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BOCA MALDITA – ELEIÇÕES 2026

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ELEIÇÕES 2026 No próximo domingo, a população brasileira irá às urnas nos 26 estados e no Distrito Federal, com o objetivo de escolher os mandatários que conduzirão os destinos do país, nos próximos 4 anos. No caso de Rondônia, o estado tem 1.267.105 pessoas aptas a votar. Estes cidadãos e cidadãs terão a missão de decidir quem o será o governador do estado; quem ocupará as 8 cadeiras de deputados/deputadas federais; as 24 cadeiras de deputadas/deputados estaduais; dois senadores ou senadoras e o presidente da república. A ordem de votação será a seguinte: deputado/deputada federal; deputada ou deputado estadual; primeiro/a senador/senadora; segundo/a senador/senadora; governador e, por último, o presidente da república. No caso do governador e presidente, poderá haver o segundo turno, caso o candidato mais votado não tenha 50%, mais um voto. Vale lembrar que, este ano, o Senado Federal vai eleger 2/3 de seus membros para o mandato de 8 anos. É muito importante que o eleitor saiba corretamente a ordem de votação, para evitar errar na hora do voto. Considerando que o eleitor não pode entrar na cabine de votação portando o celular, as pessoas podem levar os números anotados em um papel, porque a Justiça Eleitoral permite levar a cola. Não é permitido o uso do celular na cabine de votação e o descumprimento pode resultar em prisão do eleitor. Esta medida é prevista em lei, porque o voto é secreto.

CANDIDATOS AO GOVERNO Neste domingo, 4 de outubro, os eleitores de Rondônia irão às urnas para escolher o governador que comandará o estado pelos próximos 4 anos. A movimentação de campanha é muito grande nos momentos que se aproxima da hora do voto. Embora o estado de Rondônia tenha a maioria de eleitores do sexo feminino, nenhuma mulher está na disputa pelo cargo. Os nomes que estão à disposição para a escolha da população rondoniense são os seguintes, em ordem alfabética: Adailton Fúria (PSD); Expedito Neto (PT); Hildon Chaves (UNIÃO); Marcos Rogério (PL); Pedro Abib (MDB) e Samuel Costa (PSB). Há entre os candidatos uma coisa em comum, o fato de que todos eles fizeram a graduação em Direito. No caso de Expedito Neto e Marcos Rogério, eles não possuem credencial da OAB. Adailton Fúria foi prefeito de Cacoal e Hildon Chaves foi prefeito de Porto-Velho. Os eleitores ainda terão tempo para pesquisar e conhecer maiores detalhes sobre os candidatos nas redes sociais que eles utilizam na campanha ou mesmo no portal do Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia, onde constam muitas informações sobre todos os candidatos que participam da disputa. Uma boa parte dos eleitores costuma conhecer melhor o perfil e propostas dos candidatos nos debates que são realizados durante a campanha, mas esse ano, os debates não trouxeram grandes novidades, já que as brigas pessoais foram o destaque em todas as ocasiões em que eles se encontraram para discutir sobre Rondônia.

SENADO FEDERAL Na disputa pelas duas cadeiras à disposição no Senado Federal, 10 nomes estão na luta pelos votos dos rondonienses: Acir Gurgacz (PDT); Aires Mota (PV); Bruno Scheid (PL); Fernando Máximo (PL); Thulio Santiago (MISSÂO); Luciana Oliveira (PT); Luís Fernando (PSD); Mariana Carvalho (REPUBLICANOS); Ivaneide Bandeira (PSB); Sílvia Cristina (PP). No cenário da disputa pelas duas cadeiras do Senado Federal, a situação é diferente da disputa pelo governo, porque 4 mulheres muito conhecidas no estado brigam pelos votos. Algumas pesquisas foram divulgadas sobre a eleição de senadores no estado de Rondônia, mas é muito difícil acreditar que os números publicados até hoje representam a realidade, principalmente porque o eleitor vai votar em dois nomes para o Senado Federal. Em geral, os eleitores fazem a opção para votar em um nome em razão da paixão eleitoral e outro por outras razões que podem envolver as condições técnicas dois candidatos. Como todos os nomes na disputa atuam em diferentes setores profissionais e sociais, somente na noite de domingo saberemos quais são os preferidos dos eleitores rondonienses. Claro que todos eles estão dizendo que são favoritos e que ganharão a vaga, mas a decisão oficial cabe a cada eleitor. O senador Confúcio Moura cujo mandato encerra no início do ano de 2027 chegou a fazer diversas articulações políticas que indicavam que ele estaria na briga pela reeleição, mas, poucos dias após as convenções, ele anunciou que estava fora da disputa.

