O grupo varejista Americanas S.A. protocolou, nesta quinta-feira (26), um pedido oficial ao Juízo da 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Rio de Janeiro para o encerramento de seu processo de recuperação judicial. A solicitação marca uma etapa decisiva para a companhia, que entrou em crise profunda em janeiro de 2023, após a revelação de “inconsistências contábeis” que somavam R$ 20 bilhões. Na época, as dívidas totais da gigante do varejo alcançavam a marca de R$ 40 bilhões, desencadeando uma das maiores reestruturações financeiras da história corporativa do Brasil.
O movimento para finalizar a recuperação ocorre em paralelo à alienação de ativos estratégicos previstos no plano de pagamento a credores. Ontem (25), a Justiça declarou a Fan Store Entretenimento (BandUP!) como vencedora do leilão da UPI Uni.Co, unidade que detém as marcas Imaginarium e Puket. O certame foi marcado por uma disputa jurídica após a desclassificação da concorrente Solver Soluções Críticas, que apresentou uma proposta financeira superior (R$ 155 milhões), mas cometeu um erro formal ao entregar o envelope da oferta aberto.
Decisão judicial e venda de ativos
A juíza Caroline Rossy Brandão Fonseca invalidou a proposta da Solver, argumentando que o lacre do envelope é uma garantia essencial contra a manipulação de dados e conhecimento prévio de ofertas. Com isso, a proposta da Fan Store foi homologada por R$ 152 milhões. A transferência das ações deverá ocorrer de forma livre de ônus, conforme as diretrizes do Plano de Recuperação Judicial. A venda da Uni.Co é considerada um passo fundamental para que a Americanas consiga levantar liquidez e cumprir os compromissos firmados com seus fornecedores e instituições financeiras.
Apesar do pedido de encerramento, a empresa informou que manterá acionistas e o mercado atualizados sobre os próximos passos burocráticos. O encerramento da recuperação judicial não significa o fim das obrigações, mas indica que a companhia cumpriu as metas de reestruturação de curto prazo e está apta a retomar sua operação fora da tutela direta da Justiça. O mercado financeiro observa de perto a transição, avaliando a capacidade de geração de caixa da “nova Americanas” após o enxugamento de sua estrutura de capital e venda de subsidiárias.
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Fonte: News Rondônia