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Política

Ex-agente de inteligência e vans: os detalhes investigados sobre a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil

6 minutos de leitura

Reportagem do Fantástico apresentou registros migratórios e informações sobre deslocamentos do senador e de sua família. Polícia Federal investiga as circunstâncias da viagem e a possível participação de um ex-integrante da inteligência israelense.

A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil, após o segundo turno das eleições presidenciais, passou a ser investigada pela Polícia Federal. Uma reportagem exibida pelo Fantástico, da TV Globo, no domingo (1º de novembro de 2026), apresentou novos detalhes sobre os deslocamentos do parlamentar, de seus familiares e de pessoas que podem ter participado da organização da viagem.

Entre os pontos destacados estão registros migratórios na Argentina, a utilização de aviões particulares e vans e a possível participação de Menachem Booky Halevy, identificado na reportagem como ex-integrante do serviço de inteligência de Israel.

As informações apresentadas fazem parte de uma investigação cujas circunstâncias ainda precisam ser esclarecidas pelas autoridades.

Registros migratórios levantam questionamentos Um dos aspectos que chamaram a atenção dos investigadores foi a existência de três registros de entrada na Argentina em nome de Flávio Bolsonaro, em um intervalo de aproximadamente 34 minutos.

Segundo a reportagem do Fantástico, os registros foram realizados às 22h37, às 22h40 e às 23h11. Os documentos utilizados teriam sido, respectivamente, um passaporte italiano, uma carteira de motorista e um passaporte brasileiro.

De acordo com a matéria, apenas o primeiro registro permaneceu válido.

A sequência dos registros levantou dúvidas sobre o meio de transporte utilizado pelo senador para chegar ao território argentino e sobre a razão de seu nome aparecer em registros relacionados a deslocamentos terrestres.

A Polícia Federal busca esclarecer como o parlamentar deixou o Brasil diante das restrições judiciais mencionadas no caso.

Qual teria sido o trajeto até a Argentina?

De acordo com a reconstrução apresentada pelo Fantástico, uma das rotas investigadas aponta que Flávio Bolsonaro teria deixado Brasília às 5h05 de terça-feira, 27 de outubro, em um avião particular.

A aeronave teria pousado às 8h40 em San Fernando, na região metropolitana de Buenos Aires. Posteriormente, o senador teria seguido em outro voo privado para Puerto Iguazú, cidade argentina próxima à fronteira brasileira.

A esposa do parlamentar, Fernanda Bolsonaro, e as duas filhas do casal teriam realizado um percurso diferente. Segundo a reportagem, elas viajaram de avião até Cascavel, no Paraná, e, por volta das 20h, seguiram de van em direção à fronteira de Foz do Iguaçu.

A principal hipótese apresentada na reportagem é que Flávio tenha chegado a Puerto Iguazú por via aérea e permanecido na aeronave enquanto aguardava a chegada dos familiares.

Essa possibilidade, entretanto, precisa ser confrontada com os registros migratórios que associam seu nome a deslocamentos terrestres.

Quem é o ex-integrante da inteligência israelense citado no caso?

Outro elemento da investigação é a possível participação de Menachem Booky Halevy, identificado pelo Fantástico como ex-integrante do serviço de inteligência de Israel.

Segundo a reportagem, ele estaria em uma segunda van que atravessou a fronteira sete minutos antes do veículo associado à família de Flávio Bolsonaro.

A Polícia Federal investiga uma possível participação de Halevy na organização da viagem do senador.

Em 30 de outubro, a CNN Brasil já havia noticiado informações sobre a possível presença de um ex-integrante da inteligência israelense na operação. Segundo a emissora, o homem teria chegado ao Brasil em 19 de outubro, antes do segundo turno das eleições.

A CNN também mencionou a hipótese de apoio logístico internacional.

É importante ressaltar que a possível participação do ex-agente e as circunstâncias de sua atuação dependem da apuração das autoridades. A existência de informações sobre seus deslocamentos, por si só, não comprova a prática de irregularidades.

Viagem aos Estados Unidos Depois da passagem pela região de Puerto Iguazú, Flávio Bolsonaro e seus familiares teriam seguido para os Estados Unidos em uma aeronave particular.

Conforme informações divulgadas pela CNN Brasil, o avião seria um Gulfstream G400 operado pela empresa argentina Baires Fly.

O trajeto teria incluído uma escala em Guayaquil, no Equador, antes da chegada à Flórida. O desembarque teria ocorrido na quarta-feira, 28 de outubro, no aeroporto executivo de Opa-locka, na região de Miami.

O jornal argentino Clarín também publicou informações sobre a suposta utilização de diferentes aeronaves e veículos durante o deslocamento.

A publicação mencionou ainda a possível participação de representantes ou agentes dos Estados Unidos em território argentino. Essas alegações, conforme o material apresentado, não foram confirmadas oficialmente pelos governos envolvidos.

O que diz a Polícia Federal?

A Polícia Federal confirmou, em 28 de outubro, que investiga as circunstâncias da saída de Flávio Bolsonaro do Brasil.

Segundo as informações reproduzidas na reportagem, não foram encontrados registros oficiais da passagem do senador pelos postos brasileiros de controle migratório.

A corporação também informou que os passaportes brasileiros comum e diplomático foram cancelados após a decisão judicial mencionada no caso.

Em nota divulgada à imprensa, a Polícia Federal esclareceu: “A existência de restrições relacionadas a documentos de viagem, por si só, não caracteriza a condição de foragido nem autoriza a realização de prisão, vigilância permanente ou outras medidas cautelares”.

A manifestação é importante para distinguir a existência de restrições relacionadas a documentos de viagem de uma eventual condição jurídica de foragido, que não pode ser presumida apenas com base nas informações sobre a viagem.

A investigação também ocorre no contexto de apurações envolvendo suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas ao senador e ao advogado Willer Tomaz. Ambos negam irregularidades.

O que diz a defesa de Flávio Bolsonaro?

Segundo a cobertura do Fantástico, o advogado Frederick Wassef contestou a caracterização da viagem como fuga.

A defesa questiona, portanto, a forma como os acontecimentos foram apresentados publicamente. As circunstâncias da viagem, os registros migratórios e a eventual participação de terceiros continuam sendo pontos relevantes para o esclarecimento do caso.

A saída do senador ocorreu depois do segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 25 de outubro, quando Flávio Bolsonaro foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva.

Conforme a reportagem, havia uma decisão atribuída ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinando a entrega dos passaportes e proibindo a saída do território nacional.

A Polícia Federal investiga como o deslocamento teria ocorrido diante das restrições mencionadas.

Investigação busca esclarecer os fatos O caso reúne questões que ainda precisam ser esclarecidas: a sequência dos registros migratórios argentinos, os meios de transporte utilizados, a participação de terceiros e as circunstâncias em que o senador deixou o Brasil.

Até que a investigação apresente conclusões, é necessário distinguir informações documentais, hipóteses investigativas e alegações ainda não confirmadas oficialmente.

O esclarecimento desses pontos caberá às autoridades competentes, respeitando o direito de defesa e a presunção de inocência.

Fontes consultadas e mencionadas no texto original: Fantástico, da TV Globo; CNN Brasil; jornal argentino Clarín; e Polícia Federal.


Fonte: Tribuna Popular