A morte da menina Valentina Nobre Lima, de 11 anos, no Distrito Federal, e o registro de um caso fatal em Rondônia reacenderam o alerta sobre a Naegleria fowleri, conhecida popularmente como “ameba comedora de cérebros”. Embora a infecção seja extremamente rara, especialistas afirmam que mudanças climáticas, maior capacidade de diagnóstico e o aquecimento de ambientes aquáticos podem favorecer o surgimento de novos casos.
A infecção ocorre quando água contaminada entra pelas narinas, permitindo que o microrganismo alcance o cérebro por meio do nervo olfatório. A doença, chamada meningoencefalite amebiana primária, evolui rapidamente e apresenta alta taxa de mortalidade.
Casos continuam sendo registrados
Desde que foi identificada, entre 1962 e 2023, foram confirmados 488 casos da doença em todo o mundo, segundo estudo publicado no Journal of Infection and Public Health. Aproximadamente 97% dos pacientes morreram.
No entanto, pesquisadores observam mudanças no comportamento da ameba. Casos passaram a ser registrados em regiões onde antes eram considerados incomuns, incluindo países da Europa e áreas mais frias dos Estados Unidos. Em 2025, a Índia registrou mais de 200 casos, o maior surto já documentado da doença.
No Brasil, além do caso recente no Distrito Federal, Rondônia também registrou uma morte provocada pela infecção em abril deste ano, conforme informações da Agência de Vigilância em Saúde do Estado.
Como ocorre a infecção
A Naegleria fowleri vive principalmente em:
Lagos de água doce;
Rios;
Fontes termais;
Piscinas mal conservadas;
Reservatórios com água aquecida.
A infecção não ocorre pela ingestão da água. O risco existe quando a água contaminada entra pelas narinas durante mergulhos, saltos ou outras atividades aquáticas. Em situações mais raras, a ameba também pode infectar pessoas durante procedimentos de irrigação nasal realizados com água não esterilizada.
Especialistas afirmam que crianças e adolescentes são os grupos mais vulneráveis. Além de praticarem mais atividades recreativas na água, acredita-se que a estrutura anatômica das vias nasais facilite a chegada da ameba ao cérebro. A idade média dos pacientes diagnosticados gira em torno dos 12 anos.
Sintomas evoluem rapidamente
Os primeiros sinais costumam surgir entre um e doze dias após a exposição.
Entre os principais sintomas estão:
Dor de cabeça intensa;
Febre;
Náuseas e vômitos;
Rigidez na nuca;
Convulsões;
Confusão mental;
Alucinações;
Sonolência;
Perda da consciência.
Como os sintomas iniciais são semelhantes aos da meningite, o diagnóstico costuma ser difícil e frequentemente ocorre quando a doença já está em estágio avançado.
Diagnóstico precoce aumenta as chances de sobrevivência
Apesar da elevada mortalidade, especialistas destacam que o diagnóstico precoce e o início imediato do tratamento aumentam as possibilidades de sobrevivência. Durante o recente surto registrado no estado de Kerala, na Índia, mais da metade dos pacientes sobreviveu após receber atendimento rápido e protocolos específicos de tratamento, resultado muito superior ao histórico mundial.
Como reduzir o risco
Especialistas recomendam algumas medidas simples para diminuir as chances de infecção:
Evitar que água doce aquecida entre pelo nariz durante mergulhos;
Utilizar clipes nasais ao praticar atividades em lagos ou rios;
Evitar mergulhos em águas paradas e muito quentes;
Utilizar apenas água destilada, esterilizada ou fervida para irrigação nasal;
Manter piscinas corretamente tratadas e higienizadas.
Embora rara, a doença exige atenção devido à rápida evolução e à gravidade da infecção.
FAQ
O que é a ameba comedora de cérebros?
É o nome popular da Naegleria fowleri, um microrganismo que pode causar uma grave infecção cerebral.
Como ocorre a infecção?
A ameba entra pelas narinas quando água contaminada alcança o nariz durante mergulhos ou outras atividades aquáticas.
Beber água contaminada transmite a doença?
Não. A infecção ocorre apenas quando a água entra pelas vias nasais.
Quais são os principais sintomas?
Dor de cabeça intensa, febre, vômitos, rigidez na nuca, confusão mental, convulsões e perda da consciência.
Como prevenir a infecção?
Evitando a entrada de água pelo nariz em ambientes de água doce aquecida e utilizando apenas água esterilizada ou fervida para irrigação nasal.
Veja mais notícias
Fonte: News Rondônia