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Artista de RO é selecionada para expor obras no Carrousel du Louvre, em Paris

Artista plástica de Rondônia leva suas pinturas para o Carrossel do Louvre em Paris
A artista plástica e professora de pintura Jessica Ribeiro encontrou na arte, ainda na infância, uma forma de expressão. Moradora de Porto Velho, ela ensina pintura para crianças e adultos e agora se prepara para levar o trabalho que desenvolveu em Rondônia para o Carrousel du Louvre, em Paris, na França.
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Ao g1, a artista contou que esta não é a primeira vez que expõe fora do país. A primeira experiência internacional ocorreu em Portugal, em 2025. Antes de chegar a Paris, porém, a relação de Jessica com a arte começou ainda na infância.
“Quando criança, gostava de praticar, fazendo desenhos, olhando, copiando traços que eu queria aprender. Mas para eu me sentir artista, foi algo que foi crescendo dentro de mim e algo que eu fui aprimorando até eu perceber que aquilo era algo que realmente fazia parte de quem eu sou”, conta.
Jessica Ribeiro, artista plástica de Porto Velho
Mateus Santos/g1 RO
Grande parte do aprendizado veio de forma autodidata, observando outras pessoas e experimentando. Como nem sempre tinha acesso aos materiais adequados, Jessica também precisou improvisar, experiência que, segundo ela, acabou influenciando sua forma de criar.
Com o passar do tempo, foi aprimorando a técnica e, aos 10 anos, teve a primeira oportunidade de fazer aulas de pintura. Foi quando teve contato com a tinta a óleo, técnica que continua presente em seu trabalho.
“A arte faz parte da minha personalidade, está impregnada em mim. Eu não consigo me imaginar longe disso”, conta a artista.
Do pincel ao ensino
Pintura dos alunos de Jéssica Ribeiro em Porto Velho
Mateus Santos/g1 RO
A ideia de ensinar surgiu a partir de algumas experiências que Jessica teve como professora de pintura. A partir dos workshops que passou a oferecer, ela percebeu que também tinha facilidade para ensinar e decidiu abrir o próprio ateliê, onde hoje ministra aulas para pessoas de diferentes idades.
“Eu vi que era algo que eu conseguia fazer, porque você saber pintar, você saber desenhar é uma coisa. Agora, você saber ensinar isso para outras pessoas é diferente. Você tem que ter uma metodologia”, revela Jessica.
Para a professora, ensinar vai além do retorno financeiro. Ao longo dos dois anos de aulas no ateliê, ela percebeu que criou um ambiente de amizade e aprendizado entre os alunos. Além de ensinar técnicas, Jessica também busca dar liberdade para que cada estudante desenvolva a própria criatividade e encontre novos caminhos dentro da arte.
“Eu tenho alunos que já fizeram aulas aqui e hoje se sentem independentes para poder criar suas próprias artes, para poder buscar o seu próprio caminho. Mas é muito legal saber que eles começaram aqui”, revela Jessica.
Pinturas de Jéssica Ribeiro retratando à fauna e aquitetura regional
Reproduação/Redes sociais
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Hobby manual
Em tempos de inteligência artificial (IA), excesso de telas e consumo acelerado de conteúdo, a prática de hobbies manuais, como a pintura e o desenho, ganha ainda mais relevância. Para Jessica, ensinar essas técnicas também é uma forma de oferecer às pessoas um espaço para a expressão das próprias emoções.
Ao g1 a professora e artista visual Amanara Brandão Lube reforçou essa percepção. Segundo ela, a arte vai além de um simples passatempo ou de uma atividade com finalidade comercial. O processo criativo mobiliza habilidades motoras, criativas, imaginativas e emocionais, além de permitir que cada pessoa expresse sua subjetividade e suas experiências de vida.
“O mais importante, muitas vezes, não é a obra final, mas o processo percorrido para chegar até ela. Fazer arte exige que a pessoa esteja inteira, colocando na prática sua história, suas emoções e sua forma de ver o mundo”, explica Amanara.
Para Amanara, em um cenário marcado pela inteligência artificial e pelo consumo rápido de informações, a prática artística representa um momento de pausa e conexão consigo mesmo.
“A arte é uma forma de nos situarmos no mundo diante de tanto estímulo. Mobilizar as emoções, as habilidades manuais e intelectuais para criar algo que está além da lógica da produtividade e do consumo rápido já é um ato de resistência”, afirma.
A especialista também destaca que a arte fortalece a imaginação, considerada por ela uma ferramenta essencial para encontrar soluções, criar novas possibilidades e projetar um futuro diferente.
Outro ponto ressaltado por Amanara é que desenhar e pintar não são habilidades restritas a quem nasce com um “dom”. Segundo ela, o desenvolvimento artístico depende principalmente da prática e do estímulo.
“Os estudos em arte mostram que esse ‘dom’ é um mito. Existem pessoas com mais facilidade, mas ninguém desenvolve uma linguagem artística sem prática e estudo. Qualquer pessoa pode fazer arte”, diz.
Ela lembra ainda que as crianças costumam desenhar, brincar e criar de forma espontânea, mas que, ao longo da vida, muitas acabam perdendo essa liberdade por causa da pressão por perfeição e do medo de errar.
“Nunca é tarde para encontrar ou reencontrar o artista que existe dentro de cada pessoa”, afirma.
Reconhecimento internacional
Jessica Ribeiro, artista plástica expondo em Portugal
Reprodução/Redes sociais
Depois de transformar a paixão da infância em profissão, Jessica agora vive um dos momentos mais importantes da carreira. A artista já expôs em Portugal e se prepara para expor no Carrousel du Louvre, em Paris. A oportunidade surgiu após ela passar por um processo seletivo, algo que, segundo Jessica, sempre sonhou ao acompanhar outros artistas brasileiros e estrangeiros sendo selecionados.
As obras que serão apresentadas são inéditas e foram produzidas especialmente para a exposição, mas mantêm a identidade que Jessica construiu em sua trajetória, com referências a mulheres, à cultura de Porto Velho e à própria história familiar.
Para ela, levar sua arte a Paris também significa apresentar Rondônia e sua cultura a pessoas de diferentes partes do mundo.
“Eu acho muito importante porque é um ponto muito incrível para a vida do artista. Você percebe que a sua arte não vai conquistar somente as pessoas que vivem essa cultura, que se conectam, que já têm uma história, mas também pessoas de uma cultura muito diferente da nossa”, afirma.
Jessica diz ainda que tem curiosidade para saber como o público estrangeiro vai receber suas obras e destaca a possibilidade de compartilhar um pouco da identidade amazônica com quem visitar a exposição.
“É muito interessante poder dividir com essas pessoas um pouco mesmo do que me rodeia. Então, poder ter uma arte minha numa galeria tão famosa como o Carrousel du Louvre é muito incrível”, completa.
Pinturas de Jéssica Ribeiro
Mateus Santos/g1 Rondônia


Fonte:

g1 > Rondônia

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