Durante os 580 dias em que esteve preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, de 7 de abril de 2018 a 8 de novembro de 2019, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu 22 entrevistas a veículos brasileiros e estrangeiros e divulgou 22 cartas com conteúdo político e eleitoral, segundo levantamento do Instituto Lula.
Em maio de 2018, já havia meses preso, descartou ser substituído na disputa presidencial: “Admitir um plano B para o PT seria assumir um crime que não cometi.” Em 15 de agosto de 2018, o PT registrou oficialmente sua candidatura à presidência no TSE com Fernando Haddad como vice, enquanto ele ainda cumpria pena.
Rio de Janeiro (RJ), 05/07/2025 – O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o vice-Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
O ex-juiz Sergio Moro acrescentou que Lula recebeu 572 visitas em 2018, incluindo 21 do próprio Haddad, que “concediam longas entrevistas sobre o que Lula havia falado” logo em seguida.
Os dados estão servindo de sustentação jurídica por parte da oposição após o ministro Alexandre de Moraes, do STF, suspender por 90 dias as visitas do senador Flávio Bolsonaro ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar humanitária em Brasília. A medida foi tomada após Flávio ler publicamente uma carta de Bolsonaro em apoio à sua pré-candidatura à presidência.
Em transmissão ao vivo, Flávio usou os dados de Lula para questionar o tratamento diferenciado. “O Lula podia fazer tudo. Deu entrevista, recebia visita todos os dias sem problema nenhum. E qual o critério agora com o presidente Bolsonaro?”.
Flávio também listou as restrições impostas ao pai. Os filhos só podem visitá-lo às quartas e aos sábados, por duas horas. Aos domingos, nenhuma visita é permitida. Os advogados têm acesso uma vez por dia, por 30 minutos. A carta divulgada na semana passada era a quinta escrita por Bolsonaro desde o início da prisão domiciliar.
Fonte: Conexão Política