O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevista à jornalista Christiane Amanpour, da CNN Internacional, que as eleições brasileiras de 2026 representarão uma escolha sobre os rumos políticos e sociais do país. Segundo Lula, o eleitor terá de decidir entre diferentes projetos para a democracia, o meio ambiente, a inclusão social e a cultura. Ao resumir sua avaliação sobre o pleito, o presidente utilizou a expressão “democracia ou barbárie”.
“O que está em jogo hoje não é a escolha de pessoas entre pessoas, partidos entre partidos. O que está em jogo hoje é uma escolha que o povo brasileiro vai ter que fazer. Ou a democracia, ou a barbárie; ou uma política de preservação ambiental ou desmatamento; ou uma política de inclusão social ou o abandono de pessoas pobres; ou o fortalecimento da cultura ou o fim da cultura. É isso que está em jogo”, afirmou Lula.
Durante a entrevista, o presidente também declarou acreditar que vencerá as eleições. “Eu tenho consciência que vou ganhar as eleições, porque o Brasil precisa da democracia”, disse. Na sequência, citou ações de seu governo nas áreas de inclusão social, educação e saúde como parte dos argumentos que sustentam sua avaliação.
Lula também afirmou estar tranquilo em relação ao processo eleitoral e voltou a defender a segurança das urnas eletrônicas brasileiras. Segundo ele, o sistema permite que os resultados sejam conhecidos rapidamente após o encerramento da votação. “A nossa urna é uma urna muito séria. Aliás, o mundo inteiro deveria adotar o sistema eleitoral do Brasil”, declarou.
Lula pede que EUA não interfiram nas eleições
Outro eixo da entrevista foi a relação entre Brasil e Estados Unidos e a possibilidade de influência norte-americana sobre as eleições brasileiras. Lula afirmou que já pediu ao presidente Donald Trump que os Estados Unidos não intervenham no pleito de outubro. “É muito importante que os Estados Unidos não se metam nas eleições do Brasil”, afirmou. Segundo o presidente, Brasil e Estados Unidos mantêm uma relação diplomática de 203 anos e, apesar das divergências, o Brasil não seria um país antiamericano.
Lula acrescentou que as eleições brasileiras devem ser tratadas como uma questão de responsabilidade do eleitorado brasileiro, assim como as eleições norte-americanas seriam responsabilidade dos cidadãos dos Estados Unidos. Ele afirmou ainda que Trump teria dito que não pretende interferir no processo eleitoral brasileiro.
Lula cita Eduardo Bolsonaro e fala em suspeita de interferência
Ao ser questionado por Amanpour sobre a atuação de setores ligados ao bolsonarismo nos Estados Unidos, Lula mencionou o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o classificou como “traidor da pátria”.
“Ele é um dos traidores da pátria. Ele está aqui insuflando os Estados Unidos contra o Brasil. É isso que está acontecendo de concreto”, afirmou o presidente. Lula também mencionou suspeitas relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, dizendo que o assunto ainda seria esclarecido.
A declaração ocorreu após Amanpour perguntar especificamente se Lula se referia a Eduardo Bolsonaro. O presidente confirmou.
Lula também afirmou estar preocupado com a atuação do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, a quem atribuiu proximidade com setores do bolsonarismo. O presidente, entretanto, fez uma ressalva ao dizer que, nesse momento, trata-se de uma suspeita. “Já há indícios de interferência de inteligência artificial. Eu estou muito preocupado com o Marco Rubio, porque o Marco Rubio é muito ligado ao pessoal do bolsonarismo, mas, por enquanto, é só suspeita”, declarou.
Presidente menciona possível influência estrangeira
A preocupação de Lula com uma eventual interferência norte-americana ocorre em meio a informações sobre um relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) encaminhado ao Palácio do Planalto, ao Ministério da Justiça e ao Tribunal Superior Eleitoral. Segundo a CNN Brasil, o documento elevou a possibilidade de influência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras a um “nível de criticidade”.
Na entrevista, porém, Lula destacou que a relação diplomática entre os dois países não deveria ser comprometida por divergências políticas e reiterou que não pretende interferir nas eleições norte-americanas. “As eleições brasileiras são de interesse do povo brasileiro; as dos americanos são de interesse do povo americano.
Portanto, é o povo que vota, é o povo que acerta, é o povo que erra. Mas é da responsabilidade do povo”, afirmou.
Ao longo da entrevista, Lula também voltou a criticar a postura internacional de Donald Trump e defendeu que cada país tenha autonomia para definir seus próprios rumos políticos. A conversa ocorreu em Nova York, durante a viagem do presidente aos Estados Unidos para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas. Informações extraídas da entrevista de Lula a jornalista da CNN Internacional Christiane Amanpour.
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Fonte: News Rondônia