Se Liga Rondônia
Se Liga Rondônia

A Virtualização da Educação e os Limites Éticos na Formação em Saúde

Como fisioterapeuta do Governo do Estado de Rondônia, professor universitário e coordenador de curso, tenho refletido muito sobre o caminho que a educação vem trilhando e, principalmente, sobre o que ainda precisamos construir.
A verdade é que não existe mais retorno. A educação está em transformação constante, e a virtualização desse processo não é mais uma tendência: é uma realidade consolidada. A sociedade evolui, e a educação precisa acompanhar esse movimento. Negar isso seria, no mínimo, fechar os olhos para o futuro. Mas também não podemos aceitar essa mudança de forma acrítica.
Existem limites. E, na saúde, esses limites são muito claros. Algumas disciplinas do ciclo básico, teóricas e conceituais dialogam muito bem com o ensino remoto. Elas podem, sim, ser ofertadas de forma virtual, ampliando o acesso, democratizando o conhecimento e rompendo barreiras geográficas. Isso é potente. Isso é necessário.
Mas a formação em saúde é, essencialmente, prática!
Não se forma um bom fisioterapeuta, enfermeiro, médico ou qualquer outro profissional da área sem vivência real. Sem laboratório. Sem contato com o paciente. Sem o ambiente hospitalar. Sem o erro supervisionado, o toque, a escuta e o olhar clínico sendo construídos no cotidiano. A legislação brasileira, inclusive, já reconhece isso, e com razão. Não é apenas uma exigência normativa. É uma exigência ética.
Ao mesmo tempo, há um outro espaço onde a virtualização encontra um terreno fértil e extremamente relevante: a pós-graduação.
Na lato sensu e, principalmente, na stricto sensu, o ensino remoto pode potencializar, e muito, a formação crítica, política, intelectual e científica. É nesse espaço que discutimos o SUS, as políticas públicas, a legislação, a gestão, os modelos assistenciais, a articulação entre o público e o privado. É onde amadurecemos o pensamento e ampliamos nossa capacidade de intervenção na realidade.
Eu vivi isso de forma muito pessoal: Tive a honra de validar meu conhecimento por meio do mestrado pela UniLogos University. Foi um processo que, para mim, representou mais do que um título. Foi um momento de reorganizar saberes, de dar sentido à minha trajetória e de compreender que a educação não precisa estar eternamente presa a modelos tradicionais brasileiros para ser legítima. Quando há seriedade, rigor e compromisso, o conhecimento se constrói, independente da distância física, e isso precisa ser dito com responsabilidade.
Nós ainda precisamos avançar muito nas discussões jurídicas e educacionais sobre essas modalidades. Precisamos investir mais em tecnologia, em conectividade, em regulação qualificada e, principalmente, em critérios de qualidade. Não se trata apenas de expandir o acesso. Trata-se de garantir que esse acesso seja responsável.
Como facilitador em instituições públicas, eu sinto, na prática, o quanto esse debate ainda é incipiente, mas também o quanto ele é urgente.
Falar sobre isso é o primeiro passo.
Especialmente quando pensamos no interior do Brasil, no contexto amazônico onde eu vivo e atuo. Aqui, as distâncias são enormes. O acesso é difícil. E encontrar instituições de credibilidade, que realmente entreguem qualidade, é um desafio real. A educação à distância, quando bem estruturada, pode ser uma ponte. Mas, se for mal conduzida, pode se tornar um risco. Eu acredito no equilíbrio!
Acredito numa educação que evolui, que se adapta, que incorpora tecnologia, mas que não abre mão daquilo que é essencial: a formação humana, a prática qualificada e o compromisso com a vida.
No fim das contas, não é sobre ser contra ou a favor da virtualização.
É sobre fazer certo.
Veja mais notícias


Fonte: News Rondônia

+Notícias

Últimas Notícias