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BBC revela ligação entre Mosquini e fazendeiro multado pelo Ibama após ofensiva contra fiscalização por satélite

Reportagem mostra que o deputado federal Lúcio Mosquini, autor de proposta que enfraquece autuações ambientais por sensoriamento remoto, recebeu doações eleitorais de empresário rural posteriormente punido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis com multa de R$ 5,5 milhões por suposto crime ambiental.
Uma reportagem publicada pela BBC News Brasil revelou que o deputado federal Lúcio Mosquini, autor do projeto aprovado pela Câmara que restringe autuações ambientais feitas com base em imagens de satélite, recebeu doações eleitorais de um empresário posteriormente autuado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis por infração ambiental.
O empresário citado é Sérgio Botelho Teixeira, produtor rural que, segundo a reportagem, doou R$ 100 mil à campanha de Mosquini em 2018 e outros R$ 150 mil em 2022. Conforme os dados apresentados pela BBC, o empresário não realizou contribuições financeiras para outros candidatos nos mesmos períodos eleitorais.
A publicação também aponta que a relação entre ambos extrapolou o campo político. Em 2024, Teixeira recebeu a Medalha do Mérito Legislativo em solenidade realizada no Congresso Nacional, homenagem concedida por indicação do próprio parlamentar rondoniense.
O nome do empresário voltou ao centro do debate após documentos judiciais obtidos pela BBC mostrarem que uma fazenda localizada no Tocantins, pertencente a Teixeira e familiares, foi alvo de autuação do Ibama em dezembro de 2025. O órgão ambiental aplicou multa de R$ 5,5 milhões por suposta utilização irregular de área destinada à reserva legal da propriedade.

A matéria também destaca que Mosquini possui atuação no agronegócio. Na declaração de bens entregue à Justiça Eleitoral em 2022, o deputado informou ser proprietário de quatro imóveis rurais avaliados em cerca de R$ 4,2 milhões.
O projeto defendido pelo parlamentar gerou críticas de ambientalistas e especialistas da área ambiental. A proposta reduz o alcance de autuações baseadas exclusivamente em sensoriamento remoto por satélite, ferramenta considerada estratégica por órgãos de fiscalização para identificar desmatamentos e ocupações irregulares em áreas protegidas da Amazônia e de outros biomas brasileiros.
O deputado federal Lúcio Mosquini comemorou a aprovação, no plenário da Câmara dos Deputados, do PL-2564/2025, proposta de sua autoria que limita embargos ambientais baseados exclusivamente em imagens de satélite. O parlamentar classificou a medida como uma “luta contra as injustiças” enfrentadas por produtores rurais.


Em publicação nas redes sociais, Mosquini afirmou que o projeto representa uma vitória para trabalhadores do campo e criticou autuações automáticas realizadas sem vistoria presencial. Segundo ele, produtores vêm sendo penalizados por “erros de sistema, imagens imprecisas e decisões automáticas sem o devido processo legal”. “O produtor rural não pode continuar sendo penalizado sem direito à defesa”, declarou o deputado ao celebrar a aprovação da matéria.
Mosquini também afirmou que o texto busca ampliar a segurança jurídica no campo e garantir transparência nos processos de fiscalização ambiental. “Seguimos firmes em defesa de quem planta, cria e ajuda a alimentar o Brasil”, escreveu.
A proposta aprovada pela Câmara gerou reação de ambientalistas e especialistas em fiscalização ambiental, que apontam risco de enfraquecimento das ações de combate ao desmatamento conduzidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis e outros órgãos ambientais por meio de sensoriamento remoto.
Link da reportagem: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cn9qlwy8zevo.amp

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Fonte: News Rondônia

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