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COLUNA BOCA MALDITA – VEREADOR PODEROSO

11 minutos de leitura

ELEIÇÕES 2026
O primeiro turno das eleições foi encerrado. Então, os eleitores brasileiros voltarão às urnas em 25 de outubro para decidir quem será o presidente da república nos próximos 4 anos. Se depender dos eleitores de Rondônia, Flávio Bolsonaro já teria sido eleito, já que o senador obteve quase 70% dos votos no estado, o que não ocorreu no Brasil. Entretanto, como se sabe, Rondônia nunca teve peso de decisão em eleições para o cargo de presidente, o que não significa que isto será mantido, uma vez que a decisão do primeiro turno foi a mais apertada da história. Em muitos estados, a tendência é que a diferença a favor do presidente Lula seja ainda menor, uma vez que estão fazendo de tudo para mudar o jogo, o que deixa o cenário deste momento completamente indefinido. No dia 4 de outubro, mais de 30 milhões de brasileiros não compareceram para votar, registrando um número recorde de abstenções no país e Lula quer atrair esse eleitorado. Assim,  Lula e apoiadores estão numa luta ferrenha para virar o jogo e muitas personalidades conhecidas foram aclamadas para entrar na campanha pela reeleição de Lula e mostrar os benefícios que o governo proporcionou às pessoas mais pobres, fato que entendem tem potencial para mudar a opinião de muitos eleitores. Outro fato que pensam ser determinante para uma possível virada de Lula é a aprovação da jornada de trabalho no Brasil. Lula  insiste para que entre em discussão no Senado Federal ocorra nesses dias. Lula e o governo defendem que os trabalhadores precisam ter 2 dias de folga para cuidar da família, mas os opositores do governo querem impedir a votação do projeto e alegam que a medida deveria ter entrado em discussão bem antes. Assim, a única coisa que podemos afirmar sobre o cenário da eleição nacional é que muita água vai rolar até o dia 25 de outubro à noite.
NOVO GOVERNADOR

Em Rondônia, o senador Marcos Rogério foi eleito, no primeiro turno com 56,86% dos votos, um resultado que nunca tinha acontecido no estado. Os números oficiais apresentados após a apuração revelam que o eleitor rondoniense está muito insatisfeito com a classe política, já que 274.695 eleitores simplesmente deixaram de votar. Além disso, mais de 45 mil pessoas votaram branco ou nulo, o que representa quase 320 mil votos que não foram dados para nenhum dos candidatos. Esses dados indicam que o rondoniense perdeu o interesse pelas eleições e pela política. O problema é que, no dia a dia de todas as pessoas que vivem no estado, as decisões políticas é que definem os rumos de Rondônia. Passado esse primeiro momento, é necessário que todos os políticos façam uma profunda reflexão, porque o estado precisa caminhar. Isto implica cobrar do novo governo que as promessas feitas durante a campanha sejam cumpridas, principalmente as promessas voltadas para o setor de saúde, infraestrutura, educação, segurança e outros. A coluna deseja que o mandato do governador eleito Marcos Rogério seja voltada para a implementação de políticas públicas que efetivamente resolvam os problemas da sociedade, porque a ausência de boas políticas públicas pode causar duros sofrimentos à população, principalmente para as pessoas menos favorecidas que estão todos os dias nas portas dos hospitais, mas que não encontram uma resposta satisfatória dos políticos que se apresentam como candidatos que vão resolver os problemas.
DOUTOR VASQUES

Muitas pessoas do estado de Rondônia talvez não saibam da estreita ligação que existe entre o novo governador eleito, Marcos Rogério e o ex-diretor do Complexo de Saúde de Cacoal Marco Aurélio Vasques, o Dr. Vasques, como é mais conhecido. Durante o período em que Vasques chefiou o sistema de saúde do estado em Cacoal, não há nenhuma dúvida de que a estrutura funcionava muito melhor do que atualmente. O Hospital Regional de Cacoal tinha uma quantidade muito maior de leitos de UTI e o HEURO não sofria com tantas pessoas colocadas nos corredores. A vitória de Marcos Rogério pode, sim, ser uma maneira de mudar um pouco a realidade do Polo de Saúde II, que hoje está em situação muito precária, embora o Secretário de Estado da Saúde seja de Cacoal. Com grande potencial técnico e conhecedor  da realidade, Marco Aurélio Vasques, no mínimo, será uma das pessoas mais próximas do novo governador e com enorme poder de influenciar decisões em defesa da saúde pública. Isto não significa que ele será o novo secretário, porque a coluna ainda não ouviu as opiniões do Dr. Vasques. Entretanto, assim que possível, divulgaremos melhores informações sobre como será a relação dele com Marcos Rogério e se ele terá algum cargo no governo. Claro que algumas pessoas podem não gostar do Dr. Vasques, mas negar a capacidade que ele tem para atuar no setor de saúde seria pura tolice. Então, veremos, a partir de janeiro, como ficam as coisas.

