Coluna Ponto Crítico – Por Felipe Corona
Dados do Portal da Transparência apontam folha anual estimada acima de R$ 18 milhões, mais de R$ 700 mil em mídia e publicidade em 2025 e R$ 114 mil em diárias; números colocam custo e tamanho da estrutura de Alex Redano (Republicanos) sob os holofotes; Instituto Veritá está na mira da Justiça Eleitoral
Barca do amigão
Se quantidade de servidores fosse sinônimo automático de eficiência parlamentar, o gabinete do presidente da Assembleia Legislativa de Rondônia, Alex Redano (Republicanos), talvez estivesse concorrendo a algum prêmio nacional de produtividade. Afinal, segundo os registros analisados, 322 servidores aparecem vinculados à estrutura, enquanto a estimativa anual da folha de pagamento supera a respeitável marca de R$ 18 milhões.
Barca do amigão 2
É gente suficiente para formar uma pequena tropa administrativa. E ainda sobraria pessoal para organizar a fila. Alex Redano, que também preside o Republicanos em Rondônia e busca a reeleição como deputado estadual, está à frente de uma estrutura cujos números chamam atenção não apenas pelo tamanho, mas pelo volume de recursos públicos envolvidos.
Barca do amigão 3
Considerando despesas com pessoal, comunicação, publicidade e diárias, os valores levantados referentes a 2025 chegam a aproximadamente R$ 19 milhões. Importante fazer a ressalva que separa fiscalização séria de acusação gratuita: os números, isoladamente, não demonstram ilegalidade. Mas R$ 19 milhões em um único ano certamente compram ao contribuinte o direito de fazer algumas perguntas. E muitas.
Pequena prefeitura
O primeiro número que salta da planilha é o contingente de pessoal. São 322 servidores identificados, conforme os dados analisados, com uma folha anual estimada em mais de R$ 18 milhões. O tamanho da estrutura desperta uma questão bastante simples: quais atividades desempenhadas pelo mandato exigem esse contingente e quais resultados concretos ele proporciona à população?
Quais resultados?
Porque, quando a conta é paga com dinheiro público, quantidade precisa vir acompanhada de justificativa, finalidade e resultado. Não basta lotar gabinete. É preciso mostrar serviço.
Batalhão
Com uma estrutura dessa dimensão, o eleitor pode legitimamente esperar que cada demanda apresentada em Ariquemes, Porto Velho ou no município mais distante de Rondônia encontre praticamente uma força-tarefa esperando para resolvê-la.
Propaganda
Outro capítulo interessante aparece nas despesas com mídia e publicidade. Em 2025, os valores analisados ultrapassaram R$ 700 mil. Já em 2026, os relatórios citados indicam gastos superiores a R$ 400 mil nessa área. Em política, existe aquela conhecida máxima de que não basta fazer: é preciso comunicar.
Alma do negócio
No caso de estruturas abastecidas pelo dinheiro do contribuinte, porém, talvez seja razoável acrescentar uma segunda frase: é preciso explicar quanto custa comunicar, quem recebe e qual interesse público está sendo atendido. Principalmente em ano eleitoral, quando o presidente da Assembleia também está na condição de candidato à reeleição.
Aparecer é preciso
Isso não transforma automaticamente despesas institucionais em gastos eleitorais. São coisas juridicamente distintas. Mas torna ainda mais necessária uma fronteira transparente entre divulgação de interesse público e promoção da imagem de agentes políticos.
Amazonas
Entre os registros analisados também aparece a Smart Leaf Distribuidora, de Manaus, relacionada a pagamento superior a R$ 200 mil no final de 2025. O valor, evidentemente, não prova qualquer irregularidade.
Amazonas 2
Mas desperta perguntas perfeitamente legítimas: o que foi adquirido ou contratado? Qual procedimento resultou na contratação? Como foi estabelecido o preço? Por que esse fornecedor foi escolhido? Houve concorrência? E qual foi o benefício entregue à Assembleia e, consequentemente, à população?
Respostas
Dinheiro público possui uma característica desagradável para quem prefere trabalhar longe dos holofotes da fiscalização: até uma despesa legal precisa ser explicável. E quanto maior o cheque, maior tende a ser a curiosidade do contribuinte.
Viajar é preciso…
O passaporte (ou pelo menos a agenda de deslocamentos) também teve trabalho. Segundo os registros apresentados, as despesas com diárias e viagens ultrapassaram R$ 114 mil em 2025, incluindo deslocamentos para Brasília, São Paulo, Manaus e Belém, além de uma viagem internacional para Assunção, no Paraguai.
Diárias também
Viagens institucionais fazem parte da atividade parlamentar e podem ser perfeitamente justificáveis. A questão novamente é outra: o que Rondônia recebeu de volta? Quais reuniões foram realizadas? Quais resultados foram obtidos? Que benefícios concretos foram proporcionados ao Estado? Porque passagem termina no desembarque. Diária acaba quando a missão termina. A prestação de contas precisa permanecer.
Gastos e mais gastos
R$ 19 milhões e uma pergunta inconveniente: valeu quanto? É justamente aí que os números deixam de ser apenas uma coleção de cifras e passam a representar uma discussão política relevante. Se a estrutura relacionada ao gabinete movimentou aproximadamente R$ 19 milhões em 2025, o eleitor tem todo o direito de perguntar qual foi o retorno proporcionado por esse investimento.
