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Colunas Espaço Aberto

Coluna ESPAÇO ABERTO – Por que a economia esperou a eleição passar?

3 minutos de leitura

Confira as notícias do dia, por Cícero Moura.

DEMITIDOS A exoneração de 698 comissionados da Câmara Municipal de Porto Velho exige uma explicação que vá além do discurso de reorganização administrativa.

Foto: Redes Sociais / Câmara Municipal DEMITIDOS 2 O decreto assinado pelo presidente Gedeão Negreiros em 5 de outubro, um dia depois da votação, foi publicado no dia 7, com efeitos retroativos a 1º de outubro.

Foto: Reprodução / Redes Sociais  QUAL A RAZÃO?

A sequência das datas torna inevitável uma pergunta: por que uma medida dessa dimensão foi formalizada somente depois das urnas?

EXPLICAÇÕES

A administração apresenta justificativas que merecem ser consideradas: equilíbrio orçamentário, adequação do quadro de pessoal às orientações do Tribunal de Contas e continuidade das nomeações de concursados.

RETALIAÇÕES?

São objetivos legítimos. O decreto também afirma que os desligamentos não constituem punição nem avaliação negativa dos servidores atingidos.

JÁ SABIA

Essas razões, entretanto, não esclarecem o momento escolhido. Há um dado especialmente relevante: a necessidade de conter despesas já estava documentada em fevereiro.

JÁ SABIA 2

A Resolução da Mesa Diretora nº 01/2026, publicada naquele mês, registrava repasses inferiores aos previstos e estabelecia medidas de economia, inclusive restrições a novas nomeações e exigência de relatórios mensais sobre a situação financeira.  Portanto, a preocupação com os custos não surgiu depois da eleição.

Foto: Reprodução / Câmara Municipal  OBSERVAÇÃO Isso não significa que as exonerações deveriam necessariamente ter ocorrido em fevereiro. Significa que a Câmara precisa demonstrar o que mudou desde então, quando os estudos recomendaram esse corte e por que sua execução coincidiu com o encerramento do primeiro turno.

DÚVIDAS

Se o quadro já precisava ser reduzido, qual impedimento concreto existia para agir antes? Houve algum fato financeiro novo?

DÚVIDAS 2

Uma determinação recente dos órgãos de controle? Ou a decisão foi adiada para evitar desgaste político durante a campanha?

DÚVIDAS 3 Esta última hipótese é grave e precisa ser esclarecida, sem ser apresentada como conclusão antecipada.

DÚVIDAS 4

A retroatividade acrescenta outra cobrança. Se os desligamentos produzem efeitos desde 1º de outubro, quando os servidores foram comunicados?

DÚVIDAS 5

Como serão tratados os dias eventualmente trabalhados até a publicação? Uma data retroativa no papel não substitui transparência sobre o que aconteceu na prática.

SUPERFICIAL É inaceitável que a população tenha de interpretar decisões dessa magnitude apenas por meio de justificativas genéricas.

EM DETALHES

A presidência deve divulgar os estudos, as datas dos alertas, os critérios de escolha dos cargos atingidos, a economia prevista e o planejamento para manter os serviços.

CLAREZA Quem administra dinheiro público precisa explicar tanto a necessidade da medida quanto a oportunidade de sua adoção.

MP

O Ministério Público deve examinar o caso, requisitando o processo administrativo completo e verificando se houve adiamento deliberado por conveniência eleitoral ou eventual utilização da estrutura de pessoal para interesses de campanha.

Foto: Redes Sociais / MP-RO MP 2 A apuração também deve acompanhar possíveis renomeações, para verificar se a redução anunciada será efetiva e duradoura.

DETALHE

A proximidade com a eleição, isoladamente, não comprova irregularidade. Mas tampouco pode ser ignorada, sobretudo diante de dificuldades financeiras reconhecidas meses antes.

DETALHE 2 Uma investigação pode confirmar a justificativa técnica ou revelar práticas que exigem responsabilização.

RESPEITO

Servidores não podem ser tratados como peças descartáveis de uma estratégia política, e o contribuinte não pode financiar conveniências eleitorais.

TRANSPARÊNCIA Se a decisão foi estritamente administrativa, seus responsáveis devem demonstrá-lo com documentos.

FRASE A responsabilidade com o dinheiro público precisa orientar a gestão antes, durante e depois das eleições.


Fonte: Tribuna Popular