Se Liga Rondônia
Se Liga Rondônia

COLUNA DO XAVIER – CACOAL: AS ALIANÇAS, AS JURAS DE AMOR E AS TRAIÇÕES…

Por Francisco Xavier Gomes 

 
CACOAL: AS ALIANÇAS, AS JURAS DE AMOR E AS TRAIÇÕES…
A campanha eleitoral começa a entrar na reta final. Faltando apenas 20 dias para o primeiro turno das eleições, os bastidores políticos de Rondônia estão bem agitados, e aquele clima de juras de amor eterno, visto na pré-campanha, caminha para perder o encanto. Todos os dias, os casos de traições e flerte com antigos desafetos surgem nas redes sociais, jornais e rodas de conversas. As pessoas que acompanham o universo político estadual certamente não veem nenhuma surpresa, porque grande parte das figuras evolvidas nesse jogo sujo de falta de compromisso são bem conhecidas. É provável que nem o eleitor debutante veja estranheza, porque não há razões plausíveis para acreditar em várias dessas personagens. No aspecto jurídico, pouca coisa pode ser feita, porque a legislação eleitoral até estabelece diversas regras para coligações, mas existe uma distância colossal entre coligação, alianças políticas e conchavos. E vale destacar um fato inevitável: os candidatos e candidatas que hoje praticam a traição, em relação aos acordos oficiais, são exatamente as mesmas pessoas que não terão nenhum constrangimento em serem eleitas e trair o eleitor, porque a falta de caráter não é componente somente da campanha…
A maioria dos eleitores não tem mesmo a tradição de acompanhar os bastidores políticos, convenções e outros atos de uma campanha, mesmo porque nem todo mundo tem tempo ou interesse. Assim, muita gente nem sabe o que acontece nesses últimos dias que antecedem a data da eleição. Na realidade, não é tão simples entender todos os atos e fatos, porque a situação começa muito antes da pré-campanha e envolve diversas pessoas, algumas delas nem são candidatas, mas trabalharam para articular as alianças, conchavos e coligações. Em todas as convenções, o clima parecia de eterna harmonia e os afagos eram a tônica dos eventos. Tudo isso acabou! Agora cada um corre para um lado e dificilmente alguém lembra das juras de amor que fez entre abril e o dia 05 de agosto. É curioso ver tantos candidatos e candidatas falando que o eleitor deve ter coerência e responsabilidade na hora do voto, porque coerência é uma palavra que não existe no vocabulário de muitos políticos. Muitos eleitores podem jurar de pés juntos que os candidatos ao Senado Federal têm sido leais com seus candidatos ao governo, porque eles aparecem no horário eleitoral, mas isso não se verifica na maioria dos casos. Existem normas estabelecidas pela legislação eleitoral para a veiculação do horário eleitoral. Mas nenhuma legislação é suficiente para normatizar reuniões e andanças de candidatos…
A coisa tem sido tão bagunçada que existem candidatos ou candidatas ao Senado Federal que aparecem em reuniões de todos os candidatos que disputam o governo. Aparecem e fazem discursos. Em alguns casos, no mesmo dia, as mesmas pessoas estão com um candidato a governador de manhã, à tarde com outro e à noite com um terceiro. Os próprios candidatos ao governo já não conseguem dizer, com certeza, quem são seus candidatos ao Senado da República, e o contrário também é verdade. Ao citar as candidaturas majoritárias, a coluna apenas o faz por questões pedagógicas, mas a situação é a mesma em todos os níveis de candidaturas. Não é possível afirmar que traiu quem, porque as “justificativas” são para todo gosto. É claro que esse clima vai ter consequências futuras, principalmente porque muita gente que trai hoje vai acabar derrotada nas urnas e vai precisar pedir abrigo a quem for eleito. No caso das candidaturas ao Senado Federal, não existe segundo turno, mas diversos candidatos ao governo vão precisar engolir muitas coisas, caso cheguem à disputa em um eventual segundo turno, uma vez que os palanques precisam ser reajustados. Nesse cenário, os candidatos ou candidatas eleitos/eleitas para senadores vão exigir o céu, a terra e o mar dos candidatos ao governo, caso sejam de grupos onde há evidentes traições. É pura ilusão acreditar que alguém eleito vai esquecer as mágoas de campanha do primeiro turno e subir em palanques de onde foram defenestrados…
Todo mundo sabe que há diversas candidaturas a presidente da república e que os partidos desses candidatos possuem candidatos em Rondônia. Mas ninguém vê candidatos a deputado ou senador em reuniões nos municípios falando de seus candidatos a presidente, com exceção dos dois nomes que figuram nas pesquisas em primeiro e segundo lugar. E este fenômeno pode até ser considerado natural pelo eleitor, mas não acontece por acaso. A grande maioria dos candidatos não possui nenhum interesse em citar os presidenciáveis, com medo de melindrar o eleitor mais apaixonado. O desenho dos palanques num provável segundo turno em Rondônia vai ser bem diferente do que se vê hoje, principalmente porque também é muito provável que haja o segundo turno para a eleição de presidente. Todo esse cenário de incontáveis traições políticas no estado apenas reforça a tese de que traição em eleições não é um fenômeno raro em Rondônia; é uma tradição que só aumenta a intensidade. Imagine o eleitor como serão as pessoas eleitas para a bancada federal. Lógico que irão se vender na primeira oferta de sinecuras ou prebendas, porque a maioria não tem identidade. Alguns não têm sequer zelo pelo próprio nome…
Diante de tal realidade, qual é a obrigação que o eleitor tem de ser fiel a esses candidatos? Obviamente que nenhuma!! Assim como os candidatos trocam de botons e adesivos para cada reunião, a depender da conveniência, o eleitor pode fazer a mesma coisa. Aliás, em Rondônia, existem muitos eleitores que pegam adesivos de todos os candidatos ao governo, durante a campanha, mas não colam nos carros. Eles esperam a Justiça Eleitoral declarar quem foi eleito e colocam o adesivo na segunda-feira, após a eleição. Isso acontece muito em eleições municipais, mas também em eleições para o governo do estado. É crime fazer isso? Não! É a escola dos candidatos que vai formando os eleitores… Tenho dito!!

 
FRANCISCO XAVIER GOMES
Professor, Jornalista e Advogado


Fonte: Tribuna Popular

+Notícias

Últimas Notícias