HORA DA VERDADE Como é normal em todas as eleições, diversas pesquisas foram divulgadas nos últimos meses, mas a verdadeira pesquisa vai acontecer no domingo, quando os brasileiros irão às urnas para votar livremente e decidir que serão os representantes escolhidos. Claro que os números divulgados pelos institutos de pesquisas em Rondônia podem não refletir a decisão real da população, mesmo porque as pesquisas registram a intenção de cada pessoa no momento da coleta dos dados. Infelizmente, nem todos os institutos aplicam a metodologia correta ou utilizam dados que não possuem consistência. Mesmo assim, muitos candidatos ou apoiadores usam e abusam dos números, muitas vezes com a clara intenção de confundir o eleitor menos informado. Por esta razão, muitas autoridades que atuam no processo eleitoral já avaliam alterar as normas sobre as pesquisas, já que a evolução tecnológica possibilita a divulgação de números fantasiosos. Em Rondônia, a Justiça Eleitoral vetou a divulgação de algumas pesquisas, exatamente porque os responsáveis deixaram de cumprir normas básicas, fato que gera desequilíbrio nos números apresentados ao público. A verdade é que existem dois ou três institutos que fazem pesquisas eleitorais no estado, mas que nunca levaram a sério o assunto e entraram para o folclore político do estado. Sempre que um desses institutos que gostam de brincar com números divulgam alguma pesquisa, as redes sociais são inundadas de piadas e chacotas, justamente porque falta credibilidade. Mesmo assim, existem eleitores e até candidatos que acreditam e divulgam tais pesquisas com grande empolgação.

CENÁRIO EM ABERTO A campanha mostrou, nos últimos dias, que o conflito entre os ex-prefeito de Cacoal, Adailton Fúria, e o governador Marcos Rocha pode ser um fator determinante na eleição de domingo. Fúria buscou ter o apoio do governo e usufruir da estrutura governamental, para fortalecer seu palanque, porque ninguém pode negar que a máquina administrativa de um estado faz enorme diferença numa eleição. Entretanto, qualquer que seja o governador, todo governo tem suas deficiências e um desgaste natural que gera críticas intensas. O problema é que Adailton Fúria queria ter somente os bônus na relação com o governo, mas não queria assumir que é, sim, o candidato que tem a missão de explicar para os rondonienses os motivos da deficiência do governo em algumas áreas, como saúde e infraestrutura. O resultado foi um racha do grupo de Fúria e o grupo do governador. Hoje, faltando dois dias para a eleição, é visível que as pessoas próximas do governador abandonaram a campanha de Fúria e a maioria foi para o palanque de Hildon Chaves, ex-prefeito da capital. No domingo, saberemos que fez a melhor escolha. A situação certamente não está resolvida, porque existe a possibilidade de acontecer o segundo turno para a eleição de governador e isto implica novos cálculos políticos e novos acordos. Caso a eleição de governador não seja definida no primeiro turno, resta saber quais serão os próximos passos do governador Marcos Rocha e do ex-prefeito Adailton Fúria. A partir da segunda-feira, vamos saber quais foram os resultados e consequências dos conflitos.

TALÂNIA LOPES Os eleitores de todos os estados brasileiros estão muito contaminados pelos visíveis conflitos ideológicos que atingiram todos os setores da sociedade. As brigas e situações de amor e ódio tomaram conta até mesmo de núcleos familiares. É lógico que o clima afetou também os candidatos, porque eles agora brigam de direita e esquerda. Todavia, nem todos os candidatos entraram na disputa ideológica. A advogada e palestrante Talânia Lopes está entre as poucas exceções. Ela utilizou todo o período de campanha para mostrar aos eleitores as ideias e propostas que defende, caso seja eleita deputada estadual. Talânia Lopes foi além: ela usou suas redes sociais para explicar as atribuições de um governador, dos senadores, deputados e algumas das principais instituições que fazem parte da estrutura administrativa do país e dos estados. Em muitas ocasiões, a candidata falou sobre dados estatísticos do estado, demonstrando que realmente está preparada para exercer o mandato com a dignidade que se espera de políticos que disputam as eleições e prometem resolver os problemas da sociedade. Em alguns vídeos divulgados em suas redes sociais, ela destacou a situação da violência contra as mulheres em Rondônia e questionou a dura realidade que vivemos. Rondônia, infelizmente, está no topo da lista dos estados que mais praticam crimes contra as mulheres. Por estes e outros motivos, Talânia Lopes, sem dúvida, receberá os votos dos eleitores que desejam ver o estado de Rondônia trilhar um caminho mais humano e próspero.

