais como “Lei da Terra”. A medida alteraria regras relacionadas à regulamentação de pequenas propriedades rurais e gerou temor entre indígenas e camponeses sobre possíveis perdas de terras e aumento da especulação imobiliária.
Imagem – APG
Com o avanço das manifestações, houve adesão de professores, trabalhadores e setores ligados à mineração, ampliando a pressão política contra o governo. Os atos, iniciados ainda em abril, contam com a participação de milhares de indígenas bolivianos que seguem em direção a La Paz pedindo a revogação da lei, especialmente a partir dos departamentos de Beni e Pando, ambos conectados ao estado de Rondônia. Outros grupos também aderiram às mobilizações ao longo das rodovias que ligam diferentes regiões do país à capital administrativa boliviana.
Sem apresentar provas públicas até o momento, setores do governo apontam o ex-presidente Evo Morales como um dos incentivadores das manifestações. O governo também afirma investigar possíveis ligações entre grupos radicais e o financiamento do tráfico de drogas. Já os movimentos sociais acusam o governo de ampliar a crise política e econômica enfrentada pelo país.
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Fonte: News Rondônia