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Dia Latino-Americano da Epilepsia chama atenção para diagnóstico, tratamento e combate ao preconceito

Data é celebrada em 9 de setembro e busca ampliar o conhecimento sobre uma das doenças neurológicas mais comuns do mundo

O dia 9 de setembro marca o Dia Latino-Americano da Epilepsia, uma data dedicada à conscientização sobre uma condição neurológica que ainda é cercada por desinformação, medo e preconceito. Instituída no ano 2000, a iniciativa surgiu com o propósito de ampliar a divulgação de informações sobre a epilepsia e contribuir para que as pessoas que convivem com a doença possam participar plenamente da sociedade.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 50 milhões de pessoas vivem com epilepsia em todo o mundo, tornando a condição uma das doenças neurológicas mais comuns. Aproximadamente 80% dessas pessoas vivem em países de baixa e média renda, onde o acesso ao diagnóstico e ao tratamento ainda representa um desafio.
A epilepsia é uma doença crônica do cérebro caracterizada pela ocorrência de crises epilépticas recorrentes, provocadas por alterações na atividade elétrica cerebral. As manifestações podem ser bastante diferentes de uma pessoa para outra, variando desde breves períodos de ausência ou alterações de consciência até convulsões com perda de consciência e movimentos involuntários.
 
Tratamento pode controlar as crises
Apesar dos desafios, a epilepsia é uma condição que pode ser tratada. Segundo a OMS, até 70% das pessoas com epilepsia poderiam viver sem crises quando recebem diagnóstico e tratamento adequados. Os medicamentos antiepilépticos são a principal forma de tratamento para grande parte dos pacientes, enquanto alguns casos podem necessitar de outras abordagens, como cirurgia ou terapias especializadas.
A entidade estima ainda que aproximadamente 5 milhões de pessoas sejam diagnosticadas com epilepsia todos os anos no mundo. A dificuldade de acesso aos serviços de saúde, à medicação e ao acompanhamento especializado faz com que muitas pessoas permaneçam sem o tratamento necessário.
Na América Latina, o cenário também preocupa. Dados divulgados pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) apontam que a lacuna de tratamento na região ultrapassa 50%, ou seja, mais da metade das pessoas com epilepsia não recebe os cuidados de saúde necessários. A entidade estima que cerca de 5 milhões de pessoas com epilepsia vivem na região das Américas.
 
Informação é uma das principais formas de combater o preconceito
Além das questões médicas, o Dia Latino-Americano da Epilepsia chama atenção para um problema que pode acompanhar o paciente por toda a vida: o estigma social.
A falta de informação pode levar a interpretações equivocadas sobre as crises e fazer com que pessoas com epilepsia sejam vítimas de discriminação na escola, no ambiente de trabalho e até nas relações sociais e familiares. A própria OMS destaca que pessoas com epilepsia e seus familiares frequentemente enfrentam estigmatização e discriminação.
Por isso, campanhas de conscientização procuram mostrar que epilepsia não é contagiosa e que ter a doença não significa, necessariamente, estar condenado a uma vida limitada. Com acompanhamento médico e tratamento adequado, muitas pessoas conseguem controlar as crises e manter suas atividades profissionais, acadêmicas, familiares e sociais.
Outro ponto importante é compreender que uma crise convulsiva isolada não significa necessariamente que uma pessoa tenha epilepsia. O diagnóstico deve ser realizado por um profissional de saúde, considerando o histórico clínico e os exames necessários.
 
O que fazer diante de uma crise?
Também faz parte da conscientização ensinar a população a agir corretamente diante de uma crise epiléptica.
Durante uma convulsão, a recomendação geral é manter a pessoa em segurança, afastando objetos que possam causar ferimentos, proteger a cabeça e, quando possível, colocá-la de lado para ajudar a manter as vias aéreas livres. Não se deve colocar objetos ou os dedos dentro da boca da pessoa, nem tentar segurá-la à força.
Se a crise for prolongada, ocorrer uma nova crise logo após a primeira, houver dificuldade para respirar, ferimentos importantes ou se for a primeira crise conhecida daquela pessoa, é necessário buscar atendimento de emergência.
 
Setembro também é mês de informação
Mais do que marcar uma data no calendário, o Dia Latino-Americano da Epilepsia reforça a necessidade de transformar informação em inclusão.
A conscientização ajuda a diminuir o medo, facilita a busca por diagnóstico e tratamento e contribui para que pessoas com epilepsia sejam reconhecidas para além da doença.
Informar é também uma forma de cuidar. E combater o preconceito é parte fundamental desse cuidado.
 


Fonte: Tribuna Popular

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