O DIA D DA VOTAÇÃO DA MUDANÇA
Imagine um auditório com pouco mais de 60 cadeiras receber mais de 200 pessoas que gritavam, aplaudiam, vaiavam, provocando uma barulheira enorme, uma plateia formada por comerciários, professores, dirigentes sindicais, lideranças comunitárias, lideranças históricas, estudantes, gritando “palavras de ordem” e que lotaram corredores internos ,as, durante todo o tempo não brigaram entre si e nem causaram danos ao prédio, no caso a velha Assembleia Legislativa de Rondônia.
Naquele dia cerca de 700 pessoas praticamente ocuparam todos os espaços do prédio onde funcionou o hospital de atendimento aos trabalhadores que vieram construir a rodovia BR-364, em 1960, e que desde janeiro de 1983 era a sede do Poder Constituinte que escrevia a 2ª Constituição Estadual – promulgada dia 28 de setembro daquele ano de 1989.
E quando se noticiou que a proposta do deputado Edison Fidelis, seria votada na sessão constituinte dentro de três dias, portovelhenses nativos ou não, começaram a mobilização que resultou na invasão da Assembleia, mobilização que, conforme o historiador Francisco Matias, “resultou na defesa do interesse da comunidade”
“Desde que o projeto foi tornado público notou-se interesse da população em defender a manutenção da capital em Porto Velho, e visitamos todos os 24 deputados – 18 deles eleitos pelos municípios da BR inclusive os que já se posicionavam a favor da proposta”, lembrou o professor Wilson Dias então diretor da Associação dos Professores de Rondônia.
“Nós levávamos aos deputados um estudo feito sobre custos e possibilidades de transferência, além da nossa oposição à mudança considerando inclusive valores históricos e financeiros que a aprovação da proposta iria exigir”, lembrou o professor Wilson. “Uma das informações que já tínhamos era que do ano seguinte – 1990 – em diante a União cessaria os repasses mensais para pagar o funcionalismo e a manutenção da estrutura administrativa do Estado, tudo ficaria sob responsabilidade dos governos que seriam escolhidos partir de 1990, o que inviabilizava qualquer proposta de se criar uma nova capital”.
“Nosso trabalho de convencer, especialmente os deputados da BR, que eram 3 vezes mais que os eleitos por Porto Velho (5 deputados) mais 1 de Guajará Mirim, foi facilitado pela ação de convencimento feita pelo deputado relator Amizael Silva que, desde o início, esteve do nosso lado”, lembrou Wilson.
1989 – Público vibrou muito quando o projeto mudancista foi reprovado. Na bancada da imprensa os jornalistas Ivalda Marrocos, Lúcio Albuquerque, Luiz Roberto, Marco Nami e Edvino Hubner
Wilson Dias: O apoio de todos os segmentos de Porto Velho e o engajamento do relator deputado Amizael Silva foram fundamentais para derrubar a proposfa mudancistra
Fonte: Tribuna Popular