Na última terça-feira (28), o Agenda News, apresentado pela jornalista Renata Camurça, trouxe uma conversa necessário sobre inclusão escolar e o Transtorno do Espectro Autista (TEA), dentro do contexto do Abril Azul, mês dedicado à conscientização sobre o autismo. A convidada foi a professora e doutora em Educação Patrícia Nogueira, que também é mãe atípica, oferecendo uma visão sensível e, ao mesmo tempo, técnica sobre o tema.
Patrícia compartilhou sua trajetória pessoal, marcada pelo diagnóstico do filho aos três anos de idade. A partir daí, mergulhou nos estudos sobre o autismo e transformou a experiência familiar em missão profissional. Para ela, o diagnóstico precoce foi essencial para o desenvolvimento de seu filho, que hoje apresenta avanços significativos graças ao acompanhamento terapêutico adequado.
Durante a entrevista, a professora destacou que o acesso ao diagnóstico e às terapias ainda é desigual no Brasil, principalmente em regiões mais afastadas. Em localidades como Jaci-Paraná, muitas famílias enfrentam dificuldades para conseguir atendimento especializado, o que impacta diretamente no desenvolvimento das crianças.
Um dos pontos centrais da conversa foi a inclusão escolar. Patrícia foi clara: apesar dos avanços, muitas escolas ainda não estão preparadas para receber alunos com autismo. Ela explicou que inclusão não significa apenas estar presente em sala de aula, mas sim adaptar o ensino, a avaliação e até o ambiente escolar. Entre as estratégias, citou provas com imagens, avaliações orais e ajustes no tempo e local das atividades.
A educadora também ressaltou a importância do Plano Educacional Individualizado (PEI) e do Atendimento Educacional Especializado (AEE), ferramentas que garantem condições reais de aprendizado. Outro desafio, segundo ela, é a falta de capacitação prática dos professores. Muitos profissionais não resistem por falta de interesse, mas sim por sobrecarga e ausência de preparo adequado. Para Patrícia, a formação precisa ir além da teoria e incluir práticas reais, com simulações e soluções aplicáveis ao dia a dia da sala de aula.
Um ponto delicado levantado foi o uso do termo “autista” como ofensa entre estudantes. Patrícia relatou que esse comportamento ainda é comum e precisa ser combatido com informação e conscientização.
Para ela, a escola é o ponto de partida para mudanças reais na sociedade. É lá que se formam valores, se desenvolve empatia e se constrói a inclusão de forma concreta. Apesar das dificuldades, Patrícia acredita no poder transformador da educação e defende políticas públicas mais efetivas para garantir direitos e oportunidades às pessoas com autismo.
A entrevista terminou com uma mensagem forte: é preciso ampliar o debate com base na ciência e na prática, e não apenas em experiências isoladas. “A inclusão começa na escola, mas precisa do apoio de toda a sociedade”, reforçou.
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Fonte: News Rondônia