BRANCOS E NULOS

No caso dos votos brancos e nulos, é mais um fato que merece profunda reflexão, porque estes eleitores somam quase 50 mil rondonienses. Em termos comparativos, é como se a população inteira do município de Jaru tivesse deixado de votar. Jaru é o sétimo município do estado em número de habitantes e tem cerca de 55 mil pessoas, segundo os dados do IBGE. E esses números são reais, o que deveria ser objeto de grande preocupação da classe política, uma vez que o descrédito só aumentou. Claro que entre quase 50 mil pessoas que votaram em branco ou que anularam seu voto, há diversos aspectos que precisam ser considerados, como o erro na ordem de votação, a falta de acompanhamento das campanhas, que pode levar o eleitor a não lembrar dos números na hora do voto no, além de outros fatores. Mesmo assim, são números alarmantes. É preciso que os políticos avaliem, por exemplo, qual seria o motivo de tantos votos nulos e brancos. Por que alguém sairia de casa para votar nulo ou branco? Entretanto, precisamos pensar muito sobre a realidade política do estado, porque, além desse altíssimo número de votos brancos e nulos, está outro dado preocupante, uma vez que quase 275 mil pessoas deixaram de comparecer para votar. Será que todas essas pessoas estavam fora de seus domicílios eleitorais no dia da eleição? A resposta provavelmente será não. O desinteresse pela eleição pode ser fator preponderante e isto merece uma resposta dos políticos eleitos no estado no dia 4 de outubro.

CONFORMISMO POLÍTICO

Para contrariar a ausência de mais de 274 mil eleitores nas urnas, outro fenômeno merece a reflexão dos rondonienses. A atual Assembleia Legislativa terá, por mais 4 anos, 16 deputados ou deputadas que foram reeleitos e seguirão no poder. Vale destacar que não concorreram à reeleição os deputados Cirone Deiró, Ezequiel Neiva e Rodrigo Camargo. Se eles seriam reeleitos, não é possível afirmar, mas a renovação tão comentada por muitos eleitores ficou muito longe de acontecer. Não dá para imaginar que os 8 deputados novatos irão promover as mudanças que o estado precisa, mesmo porque praticamente não há novidades entre os 8 que novatos que farão parte da nova composição da Assembleia Legislativa, uma vez que praticamente todos eles já ocuparam mandatos como vereadores e outros cargos. Os 16 deputados reeleitos são responsáveis diretos pelo aumento do ICMS em Rondônia, pelo perdão da dívida da Energisa, pelo caos na saúde pública, pelos problemas de falta de estrutura nas escolas estaduais, pela falta de manutenção nas estradas de Rondônia e diversos outros problemas que fazem parte da vida de quem vive nesse estado. A outra opção é pensar que os eleitores de Rondônia estão muito satisfeitos com a atuação da Assembleia Legislativa e que não se importam com os problemas criados pelos atuais mandatários. Como havia cerca de 260 candidaturas, não dá para alegar que a reeleição de 16 deputados aconteceu por falta de opção.

MULHERES NA POLÍTICA

Como já foi divulgado inúmeras vezes, na imprensa, nas redes sociais e mesmo nas rodas de conversas, Rondônia está atrás apenas do Acre, entre os estados onde os crimes contra mulheres acontecem com a maior proporção. Os homicídios praticados contra as mulheres crescem a cada ano em nosso estado, justamente pela ausência ou escassez de políticas públicas em todos os municípios. Além dos homicídios, inúmeros outros crimes como estupro, assédio, abuso e outros são registrados diariamente contra as mulheres rondonienses. Isso sem falar naqueles que não fazem parte das estatísticas oficiais. Mesmo assim, os rondonienses foram às urnas em 4 de outubro e elegeram apenas 3 mulheres para ocupar os cargos de deputadas na Assembleia Legislativa de Rondônia, número menor do que as 5 que foram eleitas em 2022. Na prática, isso significa reduzir, de maneira muito visível, a participação de mulheres nos espaços de poder e decisão em Rondônia e, consequentemente impedir que novas políticas públicas de apoio e proteção às mulheres sejam criadas em nosso estado. E a eleição de 21 homens e apenas três mulheres acontece exatamente num estado em que as mulheres representam a maioria dos eleitores. O fenômeno não é tão difícil de explicar, já que nos últimos 4 anos, quando a Assembleia teve 5 mulheres que encerram o mandato no fim de 2026 e praticamente nenhuma política pública de impacto foi criada a partir de projetos da ALE. Como duas mulheres foram reeleitas, não dá para imaginar que o cenário será muito diferente. Neste caso, a esperança ficará por conta da vitória de Fátima Cleide nas urnas.

