Uma denúncia criminal apresentada nesta terça-feira (1º) às autoridades de Rondônia colocou sob questionamento a pesquisa eleitoral divulgada pelo Instituto Veritá na segunda-feira (31), que aponta o senador Marcos Rogério (PL) com 40,7% das intenções de voto na disputa pelo Governo de Rondônia.
Segundo as informações apresentadas na denúncia, o documento foi encaminhado à Polícia Civil do Estado de Rondônia e também chegou ao Ministério Público de Rondônia, com pedido para que sejam investigadas possíveis irregularidades relacionadas ao levantamento.
A representação sustenta que a pesquisa divulgada pelo Veritá apresentaria números considerados incompatíveis com outros levantamentos realizados anteriormente no estado e levanta a possibilidade de que uma eventual pesquisa irregular possa interferir na percepção do eleitor.
Diferença de quase 15 pontos em relação à Quaest
Um dos principais pontos questionados é a diferença entre os números apresentados pelo Veritá e os registrados anteriormente pela Quaest.
No levantamento da Quaest, Marcos Rogério aparecia com 26%, enquanto Adailton Fúria (PSD) registrava 23%, configurando um cenário de proximidade entre os dois candidatos.
Já a pesquisa do Veritá apresenta Marcos Rogério com 40,7%, contra 22,4% de Adailton Fúria.
A diferença atribuída a Marcos Rogério entre os dois levantamentos é de 14,7 pontos percentuais.
É justamente essa mudança expressiva que passou a ser explorada pelos autores da denúncia como um dos elementos que justificariam uma apuração mais aprofundada.
Denúncia fala em “falsa pesquisa”
A representação apresentada às autoridades classifica o levantamento como supostamente falso e pede investigação sobre a origem dos números e os critérios utilizados pelo instituto.
Outro ponto citado é a composição do eleitorado de Porto Velho, considerado estratégico para a disputa estadual. A denúncia questiona especificamente a forma como os dados relacionados à capital foram apresentados e menciona o candidato Hildon Chaves.
Os autores da representação também questionam a ausência ou não apresentação de determinados percentuais atribuídos ao candidato na divulgação da pesquisa.
Matéria de Manaus também repercute questionamentos
Os questionamentos ganharam repercussão paralelamente a uma publicação atribuída aos veículos Poder Jornalismo e Revista Poder, de Manaus, que teria abordado supostas relações políticas envolvendo pesquisas eleitorais em Rondônia.
A publicação também teria chamado atenção para a diferença entre os resultados apresentados pelo Instituto Veritá e os números da Quaest.
A existência de diferenças entre pesquisas, contudo, não é suficiente para comprovar fraude. Institutos podem utilizar amostras, períodos de coleta e metodologias diferentes, o que pode produzir resultados distintos.
O que está sendo questionado na denúncia é se, neste caso específico, houve alguma irregularidade que justifique investigação.
Pesquisa registrada não significa aprovação do TSE
Outro ponto importante é que o registro de uma pesquisa no Tribunal Superior Eleitoral não significa que a Justiça Eleitoral tenha previamente atestado a veracidade dos seus resultados.
A legislação eleitoral estabelece regras para registro, realização e divulgação dos levantamentos, cabendo ao instituto responsável responder pelas informações apresentadas e pela metodologia utilizada.
Eventuais irregularidades precisam ser demonstradas por meio de provas e analisadas pelas autoridades competentes.
Possível influência sobre o eleitorado
A denúncia também sustenta que uma eventual pesquisa fraudulenta poderia ter potencial para influenciar a decisão do eleitor, especialmente quando apresenta uma vantagem expressiva para determinado candidato.
Caso uma investigação venha a comprovar a existência de fraude, manipulação ou outra irregularidade com repercussão eleitoral, os responsáveis poderão responder conforme as consequências previstas na legislação.
Isso, entretanto, não significa que Marcos Rogério esteja automaticamente sujeito à perda de mandato caso seja eleito. Qualquer consequência eleitoral dependeria da apuração dos fatos, eventual processo, comprovação de responsabilidade e decisão da Justiça Eleitoral.
Até o momento, não há decisão judicial declarando a pesquisa do Instituto Veritá fraudulenta. A denúncia representa uma solicitação de investigação e as suspeitas apresentadas ainda precisam ser comprovadas.
O Instituto Veritá e os candidatos citados devem ser procurados para apresentar esclarecimentos sobre os questionamentos levantados na denúncia.
Por RO Acontece
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Fonte: RO ACONTECE