O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicou no X, neste domingo (1º), uma mensagem dirigida aos brasileiros na qual justificou sua saída do país, criticou a TV Globo e afirmou ser alvo de perseguição judicial. A manifestação ocorreu uma semana depois da derrota na eleição presidencial e após sua viagem aos Estados Unidos, apesar de uma determinação judicial que proibia deixar o Brasil.
No texto, o parlamentar disse que pretende conceder entrevistas a veículos nacionais e internacionais. Também afirmou não se arrepender de sua atuação política e apresentou a permanência no exterior como uma forma de continuar se manifestando sobre o Brasil.
“Nos próximos dias, vou conversar com grandes veículos nacionais e internacionais. Sem cortes, sem filtro. Quem quiser ouvir, ouvirá o que ninguém mais pode dizer estando no Brasil”, escreveu.
Críticas à Globo antes da exibição do Fantástico
Flávio afirmou ter recebido um convite da Globo para uma entrevista exclusiva. Segundo sua versão, aceitou conversar desde que o conteúdo fosse transmitido integralmente, sem cortes ou restrições de assuntos. O senador declarou que a emissora não prosseguiu com a proposta — a Globo não se manifestou publicamente sobre o caso.
Antes da exibição do Fantástico, ele também acusou a empresa de preparar uma reportagem sem lhe assegurar direito de resposta.
“Se o maior grupo de comunicação do Brasil está com MEDO, não tem a menor condição moral de me julgar ou tentar destruir minha reputação”, declarou.
O programa exibido no domingo abordou as circunstâncias da viagem do senador. A reportagem incluiu uma manifestação de seu advogado, Frederick Wassef, que contestou as informações sobre o deslocamento e negou que a saída do Brasil tivesse sido uma fuga. A apresentação da posição da defesa é um elemento relevante diante da acusação feita por Flávio antes da transmissão.
Da derrota nas urnas à viagem aos Estados Unidos
Flávio disputou o segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito em 25 de outubro. Conforme o resultado divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral, Lula recebeu 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos válidos. O candidato do PL obteve 59.826.041 votos, ou 48,21%.
Na sequência, o senador deixou o país e chegou aos Estados Unidos na quarta-feira (28). Em transmissão realizada na sexta-feira (30), afirmou que a decisão havia sido tomada com a mulher, Fernanda, sem conhecimento de outras pessoas. Também rejeitou a caracterização de fuga e disse que pretendia atuar como uma voz política no exterior.
A apuração sobre a saída de Flávio Bolsonaro, acompanhada pelo News Rondônia, envolve o descumprimento de medidas cautelares determinadas pelo Supremo Tribunal Federal.
Segundo nota da Polícia Federal divulgada em 28 de outubro, o parlamentar havia sido intimado na segunda-feira (26) a entregar seus passaportes — o comum e o diplomático — em 24 horas, mas não cumpriu a determinação. A corporação informou ainda não haver registro oficial de sua saída pelos postos brasileiros de controle migratório.
A PF esclareceu, porém, que restrições relacionadas a documentos de viagem, isoladamente, não caracterizam a condição de foragido nem autorizam prisão ou vigilância permanente. A instituição investiga as circunstâncias do descumprimento das ordens judiciais.
Senador contesta medidas e anuncia novas entrevistas
Na mensagem, Flávio alegou que as medidas cautelares foram determinadas sete minutos depois do anúncio do resultado eleitoral — versão que não foi confirmada de forma independente; o que se sabe documentalmente é que a PF representou ao STF pela adoção das medidas no próprio dia 25 de outubro. Disse também que recebeu a intimação ao deixar a residência do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O senador classificou os procedimentos como perseguição e questionou a imparcialidade da Justiça. Essas afirmações representam sua versão dos acontecimentos, não uma conclusão das investigações.
Embora a publicação faça referência a uma revista em pertences de suas filhas, o STF havia informado, em 28 de outubro, que não existia mandado de busca e apreensão contra Flávio ou seus endereços. Portanto, o trecho não comprova que tenha ocorrido uma operação policial em sua residência.
Ao encerrar a mensagem, o parlamentar anunciou novas entrevistas, mas não informou uma data para retornar ao Brasil.
Confira na íntegra:
“Fui procurado por vários veículos nesta semana, inclusive pela Rede Globo, que me convidou para uma entrevista exclusiva. Aceitei com uma condição simples: que fosse exibida na íntegra, sem cortes e sem temas proibidos. A emissora preferiu não seguir adiante. Pelo que tudo indica, o Fantástico deste domingo vai exibir uma longa reportagem a meu respeito, sem me dar o direito de resposta. Se o maior grupo de comunicação do Brasil está com MEDO, não tem a menor condição moral de me julgar ou tentar destruir minha reputação. Não sai do Brasil, sai pelo Brasil! Sonhei com a mudança do nosso país para melhor e, no domingo, apenas sete minutos após o anúncio do resultado das eleições já havia uma decisão judicial com medidas cautelares contra mim, com base em mentiras. Doze horas depois e no meio da rua, fui intimado do início da perseguição, ao deixar a casa do Presidente Bolsonaro. Tudo diante do olhar lacrimejado de um pai, com comorbidades, que está condenado a mais de 27 anos de prisão – sem ter cometido crime algum – e que já sofre pela distância de outro filho que não vê há mais de um ano e meio, em função da perseguição ilegal e arbitrária que também sofre. Isso não é democracia e está muito longe de ser um processo judicial justo e imparcial. Ao menos estou num país onde posso manifestar livremente minha opinião, não serei alvo de um juíz que acordou com vontade de fazer o mal e enviou a sua polícia à minha casa para revirar as calcinhas das minhas filhas na gaveta. Fui candidato à Presidência enfrentando todo um sistema que quer as coisas continuem como estão no Brasil: ótimas para eles, mas muito piores para você. Não me arrependo de absolutamente nada do que fiz e deixo uma reflexão: “Não há remédio eficaz no Brasil para cessar violações a Diretos Humanos.” (Cristiano Zanin, em 7/Ago/2016). Nos próximos dias, vou conversar com grandes veículos nacionais e internacionais. Sem cortes, sem filtro. Quem quiser ouvir, ouvirá o que ninguém mais pode dizer estando no Brasil.”
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