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Andressa Silva transforma a arte amazônica em resistência cultural em Rondônia

A atriz, diretora criativa e multiartista amazônida Andressa Silva participou do programa Frequência Criativa e emocionou ao falar sobre arte, ancestralidade, identidade rondoniana e os desafios enfrentados por artistas da região Norte. Durante a entrevista, Andressa destacou a importância de fortalecer a cultura local e combater a visão limitada que muitas vezes invisibiliza os artistas amazônicos no cenário nacional.
Natural de Porto Velho, Andressa contou que sua trajetória nas artes cênicas começou oficialmente em 2011, após participar de um curso de formação artística realizado no Teatro Banzeiros. O projeto foi viabilizado por meio de incentivo cultural e acabou se tornando um divisor de águas em sua vida profissional.
“Foi ali que eu entendi que poderia transformar aquilo que sempre esteve em mim em profissão. A arte já fazia parte da minha vida desde criança, mas o curso me mostrou que eu poderia viver disso”, afirmou.
Durante o bate-papo, Andressa relembrou a experiência de morar em São Paulo e como isso despertou ainda mais sua consciência sobre a identidade amazônica e rondoniana. Segundo ela, ao perceber como Rondônia era praticamente desconhecida nos grandes centros culturais do país, nasceu o desejo de fortalecer artisticamente a região.
“Quando fui para São Paulo, percebi como Rondônia era vista de forma invisível. Isso me provocou profundamente e me fez entender a importância de afirmar nossa identidade amazônica através da arte”, explicou.
A artista também falou sobre o orgulho de ser porto-velhense e destacou que a diversidade cultural de Rondônia é uma das maiores riquezas do estado. Para ela, o encontro entre diferentes povos, culturas e ancestralidades construiu uma identidade única na Amazônia.
Ao longo da entrevista, Andressa ressaltou ainda que a arte possui um papel sociopolítico importante, principalmente no combate a preconceitos, estigmas e visões colonizadas sobre a região Norte.
“Não precisamos sair de Rondônia para sermos reconhecidos como bons artistas. Precisamos fortalecer nossa própria cultura e valorizar quem produz arte aqui”, destacou.
Outro tema que ganhou destaque durante o programa foi a presença da mulher amazônida dentro das artes. Andressa falou sobre os desafios enfrentados pelas mulheres artistas, a objetificação feminina e a resistência diária necessária para ocupar espaços culturais e profissionais.
“Ser mulher na sociedade já é, por si só, um ato de resistência. E ser mulher amazônida traz ainda mais desafios, porque existe uma série de estereótipos sobre nossos corpos e nossa identidade”, comentou.
A multiartista também apresentou projetos desenvolvidos ao longo de sua carreira, entre eles a performance “Vácuo”, premiada no Festival Elas por Elas, e o Movimento da Mana, espaço cultural criado para formação artística em Porto Velho.
Hoje, o Movimento da Mana oferece cursos livres de teatro, carimbó, oficinas e atividades culturais voltadas à valorização da arte amazônica. O espaço funciona no bairro Liberdade, em Porto Velho, e já se tornou referência para novos artistas da capital.
“Conhecimento não pode ficar parado. Precisa circular, gerar movimento e alcançar outras pessoas”, afirmou Andressa ao explicar a criação do projeto.
Além das atividades culturais, Andressa segue atuando em espetáculos, produções audiovisuais e projetos independentes ligados à valorização da identidade nortista. Entre os trabalhos recentes estão a contação de histórias “A Menina Encantadeira” e o curta-metragem “Um Sol para Cada Uma”.
Ao final da entrevista, a artista reforçou o convite para que a população acompanhe os projetos culturais desenvolvidos pelo Movimento da Mana e participe das ações que buscam fortalecer a cena artística de Rondônia.
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Fonte: News Rondônia

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