SENADO FEDERAL

A partir do início de 2027, o estado de Rondônia será representado por três senadores do Partido Liberal. Atualmente o partido tem o pecuarista Jaime Bagattoli, eleito em 2022 para o mandato de 8 anos. No último dia 4 de outubro foram eleitos Fernando Máximo e Bruno Scheid que também ficarão pelo período de 8 anos nos cargos. A atuação de Bagattoli é conhecida no estado como uma atuação muito aquem, já que ele fez, durante a campanha de 2022, inúmeras promessas que nunca foram cumpridas. Naquele ano, dizia-se que ele seria um senador de muitas realizações, porque é ligado ao setor produtivo do estado, mas nada de extraordinário aconteceu a nivel de Rondônia. Agora, vamos ver como será a atuação da dupla que o PL elegeu em Rondônia. Fernando Máximo já conhecido no mandato de deputado federal e decidiu adotar como bandeira na Câmara dos Deputados apenas um discurso ideológico que nada produz em defesa da população do estado. Bruno Scheid nunca ocupou nenhum cargo público e estreia no Senado Federal para defender a cassação de ministros do STF, o que também não mudará nada na vida de nenhum rondoniense, mesmo porque todo mundo sabe que esta situação pode mudar muito a partir de fevereiro. E não custa nada lembrar que a eleição de Fernando Máximo e Bruno Scheid tirou a grande chance que a deputada Sílvia Cristina tinha para ganhar uma cadeira de senadora. Com um histórico de trabalhos brilhantes no setor de saúde, a saída dela do mandato pode fazer muita gente sentir saudade dos grandes investimentos que ela trouxe para Rondônia.

FEIRÃO DA ADOÇÃO

A prefeitura de Cacoal, em parceria com a Associação Vira Lata Vira Amor, iniciou uma grande campanha de adoção de cães e gatos que vai acontecer no dia 12 de outubro, o dia das crianças. Um grande evento está programado para acontecer no estádio Aglair Tonelli para as comemorações da data e os trabalhos para a adoção dos animais faz parte da programação. A administração do prefeito Tony Pablo tem realizado diversas ações voltadas para a saúde pública e campanha de adoção de animais é algo que faz parte do pacote, porque a saúde dos animais tem influencia direta na saúde da população. A presença de animais nas ruas pode provocar diversas situações que prejudicam a saúde da população e a retirada desses animais é uma medida necessária e muito positiva, já que reduz os maus tratos e cria um clima de humanização. Existem inúmeras famílias que podem ajudar na campanha e adotar animais, principalmente porque são famílias que possuem crianças, e ninguém pode negar que as crianças possuem muito amor pelos animais. Todas as pessoas interessadas em adotar um gato ou cachorro terão a oportunidade de fazer isto no evento organizado pela Associação Vira Lata Vira Amor, com total apoio da Prefeitura de Cacoal, através da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Aliás, a escolha do secretário da pasta do meio ambiente foi realmente uma medida muito acertada do prefeito de Cacoal, porque Elias Nunes tem desempenhado excelente papel e as entregas para a população são visíveis, desde sua nomeação para o cargo.

VEREADOR PODEROSO

As pessoas mais desatentas ou desligadas das discussões políticas certamente ainda não perceberam, mas a eleição de Marcos Rogério para o cargo de governador já começa produzir as primeiras mudanças, mesmo antes da posse do senador no executivo rondoniense. Logo no primeiro dia depois da eleição, um dos vereadores de Cacoal chegou ditando um monte de regras na Câmara Municipal e querendo fazer mudanças em nome do Partido Liberal, liderado no estado pelo governador eleito. Na última segunda-feira, os corredores da Câmara de Cacoal estavam bem agitados em função da conduta que o vereador adotou. Ele exigiu, por exemplo, a exoneração de uma servidora que ocupava um cargo técnico e dos mais importantes para o funcionamento da Casa de Leis, apenas porque não gosta da servidora. Em conversa com a coluna, diversos outros servidores da Câmara Municipal afirmaram que ficaram estarrecidos com a situação, principalmente por se tratar de um vereador que faz discursos dizendo que defende as famílias. Caso o governador eleito não tome as rédeas da situação em Cacoal, ele vai ter que consertar muitos acordos de campanha mesmo antes da posse, porque é muito estranho que esse tipo de situação aconteça num município como Cacoal. Nos próximos dias, a coluna tentará entrar em contato com os dirigentes do PL em Cacoal para saber se o presidente da sigla no município, Celso Popó, vai manter o diálogo com o governador eleito ou se também será tirado da presidência do partido pelo poderoso vereador. Em vez de ficar criando confusões nos corredores da Câmara Municipal, o vereador que promove esse tipo de lambança deveria procurar elaborar projetos para defender as famílias de verdade, porque arruaças não servem para defender famílias e perseguição política não pode prosperar em Cacoal.


Fonte: Tribuna Popular