Questionamentos
Quantos projetos relevantes foram apresentados? Quantas ações efetivas chegaram aos municípios? Que resultados justificam uma estrutura com centenas de servidores? Quais produtos foram entregues pelos contratos de comunicação? Qual foi a finalidade dos pagamentos de maior valor? E o que efetivamente resultou das viagens custeadas pelos cofres públicos?
Dinheiro público
Fiscalizar essas despesas não significa afirmar que houve crime ou irregularidade. Significa apenas aplicar ao dinheiro público uma regra bastante elementar: quem paga a conta pode perguntar por que ela ficou tão cara.
Comando e carimbo
No caso de Alex Redano, são números especialmente relevantes porque não se trata apenas de um deputado estadual. Ele ocupa a Presidência da Assembleia Legislativa, comanda o Republicanos em Rondônia e disputa novamente uma cadeira no Parlamento estadual.
Futuro
Em tempos de eleição, candidatos gostam de apresentar ao eleitor aquilo que pretendem fazer nos próximos quatro anos. Talvez seja igualmente útil apresentar, com a mesma disposição, quanto custou aquilo que fizeram nos últimos quatro. Porque R$ 19 milhões podem até caber nas planilhas da administração pública. O que ainda precisa caber na explicação é o resultado entregue ao contribuinte.
Possíveis fraudes
A Justiça Eleitoral determinou a suspensão imediata da divulgação dos resultados da mais recente pesquisa realizada pelo Instituto Veritá em Rondônia. A decisão liminar foi proferida pelo juiz eleitoral auxiliar da propaganda Rinaldo Forti da Silva, após questionamentos sobre o cumprimento de requisitos obrigatórios no registro e na apresentação pública do levantamento.
Possíveis fraudes 2
A medida foi tomada em representação apresentada pela coligação Rondônia com a Força do Trabalho e da União, formada pelo Republicanos e pela Federação União Progressista (União Brasil/PP). O grupo sustenta que a pesquisa foi registrada no sistema da Justiça Eleitoral e posteriormente divulgada sem atender integralmente às exigências estabelecidas pela legislação.
Pena
Em caso de descumprimento da ordem, o Instituto Veritá estará sujeito a multa de R$ 5 mil por dia, inicialmente limitada a R$ 100 mil. O instituto também é alvo de outros questionamentos relacionados a pesquisas eleitorais em Rondônia e em outros estados. Sobre o mesmo levantamento suspenso, há ainda outra representação apresentada pelo PSD.
Informações
Entre os pontos questionados está a ausência da quantidade de eleitores entrevistados em cada setor censitário abrangido pela pesquisa. De acordo com a representação, a documentação apresentada pelo Veritá informa municípios, bairros e número de entrevistas, mas não detalha quantas pessoas foram ouvidas em cada setor censitário. Também teria deixado de apresentar justificativa técnica para a ausência dessa informação.
Sem confiança
Outro problema levantado envolve o nível de confiança da pesquisa. A coligação argumentou que o dado obrigatório não constava nas peças utilizadas para divulgação dos resultados. Ao analisar preliminarmente o caso, Rinaldo Forti considerou plausíveis os argumentos e ressaltou que a indicação do nível de confiança está entre as informações exigidas pela regulamentação eleitoral.
Voto “contaminado”
Um dos fundamentos para a suspensão imediata foi o fato de os resultados já estarem circulando em pleno período de campanha eleitoral. Na avaliação do magistrado, permitir a continuidade da divulgação de uma pesquisa cuja regularidade está sob questionamento relevante poderia provocar efeitos imediatos na formação da vontade dos eleitores, especialmente em uma disputa majoritária.
Citações
A decisão também menciona precedentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) envolvendo a ausência de informações sobre o número de entrevistados por setor censitário. Conforme os entendimentos citados pelo juiz, a falta desse detalhamento pode levar o levantamento a ser considerado como pesquisa não registrada.
Prejudicado
O magistrado destacou ainda precedente segundo o qual a apresentação posterior da informação não necessariamente afasta a irregularidade, especialmente quando a omissão já tenha prejudicado a fiscalização do levantamento.
Sem divulgação
Com a liminar, o Instituto Veritá deverá interromper a divulgação dos resultados e fica impedido de promover novas publicações da pesquisa, direta ou indiretamente, até que o mérito da representação seja analisado pela Justiça Eleitoral. O descumprimento poderá resultar em multa diária de R$ 5 mil, até o limite inicialmente estabelecido de R$ 100 mil.
Desdobramentos
A decisão tem caráter provisório e não representa julgamento definitivo sobre a regularidade da pesquisa. O Instituto Veritá ainda deverá ser intimado para apresentar defesa e contestar os argumentos levantados na representação.
*Parte desta coluna foi escrita com informações publicadas pelo site Ei Rondônia e RO24h, no dia 18 de agosto de 2026. E pelo Rondoniagora no dia 02 de setembro deste ano.
**Os sites que publicam esta coluna reservam o direito de manter integralmente a opinião dos seus articulistas sem intervenções. No entanto, o conteúdo apresentado por este “COLUNISTA” é de inteira responsabilidade de seu autor.
Fonte: Tribuna Popular