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Brasil e Mundo Política

‘Sobrevivente’, ‘estadista’, ‘ressaca à vista’: a vitória de Lula na imprensa internacional

4 minutos de leitura

Financial Times: ‘Após vitória acachapante, Lula enfrentará ressaca pesada’
Os principais veículos da imprensa internacional estão dando grande destaque à vitória eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que terá o seu quarto mandato presidencial após derrotar Flávio Bolsonaro (PL).

O site do jornal americano The New York Times noticia a vitória de Lula como manchete principal: “Lula é reeleito, enquanto Bolsonaro rejeita resultado”.

De acordo com o jornal, Lula “conteve um movimento de direita” liderado por Flávio Bolsonaro. Problemas no transporte público e “condições climáticas” prejudicaram a votação, acrescenta.

Em outra reportagem, o jornal americano chama Lula de “estadista mais importante da América Latina”.

“Lula surpreendeu no domingo ao protagonizar um retorno espetacular, derrotando seu rival de direita, Flávio Bolsonaro, um aliado do presidente Trump, alinhado a Washington em questões como o uso de força letal no combate a facções criminosas”, diz o jornal.

“A vitória improvável de Lula no Brasil representou uma resposta contundente ao avanço da direita, dando novo fôlego a um movimento de esquerda que parecia estar à beira da extinção na América Latina”, prossegue o NYT.

“Lula ofereceu um exemplo raro de resistência à estratégia de Washington de projetar poder militar e econômico na região, fazendo frente a Trump no momento em que ele tentava pressionar o Brasil com tarifas e sanções”, diz ainda a matéria.

New York Times descreveu Lula como o ‘Estadista mais influente da América Latina’

Financial Times: ‘ressaca pesada’ pela frente

O britânico Financial Times chamou, em artigo do editor para América Latina do jornal, Geoff Dyer, a vitória de domingo de “maior triunfo político” da carreira do presidente brasileiro — mas alerta que “após vitória acachapante, Lula enfrentará ressaca pesada”.

“Ao derrotar Flávio Bolsonaro no segundo turno de domingo, Lula consolidou sua posição como um dos grandes articuladores políticos dos últimos tempos”, diz o jornal.

“Nas eleições para o Congresso há três semanas, partidos de direita ganharam posição dominante tanto no Senado quanto na Câmara dos Deputados (…) Lula será um presidente de esquerda em um país onde o centro de gravidade política deslocou-se para a direita.”

Segundo o artigo, o “maior desafio de Lula” será a economia.

“Há fortes indícios de que a fórmula de Lula para impulsionar o crescimento — que aposta fortemente nos gastos públicos e no endividamento dos consumidores — atingiu o seu limite”, aponta o periódico.

The Economist: ‘O grande sobrevivente’

Economist: ‘Lula, o grande sobrevivente, faz história’

A revista The Economist, que vinha apontando Flávio Bolsonaro como favorito, descreveu Lula nesta segunda-feira como “um grande sobrevivente que fez história”.

“Trata-se, talvez, do retorno mais dramático na história política do Brasil. Luiz Inácio Lula da Silva, que a maioria dos analistas considerava politicamente acabado após o primeiro turno, venceu a eleição presidencial.”

A revista atribui a virada de Lula a três fatores.

Primeiro, uma “reformulação tática”.

“Antes do primeiro turno, Lula conduziu uma campanha desorganizada e analógica, focada em questões que pareciam distantes para muitos eleitores, como agregar valor às exportações de minerais do Brasil”, diz o jornal, que aponta que isso mudou com a reorganização da campanha digital do petista.

Depois, a revista cita a idade de Lula, prestes a completar 81 anos.

“Ele usava um chapéu Panamá para esconder as cicatrizes de uma recente cirurgia para remover células cancerígenas da cabeça, o que lembrava os eleitores de sua idade.” Lula deixou o chapéu para trás no segundo turno.

Em terceiro lugar, aparece o desempenho de Lula e Flávio nos debates.

“Dois debates na TV ajudaram a trazer à tona o passado nebuloso (de Flávio) — especialmente suas supostas ligações com as milícias do Rio de Janeiro.”

Veja outras manchetes

Lula derrotou Bolsonaro, destacou o The Guardian

Jornal francês Le Monde fala em dia de votação ‘caótico’

O jornal britânico The Guardian e o jornal francês Le Monde também destacam a vitória do petista na manchete.

O Le Monde destaca no título o dia “caótico” de votação, depois de uma decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), prolongando o horário de votação após ação da campanha petista denunciando que o transporte público estava sendo restrito em algumas cidades.

“Lula vence a eleição com 51,78% dos votos contra Flavio Bolsonaro, ao final de um dia de votação caótico”, diz a manchete do jornal francês.

O jornal argentino Clarín também deu amplo destaque à vitória de Lula, com manchete e vários outros destaques a matérias e análises sobre o resultado eleitoral no Brasil.

O argentino Clarín deu amplo destaque ao resultado eleitoral: “Lula de volta”
(BBC)


Fonte: Tribuna Popular