MULHERES NA POLÍTICA O estado de Rondônia possui entre seus eleitores uma maioria de mulheres e estes números deveriam ser refletidos por todas as mulheres que vivem no estado e por todos os homens rondonienses. A reflexão se faz necessária porque Rondônia ocupa uma incomoda colocação na lista de crimes contra mulheres no Brasil. Nosso estado fica atrás apenas do Acre nos crimes de feminicídio, uma estatística cruel e vergonhosa para um estado de tem a necessidade de encontrar caminhos para proteger as mulheres. Os dados parecem não incomodar muito, porque os crimes contra as mulheres aumentaram muito em Rondônia, nos últimos dois ou três anos, indicando que pouca coisa tem sido feita para combater essa prática. Uma boa oportunidade para testar a cabeça dos rondonienses será a eleição de domingo, quando muitas mulheres estão na disputa pelas cadeiras da Assembleia Legislativa de Rondônia, Câmara Federal e Senado da República. Entretanto, a tradição política do estado não aponta para uma revolução nas urnas, porque são raras as mulheres que ocupam cargos de vereadoras ou prefeitas nos municípios de Rondônia, prova que nem mesmo as mulheres rondonienses parecem acreditar numa mudança de cenário no qual as mulheres ganham um pouco mais de protagonismo e passem a ocupar espaços de poder. A realidade é um pouco desanimadora, porque os principais municípios de Rondônia, entre eles Porto-Velho, a capital do estado, não possuem histórico de mulheres no cargo de prefeitas. A Assembleia Legislativa do estado, por exemplo, nunca teve uma mulher na presidência e isto não acontece por acaso.

SÍLVIA CRISTINA Nesses últimos dias de campanha, a deputada federal Sílvia Cristina foi vítima de violentos ataques racistas em um áudio que circula em diversos grupos de WhatsApp. Ela foi chamada de macaca no áudio, fato que ilustra o clima de ódio que tomou conta da campanha. Após a divulgação dos áudios, a deputada procurou a Polícia Federal e fez um registro dos fatos, para exigir que os crimes sejam devidamente apurados e que os responsáveis sejam punidos. Ainda não há como afirmar quem é o dono da voz que atacou a deputada e cometeu o crime de racismo, mas a Polícia Federal está no caso e possui toda a tecnologia necessária para esclarecer a identidade do autor. O áudio teria sido endereçado a apoiadores de campanha de outro candidato que concorre ao Senado Federal, mas isto não é suficiente para dizer quem fez a gravação. Depois de buscar os esclarecimentos na sede da Polícia Federal e exigir uma investigação, Sílvia Cristina concedeu uma entrevista e declarou que não vai acusar ninguém, antes que tudo seja devidamente investigado e esclarecido. A decisão da deputada é acertada, porque a gravidade do assunto exige serenidade e maturidade, principalmente porque ela está na disputa por uma cadeira do Senado da República e estas cadeiras precisam ser ocupadas por pessoas honestas e que tenham a capacidade de representar bem o estado de Rondônia que hoje sofre pela ausência de uma bancada séria e preparada para resolver os problemas do estado. A coluna registra a solidariedade que a deputada merece e espera que o crime seja esclarecido.

ELEIÇÕES NO SINTERO Na última quinta-feira, 1 de outubro, aconteceu a eleição para a Diretoria Executiva do Sintero e para os Diretores Regionais nas 11 diretorias que funcionam no estado. Embora haja um clima de forte rejeição em relação aos atuais dirigentes da entidade, os votos apurados na madrugada desta sexta-feira registraram a vitória do grupo que se reveza no poder há várias décadas.  E não se trata de favoritismo ou de bons serviços prestados à categoria. O problema é que somente as pessoas que ocupam o poder no sindicato possuem a estrutura necessária para realizar uma campanha com mais chances de vencer. O Estatuto do Sintero é muito antigo e desigual, as manobras políticas são muito comuns e existe um constante clima de boicote contra todas as pessoas que se mobilizam para tentar mudar a situação. Outro aspecto que revela o descaso com que o sindicato da categoria é tratado é o sistema de votação realizado em sacos que não possuem nenhuma condição de confiabilidade. Caso o Sintero não adote novas e urgentes medidas para transformar a entidade em uma coisa democrática e transparente, a tendência é que o descrédito aumente a cada ano.


Fonte: Tribuna Popular