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Cacoal, Pimenta e Região Cidades

Ciesse Batista Firme – Cacoal se despede de pioneira que transformou sua história de vida em um legado de amor, fé e poesia

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Pioneira de Rondônia, poetisa e exemplo de superação, Ciesse chegou ao estado em 1975, ajudou a desbravar a região e, aos 65 anos, realizou o sonho de escrever um livro contando sua própria história.

Cacoal se despede de uma mulher cuja história se confunde com a própria trajetória de construção de Rondônia. Ciesse Batista Firme, pioneira que chegou ao estado em 1975, vinda do Espírito Santo, construiu uma trajetória marcada pelo trabalho, pela dedicação à família, pela fé e pelo amor à vida.

Ao lado do esposo, Geraldo Firme (in memoriam), participou de uma época em que desbravar Rondônia significava enfrentar desafios, trabalhar duro e construir caminhos onde muitas vezes ainda não havia quase nada. Com as mãos calejadas pelo trabalho, viveu no sítio até 1985, quando a família passou a morar na cidade de Cacoal. Sua história também foi construída em Rolim de Moura, onde deixou marcas de uma vida de trabalho e dedicação.

Moradora de Cacoal, Ciesse também teve uma história especial com a educação. Foi aluna da Escola Clodoaldo Nunes de Almeida e, em uma demonstração de perseverança e determinação, concluiu o ensino fundamental aos 65 anos de idade.

Mas sua vontade de aprender e deixar um registro de sua passagem pelo mundo não parou por aí. Depois de concluir os estudos, realizou um sonho: escreveu o livro “Viver a Vida e Saber Viver”, uma obra de aproximadamente 70 páginas na qual contou sua própria história, desde a saída do Espírito Santo até a chegada e a construção de uma nova vida em Rondônia.

Mais do que um livro, deixou um testemunho de superação, memória e ensinamentos para as futuras gerações. Entre suas poesias, destaca-se “Nossa Vinda para Rondônia”, que retrata a história de milhares de famílias que, na década de 1970, enfrentaram longas viagens em caminhões adaptados, conhecidos como paus de arara, cobertos por lonas. Muitas passavam dias e até semanas nas estradas, trazendo consigo filhos, pertences e sonhos de uma nova vida na Amazônia. Em seus versos, Ciesse eternizou a coragem e a história de uma geração que ajudou a desbravar Rondônia.

Apaixonada pela natureza, pelo meio ambiente e pela Amazônia, Ciesse cultivava um carinho especial pelas crianças, pela família e pelas coisas simples da vida. Tinha na poesia uma forma de expressar sentimentos, transmitir ensinamentos e eternizar experiências. Também escreveu sobre a beleza da Amazônia e a reconstrução da histórica Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, entre tantas outras poesias que ficaram registradas em sua obra.

Na vida familiar, Ciesse encontrou uma de suas maiores realizações. Ao lado do esposo, Geraldo Firme (in memoriam), construiu uma família alicerçada no amor, na fé, no respeito e nos valores que transmitiu ao longo da vida. Deixou cinco filhos: o jornalista de Cacoal Clóvis Firme, Leni Batista, Ledir Batista, Lea Batista e Fábio Firme, pastor da Igreja Batista Novo Tempo. Seu legado familiar se estende aos netos e bisnetos, gerações que carregam consigo suas histórias, ensinamentos e o carinho de uma mulher que fez da família uma das maiores razões de sua existência.

Sua partida deixa saudades, mas também uma história que merece ser preservada. Uma mulher que chegou a Rondônia em busca de uma nova vida, ajudou a construir sua história com trabalho e coragem e, já na maturidade, encontrou na educação e na literatura uma maneira de eternizar sua caminhada.

Ciesse Batista Firme deixa muito mais do que lembranças. Deixa uma família, uma história de pioneirismo, um livro, poesias e um legado de amor à vida.

Sua história agora também faz parte da memória de Cacoal e de Rondônia.

Nossa eterna gratidão por tudo o que você viveu, construiu, ensinou e contribuiu. Suas mãos ajudaram a construir uma história, e suas palavras ajudaram a eternizá-la. 


Fonte: Tribuna Popular