A esmagadora maioria dos acionistas da Warner Bros. Discovery (WBD) votou a favor da venda da companhia para a Paramount Skydance em uma assembleia extraordinária realizada na manhã desta quinta-feira (23). O acordo, avaliado em US$ 81 bilhões (cerca de R$ 402 bilhões) em valor de mercado e que chega a US$ 111 bilhões (R$ 551 bilhões) incluindo dívidas, representa uma das maiores consolidações da história de Hollywood e do setor de entretenimento global.
Pelo acordo aprovado, os acionistas da Warner receberão US$ 31 por ação em dinheiro, um prêmio significativo sobre o valor de mercado anterior. A fusão foi o desfecho de uma disputa corporativa intensa que durou meses, envolvendo uma oferta hostil da Paramount e uma proposta concorrente da Netflix. A desistência da gigante do streaming no início de março abriu caminho para que o conselho da Warner declarasse a oferta da Paramount como superior.
Impactos na Indústria e Conteúdo
A nova empresa resultante da fusão reunirá um catálogo de propriedades intelectuais sem precedentes. Franquias como “Harry Potter”, “DC Universe” e “Game of Thrones” passarão a compartilhar o mesmo teto com “Top Gun”, “Missão Impossível” e “Star Trek”. Além do entretenimento, a união terá um peso político e jornalístico imenso, colocando as redes CNN e CBS News sob o mesmo comando.
“Amo o cinema e amo o filme. Podem contar com nosso total compromisso”, afirmou o CEO da Paramount, David Ellison, durante a CinemaCon. Ele prometeu manter uma janela de exibição exclusiva nos cinemas de 45 dias e lançar ao menos 30 filmes por ano.
Apesar do otimismo dos executivos, a fusão enfrenta resistência interna. Milhares de profissionais da indústria, incluindo diretores e roteiristas renomados, assinaram uma carta aberta manifestando oposição ao acordo. Eles argumentam que a concentração de mercado levará à perda de empregos, redução de investimentos em produções originais e menos diversidade de conteúdo para o público.
Próximos Passos e Cenário Político
Embora os acionistas tenham dado o sinal verde, a conclusão do negócio, prevista para o terceiro trimestre de 2026, ainda depende de avaliações regulatórias rigorosas. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ) analisa o caso sob a ótica da livre concorrência. Além disso, o cenário político nos EUA adiciona uma camada de incerteza:
Influência de Trump: O ex-presidente Donald Trump tem criticado abertamente a cobertura da CNN e mantém relações próximas com a família Ellison, especialmente com Larry Ellison (fundador da Oracle), que financia grande parte da aquisição.
Investimento Estrangeiro: Documentos revelam que a Paramount garantiu recursos de fundos soberanos da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar, embora estes investidores não tenham direito a voto na nova companhia.
Ação dos Estados: O procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, iniciou uma investigação paralela sobre os impactos da fusão no mercado de trabalho e na economia criativa do estado.
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Fonte: News Rondônia